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Queridos
Irmãos e Irmãs de toda a Família Franciscana
É uma grande alegria, visitando um pouco os Irmãos
de todo o mundo, em todos os Continentes, nestes seis anos
como Ministro Geral sempre tenho encontrado a Família
Franciscana.
Ha
um sentido de pertença à Igreja!Sentimos que
nosso carisma é um carisma de complementariedade:
uns necessitam da ajuda de outros e de outras.
Quando
Francisco começou sua vida evangélica, nos
primeiros anos, praticamente o carisma franciscano nasceu
como somos aqui,
nesta manhã. Irmãos que pediram para viver
o Evangelho como Francisco. Depois Clara, que tinha apenas
18 anos: muito jovem e,Francisco não sabia exatamente
sua vocação. Porém, Clara começou,
com ele, buscar a Vontade de Deus; escutar Sua Palavra.
Depois, outras
pessoas casadas disseram a Francisco: "Nos queremos
viver o Evangelho". E Francisco começou esta
aventura evangélica com todos e
com todas.
Não
é importante no nosso carisma, também não
é problema, se sou homem ou mulher, se sou casado
ou não. O que conta é que em
todas as Regras - da I, da II e da III Ordem, nós
dizemos na primeira palavra: "NOSSA VIDA É VIVER
O EVANGELHO". Somos santos e
santas, se vivemos o Evangelho. Não é o hábito
que nos põe a um grau maior de santidade, mas uma
vida evangélica.
Hoje
necessitamos de pessoas convictas, sérias, que vivem
o Evangelho. O Evangelho não é uma palavra;
o Evangelho é uma Péssoa E, quando nos dizemos:
"Eu quero viver o Evangelho", - para Francisco,
é ler e obedecer.
Um
autor italiano escreveu uma sentença muito forte:
"Somos todos um pouco franciscanos, mas a grande pequena
diferença que exíste entre nós e Francisco
é que Francisco é um homem - e Clara, podemos
dizer - Francisco e Clara são pessoas obedientes
e nóe,somos pessoas que escutamos, porém não
obedecemos. É uma diferença pequena, porém
muito grande! É o exemplo da Palavra que não
se diferencia, porém nós pesamos a importância.
Francisco
escuta e começa a viver; não pensa. Porém,
nós precisamos 'interpretar'. Para nós a pobreza
não é POBREZA. Francisco vê a pobreza
de Jesus. É a pobreza que começa a viver.
Nós reflexionamos muito. É mais fácil!
E mais fácil questionar que viver. E nós,
sobretudo hoje, vivemos num mundo de exterioridades. O homem
vale pelo que tem - dinheiro -; pelo que aparece - a televisão
-; pelo que gosta de fazer. Francisco e Clara e as contemplativas
franciscanas - que até hoje são mais de 20.000
no mundo- vivem esta vocação para propor ao
mundo um caminho diferente.
Os Religiosos e as Religiosas são verdadeiramente
Religiosos e Religiosas se vivem claramente um novo estilo
de vida: uma vida alternativa. Nós hoje dizemos que
é importante viver perto do mundo pelos problemas
do mundo, mas, depois há o risco de nos tornarmos
mundanos.
Para
o Evangelista São João é muito diferente,
'estar no mundo', porém sem os valores do mundo.
E a nós é muito fácil viver no mundo
com os valores do mundo!
Agora
a mensagem de Francisco e Clara é esta cultura da
interioridade. Possuir nosso corpo, nossos sentimentos.
Fazer uma per
sonalidade unida (unificada). Hoje digo uma coisa... amanha
outra coisa. Hoje tenho mistérios que me são
egocêntricos... amanha vou começar a viver
o Mistério de Deus. Aqui a nossa interioridade é
dividida. Não somos unificados. Todas as guerras
nascem por causa dessa divisão interior do homem.
E uma guerra que temos em nossa interioridade. Não
somos pessoas como Clara e Francisco: com uma paixão
única - COM UMA PAIXÃO ÚNICA!
Eu
posso trabalhar, eu posso estudar, chegar a ser doutor,
ou professor; é relativo. O que conta é cuidar
de uma paixão única, centralizada na sequela
de Cristo. Seguir Jesus Cristo humilde e pobre.
Se Francisco viesse hoje aqui, e se ele pudesse aplicar
as palavras que entendeu na Igreja de São Damiao,
onde, depois, vie-
ram as Clarissas - quando Francisco entendeu o Crucificado
de São Damiao que dizia: "Vai Francisco, repara
a minha casa que, como
vês, ameaça ruína."
Eu creio que a casa a reparar hoje é a 'nossa casa'.
Não pensai em construções de cimento.
Nossa casa a reparar, hoje, é este corpo humano:
uma casa de serenidade, onde o corpo é um sinal de
que pertencemos a Deus. Onde os desejos são desejos
de Deus; onde a minha vida cotidiana é uma vida unificada
em Deus. "Vai, Francisco;" Hoje podemos dizer
que cada um vá! Vá, Maria, Francisca, Antônio,
repara a minha casa que, como vês ameaça em
ruína.
Eu, como franciscano e cada um, como cada uma, podemos chegar
a ser um sinal de paz, de reconciliação, de
alegria, neste mundo cheio de guerras, de divisões,
de medo de tudo.
Se nos somos pessoas unificadas, proclamamos viver esta
presença de Deus. Testemunho de tudo é viver
o que somos e chegar a ser o que somos: imagem de Deus,
que habita em nós!
Nós somos de Deus! Não somos do nosso trabalho;
não somos de nossos desejos egocêntricos; não
somos o que os outros pensam de nós. Eu vivo segundo
o que pensam os outros, mas eu sou formado nesta Imagem
que habita em meu coração. E todo o corpo,
a cara, TUDO FALA DESTA presença!
Não é necessário falar muito a este
mundo.
Estamos cansados de palavras vazias. A gente quer ver uma
pessoa autêntica. E hoje e uma raridade! E um tesouro
muito esquecido: uma pessoa autêntica que fala o que
sente dentro e que vive e que diz. Se há uma pessoa
como esta, não necessitamos de 1.000 Clarissas"
ou 1.000 Franciscanos, ou 1.000 Terciários. Bas_
ta poucas pessoas, convencidas que vivem este diálogo
com o Senhor. VIVEM COM A ALEGRIA DE QUEM VIVE COM O SENHOR;
OBRIGADO.
(Homilia
do Ministro Geral, Frei Giacomo Bini, ofm, no Mosteiro Santa
Clara, no dia 19 de fevereiro de 2003, por ocasião
à visita fraterna às Clarissas em Anápolis
(GO).
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