Homilia do ministro geral Frei Giacomo Bini  
Santa Clara
Cronologia da vida de Santa Clara
Carta abre 750º aniversário de sua morte
Homilia do ministro geral em visita ao Brasil
Francisco e Clara são iguais, por Frei Hermann Schaluck
A utopia de Francisco se fez Clara, por Frei Vitório Mazzuco Filho
O Corpo de Clara, por Frei Vitório Mazzuco Filho
Dia-a-dia no Mosteiro
Onde estamos
Oração de Santa Clara
Conhecendo Clara de Assis
Seu nome é Clara de Assis
Galeria

Queridos Irmãos e Irmãs de toda a Família Franciscana
É uma grande alegria, visitando um pouco os Irmãos de todo o mundo, em todos os Continentes, nestes seis anos como Ministro Geral sempre tenho encontrado a Família Franciscana.

Ha um sentido de pertença à Igreja!Sentimos que nosso carisma é um carisma de complementariedade: uns necessitam da ajuda de outros e de outras.

Quando Francisco começou sua vida evangélica, nos primeiros anos, praticamente o carisma franciscano nasceu como somos aqui,
nesta manhã. Irmãos que pediram para viver o Evangelho como Francisco. Depois Clara, que tinha apenas 18 anos: muito jovem e,Francisco não sabia exatamente sua vocação. Porém, Clara começou, com ele, buscar a Vontade de Deus; escutar Sua Palavra. Depois, outras
pessoas casadas disseram a Francisco: "Nos queremos viver o Evangelho". E Francisco começou esta aventura evangélica com todos e
com todas.

Não é importante no nosso carisma, também não é problema, se sou homem ou mulher, se sou casado ou não. O que conta é que em
todas as Regras - da I, da II e da III Ordem, nós dizemos na primeira palavra: "NOSSA VIDA É VIVER O EVANGELHO". Somos santos e
santas, se vivemos o Evangelho. Não é o hábito que nos põe a um grau maior de santidade, mas uma vida evangélica.

Hoje necessitamos de pessoas convictas, sérias, que vivem o Evangelho. O Evangelho não é uma palavra; o Evangelho é uma Péssoa E, quando nos dizemos: "Eu quero viver o Evangelho", - para Francisco, é ler e obedecer.

Um autor italiano escreveu uma sentença muito forte: "Somos todos um pouco franciscanos, mas a grande pequena diferença que exíste entre nós e Francisco é que Francisco é um homem - e Clara, podemos dizer - Francisco e Clara são pessoas obedientes e nóe,somos pessoas que escutamos, porém não obedecemos. É uma diferença pequena, porém muito grande! É o exemplo da Palavra que não se diferencia, porém nós pesamos a importância.

Francisco escuta e começa a viver; não pensa. Porém, nós precisamos 'interpretar'. Para nós a pobreza não é POBREZA. Francisco vê a pobreza de Jesus. É a pobreza que começa a viver. Nós reflexionamos muito. É mais fácil! E mais fácil questionar que viver. E nós, sobretudo hoje, vivemos num mundo de exterioridades. O homem vale pelo que tem - dinheiro -; pelo que aparece - a televisão -; pelo que gosta de fazer. Francisco e Clara e as contemplativas franciscanas - que até hoje são mais de 20.000 no mundo- vivem esta vocação para propor ao mundo um caminho diferente.

Os Religiosos e as Religiosas são verdadeiramente Religiosos e Religiosas se vivem claramente um novo estilo de vida: uma vida alternativa. Nós hoje dizemos que é importante viver perto do mundo pelos problemas do mundo, mas, depois há o risco de nos tornarmos mundanos.

Para o Evangelista São João é muito diferente, 'estar no mundo', porém sem os valores do mundo. E a nós é muito fácil viver no mundo com os valores do mundo!

Agora a mensagem de Francisco e Clara é esta cultura da interioridade. Possuir nosso corpo, nossos sentimentos. Fazer uma per
sonalidade unida (unificada). Hoje digo uma coisa... amanha outra coisa. Hoje tenho mistérios que me são egocêntricos... amanha vou começar a viver o Mistério de Deus. Aqui a nossa interioridade é dividida. Não somos unificados. Todas as guerras nascem por causa dessa divisão interior do homem. E uma guerra que temos em nossa interioridade. Não somos pessoas como Clara e Francisco: com uma paixão única - COM UMA PAIXÃO ÚNICA!

Eu posso trabalhar, eu posso estudar, chegar a ser doutor, ou professor; é relativo. O que conta é cuidar de uma paixão única, centralizada na sequela de Cristo. Seguir Jesus Cristo humilde e pobre.

Se Francisco viesse hoje aqui, e se ele pudesse aplicar as palavras que entendeu na Igreja de São Damiao, onde, depois, vie-
ram as Clarissas - quando Francisco entendeu o Crucificado de São Damiao que dizia: "Vai Francisco, repara a minha casa que, como
vês, ameaça ruína."

Eu creio que a casa a reparar hoje é a 'nossa casa'. Não pensai em construções de cimento. Nossa casa a reparar, hoje, é este corpo humano: uma casa de serenidade, onde o corpo é um sinal de que pertencemos a Deus. Onde os desejos são desejos de Deus; onde a minha vida cotidiana é uma vida unificada em Deus. "Vai, Francisco;" Hoje podemos dizer que cada um vá! Vá, Maria, Francisca, Antônio, repara a minha casa que, como vês ameaça em ruína.

Eu, como franciscano e cada um, como cada uma, podemos chegar a ser um sinal de paz, de reconciliação, de alegria, neste mundo cheio de guerras, de divisões, de medo de tudo.

Se nos somos pessoas unificadas, proclamamos viver esta presença de Deus. Testemunho de tudo é viver o que somos e chegar a ser o que somos: imagem de Deus, que habita em nós!

Nós somos de Deus! Não somos do nosso trabalho; não somos de nossos desejos egocêntricos; não somos o que os outros pensam de nós. Eu vivo segundo o que pensam os outros, mas eu sou formado nesta Imagem que habita em meu coração. E todo o corpo, a cara, TUDO FALA DESTA presença!

Não é necessário falar muito a este mundo.
Estamos cansados de palavras vazias. A gente quer ver uma pessoa autêntica. E hoje e uma raridade! E um tesouro muito esquecido: uma pessoa autêntica que fala o que sente dentro e que vive e que diz. Se há uma pessoa como esta, não necessitamos de 1.000 Clarissas" ou 1.000 Franciscanos, ou 1.000 Terciários. Bas_
ta poucas pessoas, convencidas que vivem este diálogo com o Senhor. VIVEM COM A ALEGRIA DE QUEM VIVE COM O SENHOR;
OBRIGADO.

(Homilia do Ministro Geral, Frei Giacomo Bini, ofm, no Mosteiro Santa Clara, no dia 19 de fevereiro de 2003, por ocasião à visita fraterna às Clarissas em Anápolis (GO).