CÁPITULO II: A forma de vida
4. A Regra e a vida dos franciscanos
seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis que fez
do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens.
Cristo, dom de Amor do Pai, é o caminho para Ele, é
a verdade na qual o Espírito Santo nos introduz, é a
vida que Ele veio dar em superabundância. Os franciscanos seculares
se empenhem, além disso, na leitura assídua do Evangelho,
passando do Evangelho à vida e da vida ao Evangelho.
5. Os franciscanos seculares, portanto,
procurem a pessoa vivente e operante do Cristo nos irmãos,
na Sagrada Escritura, na Igreja e nas ações litúrgicas.
A fé de Francisco, que ditou estas palavras: "Nada vejo
corporalmente neste mundo do altíssimo Filho de Deus se não
o seu santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue",
seja para eles inspiração e orientação
da sua vida eucarística.
6. Sepultados e ressuscitados com Cristo
no Batismo, que os torna membros vivos da Igreja, e a ela mais fortemente
ligados pela Profissão, tornem-se testemunhas e instrumentos
de sua missão entre os homens, anunciando Cristo pela vida
e pela palavra.
Inspirados por São Francisco e com ele chamados a reconstruir
a Igreja, empenhem-se em viver em plena comunhão com o Papa,
os Bispos e os sacerdotes num confiante e aberto diálogo de
criatividade apostólica.
7. Como "irmãos e irmãs
de penitência", em virtude de sua vocação,
impulsionados pela dinâmica do Evangelho, conforme o seu modo
de pensar e de agir ao de Cristo, mediante uma radical transformação
interior que o próprio Evangelho designa pelo nome de "conversão"
a qual, devido à fragilidade humana, deve ser realizada todos
os dias. Neste caminho de renovação, o sacramento da
Reconciliação é sinal privilegiado da misericórdia
do Pai e fonte de graça.
8. Assim como Jesus foi o verdadeiro
adorador do Pai, façam da oração e da contemplação
a alma do próprio ser e do próprio agir.
Participem da vida sacramental da Igreja, principalmente da Eucaristia,
e se associem à oração litúrgica em uma
das formas propostas pela mesma Igreja, revivendo assim os mistérios
da vida de Cristo.
9. A Virgem Maria, humilde serva do
Senhor, disponível à sua palavra e a todos os seus apelos,
foi cercada por Francisco de indizível amor e foi por ele designada
Protetora e Advogada da sua família. Que os franciscanos seculares
testemunhem a Ela seu ardente amor pela imitação de
sua incondicionada disponibilidade e pela efusão de sua confiante
e consciente oração.
10. Unindo-se à obediência redentora de Jesus,
que submeteu sua vontade à do Pai, cumpram fielmente as obrigações
próprias da condição de cada um nas diversas
situações da vida, e sigam o Cristo, pobre e crucificado,
testemunhando-o, mesmo nas dificuldades e perseguições.
11. Cristo, confiado no Pai, embora apreciasse atenta e amorosamente
as realidades criadas, escolheu para Si e para sua Mãe uma
vida pobre e humilde. Assim, os franciscanos seculares procurem no
desapego um justo relacionamento com os bens temporais, simplificando
suas próprias exigências materiais. Estejam conscientes,
pois, de que, segundo o Evangelho, são administradores dos
bens recebidos em favor dos filhos de Deus.
Assim, no espírito das "Bem-aventuranças",
se esforcem para purificar o coração de toda a inclinação
e cobiça de posse e de dominação como "peregrinos
e forasteiros" a caminho da casa do Pai.
12.Testemunhas dos bens futuros e comprometidos
pela vocação abraçada à aquisição
da pureza do coração, desse modo se tornarão
livres para o amor a Deus e aos irmãos.
13. Assim como o Pai vê em qualquer homem os traços
do seu filho, Primogênito entre muitos irmãos, os franciscanos
seculares acolham todos os homens com humilde e benevolente disposição,
como um dom do Senhor e imagem de Cristo.
O senso de fraternidade os tornará alegres e dispostos a identificar-se
com todos os homens, especialmente com os mais pequeninos, para os
quais procurarão criar condições de vida dignas
de criaturas remidas por Cristo.
14. Chamados, juntamente com todos os homens de boa vontade,
a fim de construir um mundo mais fraterno e evangélico para
a realização do Reino de Deus, cônscios de que
"cada um que segue o Cristo, Homem perfeito, também se
torna ele próprio mais homem", exerçam com competência
as próprias responsabilidades no espírito cristão
de servico.
15. Estejam presentes pelo testemunho da própria vida
humana, e ainda por iniciativas corajosas, individuais e comunitárias,
na promoção da justiça, em particular, no âmbito
da vida pública, comprometendo-se em opções concretas
e coerentes com sua fé.
16. Estimem o trabalho como um dom e como uma participação
na criação, redenção e serviço
da comunidade humana.
17. Em sua família vivam o espírito franciscano
da paz, da fidelidade e do respeito à vida, esforçando-se
para fazer dela o sinal de um mundo já renovado em Cristo.
Os esposos, em particular, vivendo as graças do matrimônio,
testemunhem no mundo o amor de Cristo à sua Igreja. Por uma
educação cristã simples e aberta, atentos à
vocação de cada um, caminhem alegremente com os filhos
em seu itinerário humano e espiritual.
18. Tenham, além disso, respeito pelas criaturas, animadas
e inanimadas, que "do Altíssimo recebem significação"
e procurem com afinco passar da tentação do aproveitamento
para o conceito franciscano da Fraternização universal.
19. Como portadores de paz e conscientes de que ela deve ser
construída incessantemente, procurem os caminhos da unidade
e dos entendimentos fraternos mediante o diálogo, confiando
na presença do germe divino que existe no homem e na força
transformadora do amor e do perdão.
Mensageiros da perfeita alegria, em qualquer situação,
procurem levar aos outros a alegria e a esperança. Inseridos
na Ressurreição de Cristo, que dão verdadeiro
sentido à Irmã Morte, encaminhem-se serenamente ao encontro
definitivo com o Pai. |