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São Francisco vê todas as criaturas à luz de Deus e tem uma percepção especial da grande dignidade da pessoa humana. Sabe que o homem e a mulher são obra de Deus criador, que os quis diferentes e complementares, não inferiores nem superiores um ao outro.
O Poverello reconhece, além disso, que o homem e a mulher são igualmente chamados por Deus a partilhar a vida divina e a colaborar no plano da salvação como irmãos e irmãs, sem dominar uns sobre os outros. Não faz distinção entre o seu chamado e o de Clara.
Jacoba de Setesoli goza de sua plena confiança. Em seu apostolado itinerante, dirige-se sempre aos homens e às mulheres (cf Rnb 23,20); acolhe como seus seguidores não só homens, mas também mulheres de todas as condições sociais: moças, casadas e viúvas.
A todos, homens e mulheres, oferece um idêntico programa de vida evangélica, sem discriminações. Francisco gosta de manifestar, ele mesmo, algumas qualidades femininas e deseja que o amor fraterno seja inspirado pelo amor de mãe (Rnb 9.14; Ce 2-13). Chama a pobreza de "minha esposa" (2C 84).
No mundo de hoje, a mulher chamou a atenção para si, para seu papel na família, na sociedade e na Igreja. O espírito franciscano quer que a mulher, de acordo com o projeto da criação e da redenção, expresse a plenitude de sua vocação feminina.
De fato, as mulheres e os homens que seguem Francisco, embora partilhando o mesmo patrimônio espiritual, tem uma tonalidade diversa na vivência desse mesmo ideal e na ação apostólica.
Essa diversidade deve ser salvaguardada com todo o respeito, porque representa um enriquecimento do carisma franciscano em sua globalidade. Os franciscanos de hoje, mulheres e homens, são chamados juntos, para empregar seus dotes de natureza e de graça no serviço humanitário e cristão de que o mundo atual tem urgente necessidade.
Rnb = Regra não bulada
Trecho extraído da Carta-mensagem dos ministros
gerais da Família Franciscana por ocasião dos
800 anos de nascimento de São Francisco (1981).
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