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Por Frei José
Carlos Corrêa Pedroso
Francisco e Clara de Assis, grandes mestres da vida em pobreza, abrem um caminho muito interessante: Eles nunca quiseram, exatamente, ter pobreza, como quem possui uma virtude. Também não se arvoraram em reformadores sociais, apesar da revolução que acabaram provocando por sua atitude pessoal.
O grande impacto que sofreram foi descobrir no rosto de Jesus Crucificado a maior cruz que se poderia imaginar; Deus, Altíssimo, se faz pequeno e pobre.
Eles nem duvidaram de que teriam que seguir Jesus e sua Mãe, que foram pobres, entrando na linha dos "anawin", ou pobres de Javé, do Antigo Testamento.
Assumir o pecado e suas consequências
Este aspecto é fundamental. Se Jesus só tivesse mostrado que queria ser pobre sem casa e sem riquezas, podia estar levando a outra ilusão: a de uma pobreza só "espiritual" desencarnada.
Mas ele assumiu o pecado, a condição, as consequências do pecado do homem. Ele está mostrando que não quer aceitar a situação de pobreza e miséria em que o homem se encontra, porque isso não é ter vida plena.
Está aqui a base de toda a revolução evangélica e franciscana, pacífica, não armada, mas tremendamente violenta porque não aceita a injustiça dos que cederam às tentações de possuir para não mais depender.
Quando assumiu a nossa cruz, Jesus ficou pobre porque assumiu os espíritos em choque: é bom que o homem deseje toda plenitude mas, se ele arrebata também a plenitude dos outros, cria a pobreza, desumana e altamente ofensiva ao Pai de todos.
O espírito do mal cria a pobreza desumanizadora quando cede à tentação de ser poderoso e não precisar mais de ninguém e, possivelmente, de nada.
Levado pelo espírito do bem, Cristo assume a pobreza para vencê-la, para transformá-la em oportunidade de salvação. Ou para mostrar o aspecto bom que ela pode ter.
Levado aos leprosos, Francisco muda de vida porque aprende a olhar e a agir com misericórdia, o amor infinito de Deus.
O amor se cruza com a dor, e tira daí a vida sem limites, plena. Só dor não dá, só amor não dá. Podemos encontrar isso em quem se deixou mover pelo amor na direção da dor: dos leprosos, aidéticos, doentes, pobres - dos que se aproximam deles, deles mesmos quando acolhem com amor.
Temos que descobrir a oração de quem vive essa cruz. Ninguém tem que pensar em acolher a pobreza que, em si, é um mal. A questão é acolher Jesus Cristo, que é o libertador dos pobres para que tenham vida em plenitude.
O desejo enfrenta a força negativa do anti-desejo. O desejo desenfreado de alguns criou e cria os pobres, os doentes, os sofredores, a própria dor.
Cristo vem mostrar que não basta não criar mais dores, ou mais pobres. É preciso ir ao encontro para remir. Não importa se não temos culpa. Importa que nossos irmãos estão em necessidade e nós somos cristãos, outros cristos.
Textos extraídos do livro "Olhos do Espírito",
de Frei José Carlos Pedroso, do Centro Franciscano
de Espiritualidade de Piracicaba.
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