O primeiro retrato que temos do Santo é com o livro. Trata-se do quadro de Berlinghieri, pintado em torno de 1270. Também o quadro que se guarda na Pinacoteca Vannucci, de Perusa, o pinta com o livro aberto sobre o peito.

O famoso quadro de Lazzaro Sebastiani, de 1484, conservado na Academia de Veneza, que traz o Santo sobre a nogueira, com livro e aos pés da árvore São Boaventura e o beato Luca Belludi, ambos com livros.

O livro, símbolo da sabedoria e do teólogo, acompanha todos os quadros de Santo Antônio nos séculos XIII e XIV. Nalguns, se lê no livro aberto frases como estas (em latim): "Pedi e me foi dado o espírito da sabedoria e do entendimento"; ou "O astro de Sabedoria!"

Até hoje o livro acompanha o retrato de Santo Antônio, ou nas mãos ou sobre o peito, ou sobre a mesa, ou o próprio santo em atitude de escrever em suas páginas. É o símbolo de quem ensina. Mas é também a lembrança da Sagrada Escritura, onde o Santo foi buscar seu ensinamento. É o símbolo da sabedoria, isto é, do gosto pelas coisas de Deus, buscado nos Livros Sagrados e transmitido ao povo.

Li numa revista que "Santo Antônio, homem do livro, lembra a todos nós, a todos os países, inclusive àqueles países que produziram uma quantidade de teólogos e milhares de livros de alta especialização bíblica mas deixaram a terra necessitada de uma nova evangelização, que o livro é incompreensível se não houver pão no estômago e um lírio no coração".

Antônio soube unir estas três realidades: o coração bom, o pão na mesa de todos e a Palavra de Deus. No quadro de Vieira Lusitano não há o símbolo do pão, seja porque a cena acontece na cela, seja porque o símbolo do pão se acrescenta à figura de Santo Antônio apenas no final do século passado.

Texto de Frei Clarêncio Neotti, ofm, no "Vida Franciscana", de dezembro de 1995