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29/07/2002
Ser franciscano
sem ser religioso
Ao
ouvir o chamado de Cristo na pequenina igreja de São Damião
- "vai e reconstrói a minha Igreja" -, Francisco
de Assis iniciou um processo de conversão que mudou a humanidade.
Seu exemplo, ao seguir o Cristo pobre e humilde do Evangelho, continua
cativando jovens e idosos, solteiros e casados no mundo todo. A Ordem
Franciscana Secular, presidida no Brasil pela ministra nacional Maria
Aparecida Crepaldi (foto), faz parte do terceiro ramo da Família
Franciscana, que junto à Ordem dos Frades Menores e à
Ordem das Clarissas procuram tornar presente o carisma do Poverello
de Assis na vida e na missão da Igreja.
"Ela é uma das formas de viver o Evangelho ao modo secular.
A família franciscana, toda ela, oferece uma grande contribuição
à Igreja e, nós como seculares, temos uma atuação
no mundo como fermento na massa. Nós estamos inseridos em todas
as atividades e vamos até onde os religiosos não chegam.
Ela é um dos ramos da família franciscana, inspirada
pelo Espírito Santo para servir à Igreja", explica
Crepaldi.
Segundo a Regra, aprovada por Paulo VI, a Ordem Franciscana Secular
é constituída por Fraternidades abertas a todos os grupos
de fiéis. "Há espaço para todos os cristãos,
pois para os religiosos existem a Ordem Primeira e a Ordem Segunda.
Mas o interessado em fazer parte desta fraternidade secular precisa
viver um período de iniciação de dois anos e,
depois um período de formação, que não
pode ultrapassar três anos", explica Crepaldi. Completado
este período, o candidato estará pronto para fazer a
Profissão definitiva de fé. "É bom frisar
que não se trata de uma ordem religiosa e, portanto, não
se faz a profissão dos votos".
Uma característica dos franciscanos seculares é que
eles se propõem a viver o Evangelho em fraternidade, como irmãos
e irmãs. Crepaldi lembra que esse encontro geralmente é
possível nos finais de semanas. "Esses encontros dependem
das circunstâncias de cada fraternidade", observa.
A OFS, que no Brasil teve início em 1585 (data que registra
o surgimento da Fraternidade de Olinda, em PE), sofreu uma renovação
com o Concílio Vaticano II e teve a Regra aprovada em 1978.
"Havia no passado aquela vivência devocionista que não
tem mais lugar no mundo de hoje. O conceito de vida e fé foi
ampliado nesta renovação da Igreja. O franciscano secular
tem um comprometimento de postura, de pensamento e de atitude com
o mundo, onde está inserido. Não dá para cumprir
suas devoções e achar que está tudo perfeito.
Você tem um compromisso com a sociedade, com a vida política
e social do país", completa a ministra nacional, lembrando
que ainda hoje muitos não aceitaram essa reformulação
da Ordem. Um exemplo disso é o uso do hábito franciscano
da Ordem Terceira. "No Capítulo Nacional foi reafirmado
que não é cabível a um leigo usar vestes de religiosos.
Até pelo aspecto da pobreza, da inserção. Como
é que você vai ser um com os outros se você está
diferente?", questiona.
A OFS tem no Brasil 20.420 professos, que estão distribuídos
em 15 Regiões no país.
Os trê ramos da família franciscana
Ao seguir os passos de Jesus Cristo, Francisco de Assis conquistou
uma legião de discípulos. Surgiu, então, a Ordem
dos Frades Menores ou a Ordem Primeira. Em seguida, a jovem Clara
pediu para viver também o Evangelho no estilo do Poverello.
Outras jovens e senhoras viúvas também a seguiram e
nasceu um grupo organizado e batizado de Ordem das Damas Pobres de
São Damião (Clarissas) ou a Ordem II. São Francisco
continuou encantando e conquistando o mundo e os casados também
quiseram um lugar próximo dos seus ensinamentos. Foi quando
nasceu a Ordem dos Irmãos e Irmãs da Penitência
ou Ordem III. Em tempo: o casal italiano Luquézio e Dona Buona
foi o primeiro a procurar o Santo de Assis.
Tanto na Ordem I como na Ordem III, com o tempo, houve rupturas e
desdobramentos. Assim, a Primeira Ordem se dividiu em três ramos:
a Ordem dos Frades Menores (OFM), popularmente chamados de Franciscanos;
a Ordem dos Frades Menores Conventuais, chamados apenas de Conventuais;
e a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, chamados simplesmente de
Capuchinhos.
Já a Ordem III tem dois ramos: a Ordem Franciscana Secular
(OFS) e a Terceira Ordem Regular (TOR). A primeira, como o próprio
nome diz é secular, e a segunda reúne centenas de Congregações
franciscanas masculinas e femininas de religiosos, com regra própria
aprovada pela Santa Sé em 1982.
Na Ordem II, hoje chamada de Ordem de Santa Clara (OSC), também
houve alguns desdobramentos. Um exemplo são as Clarissas e
as Concepcionistas.
Na OFS, há ainda a ala jovem formada pela Juventude Franciscana
(Jufra), que vem garantindo sempre a sua renovação.
Mais informações podem ser obtidas no Secretariado
Nacional da OFS
Av. 13 de Maio, 23 - SL 2233 - Edifício Darke
CEP 20004-900 - Rio de Janeiro (RJ)
Tel.: (21) 2240-4565
Por Moacir Beggo - "Do Boletim do PVF"
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