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29/10/2002
Frei
Mário participa da Assembléia Nacional da Pastoral
DST/Aids
O Centro Franciscano de Luta contra a Aids - o Cefran - também
esteve presente no último final de semana, em Goiânia,
durante a Assembléia Nacional da Pastoral DST/Aids, da Conferência
Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB). A Província Franciscana
da Imaculada foi representada por Frei Mário Luiz Tagliari,
responsável pela obra social com sede no bairro do Belém,
em São Paulo. José Roberto Pereira, o Betinho, que
até há pouco tempo estava à frente do Cefran
e agora faz parte da equipe do Sefras, também esteve presente
na Assembléia como o representante da Região Sul da
Pastoral. Ele apresentou o tema "Políticas Públicas
e Controle Social".
Segundo Frei Mário Tagliari, o encontro foi um passo muito
importante para a implantação da Pastoral em todas
as dioceses do Brasil. "O ponto alto da Assembléia foi
o lançamento do Livro 'Viu e teve compaixão.... Igreja
e Aids', primeiro documento oficial da Pastoral DST/Aids da CNBB
para o Brasil". O livro aborda várias questões
ou reflexões, como Aids e seu histórico; os desafios
pastorais da doença; Religião e Prevenção
à Aids, artigo de D. Eugène Rixen, presidente da Pastoral
DST/Aids da CNBB, entre outros.
Segundo Frei Mário, a Pastoral é um serviço
de base, de orientação, de acolhimento e prevenção.
"Neste serviço fazemos uma opção pelo
real, não tanto pelo ideal. O grande desafio da pastoral
é chegar nas comunidades antes do vírus com este serviço",
explica o frade.
"A Aids não é uma doença em que você
receita um remédio e a pessoa vai embora e fica boa. A Aids
envolve a pessoa como um todo", lembra Frei Mário, que
atende através do Cefran cerca de 450 soropositivos em situação
de risco na Grande São Paulo.
A uso da camisinha mereceu debate durante o encontro. "A imprensa
tenta sempre polemizar a proibição oficial por parte
da Igreja. Por outro lado, na orientação se ignora
a prevenção. O ideal seria a fidelidade e o amor responsável,
mas a realidade não é assim para todos. Então,
o importante é buscar o bem maior, que é a defesa
da vida", explica o diretor do Cefran.
Reduzir a questão das DST/Aids ao uso da camisinha é
"uma hipocrisia", uma vez que no mundo, e de modo especial
no Brasil, DST/Aids é uma questão de educação,
de saúde pública e cidadania. "Cerca de 20% dos
assistidos no Cefran são analfabetos", acrescenta o
frade. "Não se pode resumir a questão do uso
da camisinha quando se está diante de uma situação
em que foram negados à pessoa os direitos mais essenciais
ao ser humano", frisa Frei Mário.
Para a Pastoral, não se deve dar normas às pessoas.
O seu papel é o de educar, iluminar e ajudar a pessoa a descobrir
os valores da vida. "A consciência é o sacrário
do Espírito Santo. Por isso, quem decide em última
instância sobre a sua vida é a própria pessoa",
lembrou D. Eugène Rixen. "Devemos orientar a pessoa
para viver o amor na sua plenitude e ela decide sobre o melhor para
ela".
UMA LUTA POR AMOR - O Centro Franciscano de Luta Contra
a Aids apresentou na Assembléia o primeiro vídeo da
entidade sobre o seu trabalho com os soropositivos e foi muito aplaudido.
Do encontro foram tiradas as seguintes linhas de ação:
1. Elaborar Carta de Princípios para a ação
da Pastoral.
2. Capacitação de Agentes de Pastoral: formação
e informação (de acordo com a realidade e níveis;
guia do agente de Pastoral)
3. Visibilidade de ação da Pastoral: Vigília
Pelos Mortos no 3º domingo de maio; Dia Mundial de Luta Contra
a Aids - 1º de dezembro; Aprofundamento/reflexão científico-teológica
(livros e artigos); boletim da Pastoral; e produção
de material informativo.
4. Controle Social - Participar dos espaços de controle
social
5. Prevenção - Reflexão temática,
participação das Romarias; sensibilização
dos cristãos quanto à sua vulnerabilidade; entre os
usuários de drogas.
6. Articulação - com as instâncias da
Igreja, com bispos, párocos e outros pastorais; com as entidades
eclesiais e/ou ligadas à Igreja (catalogar); mapeamento das
diversas experiências eclesiais de trabalho com Aids; com
as Ongs-Aids e Fórum de Ongs-Aids.
7. Promoção humana: assistência e solidariedade:
direitos humanos, cidadania, reinserção social, geração
de renda e formação sócio-política.
8. Combate do Preconceito e da Discriminação.
9. Aprofundamento da mística e espiritualidade da
Pastoral.
10. Feminilização da Aids e questões
de gênero.
Por Moacir Beggo
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