03/12/2003
Cefranzinho, um sonho realizado

São Paulo (SP) - A nova unidade de atendimento Infantil do Cefran (Centro Franciscano de Luta Contra a AIDS), "Cefranzinho", foi inaugurado dia 2 de dezembro, em uma solenidade presidida por Frei Mário L. Tagliari no salão Frei Fabretti na sede do Cefran, no bairro do Belém.

O Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que era esperado, não pode comparecer à cerimônia, ficando Frei Johannes B. Bahlmann (Guardião do Convento São Francisco de Assis) responsável pela bênção nas dependências da nova unidade. Toda a cerimônia foi acompanhada pelo coral do Cefran, formado integralmente por assistidos, que cantaram a música Nossa Senhora, de Roberto Carlos, durante a procissão das crianças no início da benção.

No discurso introdutório ao rito da bênção, alguns colaboradores falaram a respeito desta nova conquista do Centro. Estavam presentes muitos assistidos e seus filhos, frades e representantes legais da entidade. Adonel Ferreira (coordenador do Cefran) iniciou a cerimônia enfatizando os anos de luta para à conquista no novo espaço, agradecendo especialmente a ajuda de tantos voluntários e estagiários que por ali passaram durante este tempo.

Frei André Gurzinski (diretor do Sefras) também reafirmou as palavras de Adonel. José Roberto Pereira, o Betinho, funcionário mais antigo do Cefran, e Josiane Pádua (coordenadora do Cefranzinho) falaram sobre os primeiros anos de luta, desde a época de Frei Reynaldo (fundador do Cefran), até os dias de hoje, com as conquistas e derrotas aprendidas no decorrer do caminho.

Frei Mário disse que esta nova unidade de atendimento às crianças, portadoras ou não do vírus HIV/AIDS, significa muito para os frades, voluntários e assistidos. Há muitos anos o Cefran vinha atendendo de forma improvisada os filhos dos assistidos. As salas não eram próprias, e os recursos eram debilitados.

Para Tagliari, as crianças terão uma melhor assistência, pois com os novos espaços especialmente adaptados e equipados, todos poderão trabalhar com mais organização e disciplina. O frade completou "...muitas crianças vêm sem nenhum tipo de formação ou educação, pois muitas vezes nem seus pais têm. Aqui elas passam por um processo de reeducação".

Josiane Pádua, cortou a faixa inaugural ao lado de Frei Johannes, Adonel, cercados por várias crianças e convidados. A coordenadora espera muito sucesso nesta nova etapa do Cefran. "Aguardamos muitos anos por este centro de atendimento infantil", completou.

Letícia Lara Castanhera, 27 anos, soropositivo, faz acompanhamento do Cefran há mais de 4 anos. Ela começou a freqüentar o centro quando ainda estava grávida de sua filha Jasmim, que hoje está com quatro anos, e que sempre foi assistida pela instituição junto com a mãe. A menina não é portadora do vírus HIV. Lara conta que quando recebeu a notícia que estava com o vírus, ainda num exame de rotina no pré-natal, ficou desesperada só de pensar em ter uma filha doente. Ela afirma que sua maior vitória é o fato de que hoje sua filha está bem e não tem a doença.

Por que é importante para você este tipo de iniciativa e de ajuda?
Letícia disse que o que mais aprendeu no Cefran, foi "o respeito pelas pessoas", pois em outras instituições que teve contato, sempre presenciou condutas e comportamentos suspeitos, chegando a desacreditar em tais organizações.

Por Rogério Soares, especial para o site Franciscanos

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