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Ordem
e o diálogo ecumênico e inter-religioso
O
empenho da Ordem dos Frades Menores pelo diálogo ecumênico
e inter-religioso vem de longa tradição e está
codificado na Regra escrita por Francisco e também
nas nossas Constituições. Nos últimos
decênios, seguindo o espírito do Concílio
Vaticano II, intensificaram-se os esforços com formas
muito concretas. Nos países de maioria muçulmana
existem presenças franciscanas "históricas",
que vêm dos tempos do próprio São Francisco,
como no Marrocos e na Terra Santa; relações
de amizade foram depois criadas e consolidadas também
em outros países da África e da Ásia.
Depois de 27 de outubro de 1986, data do grande encontro inter-religioso,
convocado para a Assis pelo Papa João Paulo II, muitos
Frades, em diversos países do mundo, seguiram o exemplo
do Papa, organizando encontros anuais com representantes das
diversas confissões cristãs e de várias
religiões.
Penso concretamente no Egito, na Indonésia, na Síria,
no Canadá, na França e na Suécia. Outras
iniciativas de diálogo aconteceram na Europa; entre
as mais significativas, menciono as da Província de
Colônia, na Alemanha, que criou uma Fraternidade com
o objetivo explícito de acolher e dialogar com os numerosos
imigrantes turcos e de promover o diálogo com os turcos
muçulmanos e de facilitar a reconciliação
entre turcos e curdos.
Penso também nos Frades de Paris que, todos os anos,
como fizeram ainda no último dia 27 de outubro, organizam
uma grande "celebração" inter-religiosa,
com a participação dos responsáveis das
comunidades hebraicas e muçulmanas da França.
Muitas outras iniciativas de diálogo inter-religioso
surgiram e se consolidaram. Cito, por exemplo, a Índia,
onde se fizeram trocas de experiências espirituais com
monges induístas, ou a Coréia, onde alguns Frades
têm contacto regular com monges budistas.
No que se refere ao diálogo ecumênico, queria
lembrar os encontros e as visitas, muitas vezes informais,
mas sempre significativas e cheias de amizade, aos Patriarcas
ortodoxos de Moscou, Istambul, Belgrado e Bucarest. Quanto
aos nossos irmãos protestantes, a última iniciativa
aconteceu recentemente: o primeiro encontro da Família
franciscana católica com a não-católica
(institutos de vida consagrada estável, com votos,
reconhecidos por suas Igrejas), acontecido no início
de dezembro de 2002, em Roma, com alguns dias em Assis e noutros
lugares franciscanos.
A qualidade do diálogo não depende da quantidade
ou grandeza das iniciativas. Nossa principal preocupação
é a de formar os Frades para o diálogo e para
uma convivência com todos. Atualmente estamos procurando
oferecer aos Frades alguns subsídios de formação.
O primeiro livreto, intitulado "A vocação
ecumênica do Franciscano", saiu em 2001; o segundo
está sendo impresso e trata do diálogo em si
mesmo; o terceiro deverá aparecer até a Páscoa
de 2003 e tratará do diálogo inter-religioso.
Para terminar, creio que posso dizer que, re-descobrindo o
diálogo, a Ordem, de certa maneira, re-descobriu uma
de suas características mais presentes em sua história
Fr. Giacomo Bini, ministro geral da Ordem dos Frades
Menores (mensagem extraída do Boletim Fraternitas)
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