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14-02-2003
Mensagem do ministro geral

Ordem e o diálogo ecumênico e inter-religioso

O empenho da Ordem dos Frades Menores pelo diálogo ecumênico e inter-religioso vem de longa tradição e está codificado na Regra escrita por Francisco e também nas nossas Constituições. Nos últimos decênios, seguindo o espírito do Concílio Vaticano II, intensificaram-se os esforços com formas muito concretas. Nos países de maioria muçulmana existem presenças franciscanas "históricas", que vêm dos tempos do próprio São Francisco, como no Marrocos e na Terra Santa; relações de amizade foram depois criadas e consolidadas também em outros países da África e da Ásia.

Depois de 27 de outubro de 1986, data do grande encontro inter-religioso, convocado para a Assis pelo Papa João Paulo II, muitos Frades, em diversos países do mundo, seguiram o exemplo do Papa, organizando encontros anuais com representantes das diversas confissões cristãs e de várias religiões.

Penso concretamente no Egito, na Indonésia, na Síria, no Canadá, na França e na Suécia. Outras iniciativas de diálogo aconteceram na Europa; entre as mais significativas, menciono as da Província de Colônia, na Alemanha, que criou uma Fraternidade com o objetivo explícito de acolher e dialogar com os numerosos imigrantes turcos e de promover o diálogo com os turcos muçulmanos e de facilitar a reconciliação entre turcos e curdos.

Penso também nos Frades de Paris que, todos os anos, como fizeram ainda no último dia 27 de outubro, organizam uma grande "celebração" inter-religiosa, com a participação dos responsáveis das comunidades hebraicas e muçulmanas da França.
Muitas outras iniciativas de diálogo inter-religioso surgiram e se consolidaram. Cito, por exemplo, a Índia, onde se fizeram trocas de experiências espirituais com monges induístas, ou a Coréia, onde alguns Frades têm contacto regular com monges budistas.

No que se refere ao diálogo ecumênico, queria lembrar os encontros e as visitas, muitas vezes informais, mas sempre significativas e cheias de amizade, aos Patriarcas ortodoxos de Moscou, Istambul, Belgrado e Bucarest. Quanto aos nossos irmãos protestantes, a última iniciativa aconteceu recentemente: o primeiro encontro da Família franciscana católica com a não-católica (institutos de vida consagrada estável, com votos, reconhecidos por suas Igrejas), acontecido no início de dezembro de 2002, em Roma, com alguns dias em Assis e noutros lugares franciscanos.

A qualidade do diálogo não depende da quantidade ou grandeza das iniciativas. Nossa principal preocupação é a de formar os Frades para o diálogo e para uma convivência com todos. Atualmente estamos procurando oferecer aos Frades alguns subsídios de formação.

O primeiro livreto, intitulado "A vocação ecumênica do Franciscano", saiu em 2001; o segundo está sendo impresso e trata do diálogo em si mesmo; o terceiro deverá aparecer até a Páscoa de 2003 e tratará do diálogo inter-religioso. Para terminar, creio que posso dizer que, re-descobrindo o diálogo, a Ordem, de certa maneira, re-descobriu uma de suas características mais presentes em sua história

Fr. Giacomo Bini, ministro geral da Ordem dos Frades Menores (mensagem extraída do Boletim Fraternitas)