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Queridos
irmãos e irmãs, 
Vivemos
trágicos tempos de violência e destruição.
Às 24 guerras já em curso se está unindo
outra todavia mais perturbadora para a humanidade inteira.
Tantas pessoas de boa vontade de todas as religiões
e de condições sociais querem dissociar-se dos
propósitos de morte, que ofendem a Deus e ao homem.
Dizem: "Basta a guerra! Basta a violência! Basta
os atropelos e toda forma de terrorismo! Basta o desejo desenfreado
de poder! Basta as injustiças e os desequilíbrios
sociais que são a causa de toda discórdia e
divisão!"
Nós
franciscanos não podemos permanecer em silêncio,
à margem deste movimento pela vida. São Francisco
nos pede que sejamos artífices de paz onde quer que
vivamos.
·
Com a oração constante e intensificada neste
tempo privilegiado de Quaresma: uma oração pessoal
e prolongada, uma oração mais constante em fraternidade,
junto às pessoas que freqüentam as nossas igrejas
para pedir a Deus o perdão e a paz. A esperança
da paz renasce e se fortalece neste próprio diálogo
com Deus e nos ajuda a re-situar a nossa existência
na harmonia das relações; a oração
é sempre abertura e encontro, é sempre etapa
de reconciliação conosco mesmos, com os outros
e com Deus.
·
Com nossa vida pacificada, harmoniosa e re-centrada em Deus.
Seremos portadores de paz quando estivermos pacificados dentro
de nós mesmos.
·
Com nossa presença dialogante em meio aos homens e
mulheres de boa vontade, indo ao encontro de todos, amigos
e inimigos, acolhendo e valorizando todos os desejos de comunhão.
Cada irmão e cada fraternidade devem encontrar os meios
e os instrumentos para expressar este tipo de presença
no ambiente onde vivem.
·
Com jejum e penitência. A fome mata como a guerra e
mais que a guerra: devemos empenhar-nos numa co-participação
fraterna. São Francisco nos recorda que tudo vem do
único Deus, Pai de todos, e que se deve compartilhar
tudo com os outros, como simples dever de restituição.
O jejum orientado a Deus e à partilha é um instrumento
de paz muito importante, pois nos ajuda a purificar-nos da
avidez de possuir e do supérfluo, que é sempre
uma forma de violência em confronto com pobre. O jejum
e a penitência apóiam a nossa oração
e dão credibilidade à nossa palavra.
·
Com o anúncio explícito de paz feito em fraternidade
com valentia e criatividade. Cada um é responsável
em seu próprio âmbito e atividade, por este empenho
e tem o dever de anunciar a paz com a vida e a palavra. São
Francisco recorda que o silêncio pode ser culposo e
que a inação pode ser uma "vergonha"
(cf. LP 84b). Não podemos abandonar-nos a uma resignação
estéril: o admirável exemplo de sua Santidade
João Paulo II deve incitar-nos a usar todos os meios
possíveis para construir a paz e reconciliação.
Irmãos
e irmãs: como franciscanos, somos chamados a ser profetas
de paz, homens e mulheres que sabem entrever e recorrer com
outras pessoas sentimentos de paz; que sabem apresentar gestos
fraternos de reconciliação e comunhão;
testemunhas valorosas do amor, pois o Deus da paz não
nos abandona e toda a semente de fraternidade lançada
no campo do mundo produzirá sem dúvida seus
frutos.
Profetas
de paz que, com sabedoria evangélica, sabem viver e
anunciar a esperança cristã, embasada na fidelidade
de Deus ao homem, não obstante os tempos críticos
e difíceis que estamos vivendo. Devemos ter os olhos
fixos na misericórdia do Pai, da que somos todos devedores.
Como profetas,
e como franciscanos somos chamados a viver e a proclamar com
sensibilidade evangélica esta misericórdia do
Pai a todos os homens, "maus e bons, justos e injustos"
(Cf. Mt. 5, 45). Somente assim poderemos evitar toda forma
de fundamentalismo, de terrorismo, de ameaça ou de
vingança que se alimentam sempre de uma visão
parcial e redutora da vida, com o risco de difundir terror,
guerra e morte em torno a nós.
A Virgem
da paz interceda por nós.
Deus,
Pai-nosso: Tu vês nossa terra ensangüentada por
tantas guerras e abatida por tantos sofrimentos; uma vez mais
- e mais que no passado - as vítimas do ódio
são civis inocentes, mulheres e crianças. Apresentamos-te
esta dor como sacrifício que unimos ao de teu Filho
na Cruz para redenção do mundo!
Senhor,
pedimos-Te o dom da paz: Faze de todos nós instrumentos
de tua paz!
Roma,
16/03/2003.
Frei Giacomo Bini, OFM
Ministro Geral
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