|
Pela
primeira vez em nossa Província um Confrade celebrou
75 anos de vida religiosa. E celebrou-os com merecida solenidade.
Para a festa de Frei Aloísio Scharf todos os Frades
da Província, a serviço ou ocasionalmente na
Europa, reunimo-nos em Xanten, na companhia do Ministro provincial
Fr. Augusto König.
O guardião Frei Marcos Hollmann e toda a Fraternidade
de Mörmter receberam-nos com manifesta alegria e cordialidade.
Há meses falava-se da festa e do encontro. Frei Aloísio,
lúcido, discreto, sorridente e feliz recebeu todas
as homenagens prestadas e os presentes oferecidos. A começar
pela Missa, no domingo, dia 29 de junho, festa de São
Pedro e São Paulo, às 10 da manhã, na
Capela do Convento da Sagrada Família de Mörmter.
Presidiu Fr. Estevão Ottenbreit, ladeado por Fr. Augusto
König e Fr. Marcos Hollmann. Concelebraram: Mons. Alfred
Manthey (Domprost de Xanten), Fr. Modesto Terlau, Fr. Walter
Warnke, Fr. Adalberto Kornfeld, Fr. Carlos Körber, Fr.
Paulo Limper, Fr. Clarêncio Neotti, Fr. Antônio
Lopes Rodrigues, Fr. Nelson Rabello, Fr. Agostinho Piccolo,
Fr. Eckart Höfling, Fr.Ulrich Steiner, Fr. Johannes Bahlmann.
Fr. Plínio Gande da Silva e Fr. Elias Dalla Rosa estiveram
ao lado de Frei Aloísio todo o tempo da Missa e da
renovação dos Votos.
Frei Aloísio ocupou lugar especial, entre o povo e
os celebrantes. Se o presbitério esteve tomado pelas
cadeiras dos Concelebrantes, a igreja e o coro do órgão
estavam lotados, com muitas cadeiras extras pelos corredores.
Frei Aloísio é queridíssimo em toda a
região. Duas dúzias de rosas amarelas enfeitavam
o altar.
Frei Aloísio nasceu no dia 24 de novembro de 1905,
em Bremen. Trabalhou desde os 14 anos, enquanto estudava.
No dia 15 de junho de 1928, vestiu o hábito franciscano,
em Garnstock, com intenção declarada de ser
missionário no Brasil. E já em fevereiro de
1930, chegava ao porto de São Francisco do Sul. Trabalhou
como sacristão, porteiro, chefe dos escritórios
da Vozes, caixa da Editora, assistente do ecônomo provincial
e, por fim, factótum em Mörmter.
No sermão, Fr. Estevão partiu do Testamento
de São Francisco e desenvolveu quatro pontos, aplicando-os
concretamente à vida de Frei Aloísio: tudo o
que tínhamos entregamos aos pobres; gostávamos
de ficar em igrejas; quero trabalhar com minhas mãos;
como saudação, dizíamos: o Senhor te
dê sua paz. Não foram apenas palavras de saudação
ou de exaltação ou de memória. Foram
verdadeira catequese sobre as bases do carisma franciscano
e a razão de ser de uma caminhada especial de vida
inteira.
Do altar-mor as estátuas de São Francisco e
de São Pascoal sorriam confiantes, porque a Fraternidade
confirmava que tanto a cruz quanto o ostensório haviam
encontrado nas mãos e na vida de Frei Aloísio
o carinho dos apaixonados.
Logo que Frei Aloísio fez o pedido, diante do Ministro
provincial, de renovar seus votos, o órgão irrompeu
com o "Ó Francisco, esposo da pobreza", cantado
por toda a comunidade. "Roga, grande Pai, por nós!
/ Oh! dá-nos da virtude a riqueza, / Seja guia a tua
voz! Volve a nós, pobres, teus olhos benignos, / Faz-nos
de Cristo discípulos dignos!" Na verdade, foi
a única vez que a comunidade cantou e cantou com gosto,
piedade e vibração. Nos outros momentos da Missa,
cantou o Coral de Lüttingen, outra paróquia da
diocese de Münster, já pastoreada, anos faz, por
Fr. Juvenal Sansão.
A comovente cerimônia da renovação dos
votos, em português, a voz fraquinha, mas decidida,
de Fr. Aloísio, a tradução simultânea
feita por Fr. Marcos ao microfone, o silêncio atento
e atencioso da comunidade criaram um ambiente altamente piedoso,
misto de alegria, agradecimento, entrega, pertença
e adoração.
Uma salva de palmas foi a forma escolhida pelo povo para agradecer,
no final de sua leitura, a bênção especial
enviada em alemão pelo Santo Padre, nestes termos:
"O Santo Padre João Paulo II concede de coração
a Bênção apostólica a Frei Aloísio
Scharf, OFM, por ocasião dos 75 anos de vida franciscana
e de vida missionária no Brasil, celebrados na Igreja
da Sagrada Família de Xanten, Alemanha, extensiva a
seus Familiares, Amigos e Confrades da Província da
Imaculada Conceição do Brasil".
Depois da ação de graças, falaram o casal
Jürgen Rosen, da Igreja evangélica, o Bürgermeister
Christian Strunk, Fr. Augusto König (que agradeceu com
muito jeito ao povo pelos missionários enviados ao
Brasil e a Fr. Aloísio pelo que foi e é para
a Província: "Não precisamos escutar sua
palavra, basta olharmos para sua pessoa. Basta olhá-lo
e nos sentimos reforçados!"). A sobrinha Anna
Maria falou pela Família: elogiou o equilíbrio,
a cordialidade e os ouvidos sempre prontos para escutar de
Frei Aloísio. Falou da sorte que tem, contando com
duas famílias, a franciscana, que o adotou e sempre
o apoiou e enriqueceu, dando-lhe a inabalável certeza
de uma meta, e a dos pais, que ao longo de todos esses anos
encontrou nele um conselheiro e intercessor.
Muito felizes e simbólicas foram as palavras do Probst
Manthey. Partindo do salmo 1, que declara feliz o homem que
encontra na meditação da Lei do Senhor a sua
felicidade e por isso é semelhante a uma árvore
à beira-rio plantada, cujas folhagem não murcha,
o pároco ofereceu a Frei Aloísio uma muda de
Ginkyo, árvore de origem chinesa, que pode chegar a
40m de altura e viver dois mil anos e tem dúzia de
serventias medicinais. "Quando a catedral de Xanten não
mais existir, quando esse convento for ruínas, esta
Ginkyo biloba estará ainda testemunhando que aqui viveu
uma pessoa de bem, amada por Deus e querida por todos!"
Ao voltarmos à sacristia, às 12h, esperava-nos
Dom Heinrich Janssen, Bispo regional de Xanten. Não
chegara antes, porque tinha Confirmações a fazer.
Permaneceu conosco na festa que a comunidade ofereceu a Frei
Aloísio no pátio entre a casa, o paiol e o pomar.
Uma imensa tenda, armada para a ocasião, protegia-nos
do sol. Banda de música, coral, fila de cumprimentos,
fotografias, muita cerveja e sanduíches. Um grupo de
brasileiros, moradores de Xanten e assistidos por Frei Marcos
e Frei Carlos, arriscaram cantar em português. Impressionante:
passava de três da tarde e Frei Aloísio ainda
estava ali, firme, sorridente, não fugindo de nenhum
abraço, e cada família que voltava para casa
o re-abraçava e prometia não faltar à
festa dos cem anos, daqui a dois.
Por Frei Clarêncio Neotti.
|