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04-07-2003
Frei Aloísio Scharf: 75 anos de vida franciscana

Pela primeira vez em nossa Província um Confrade celebrou 75 anos de vida religiosa. E celebrou-os com merecida solenidade. Para a festa de Frei Aloísio Scharf todos os Frades da Província, a serviço ou ocasionalmente na Europa, reunimo-nos em Xanten, na companhia do Ministro provincial Fr. Augusto König.

O guardião Frei Marcos Hollmann e toda a Fraternidade de Mörmter receberam-nos com manifesta alegria e cordialidade. Há meses falava-se da festa e do encontro. Frei Aloísio, lúcido, discreto, sorridente e feliz recebeu todas as homenagens prestadas e os presentes oferecidos. A começar pela Missa, no domingo, dia 29 de junho, festa de São Pedro e São Paulo, às 10 da manhã, na Capela do Convento da Sagrada Família de Mörmter. Presidiu Fr. Estevão Ottenbreit, ladeado por Fr. Augusto König e Fr. Marcos Hollmann. Concelebraram: Mons. Alfred Manthey (Domprost de Xanten), Fr. Modesto Terlau, Fr. Walter Warnke, Fr. Adalberto Kornfeld, Fr. Carlos Körber, Fr. Paulo Limper, Fr. Clarêncio Neotti, Fr. Antônio Lopes Rodrigues, Fr. Nelson Rabello, Fr. Agostinho Piccolo, Fr. Eckart Höfling, Fr.Ulrich Steiner, Fr. Johannes Bahlmann.
Fr. Plínio Gande da Silva e Fr. Elias Dalla Rosa estiveram ao lado de Frei Aloísio todo o tempo da Missa e da renovação dos Votos.

Frei Aloísio ocupou lugar especial, entre o povo e os celebrantes. Se o presbitério esteve tomado pelas cadeiras dos Concelebrantes, a igreja e o coro do órgão estavam lotados, com muitas cadeiras extras pelos corredores. Frei Aloísio é queridíssimo em toda a região. Duas dúzias de rosas amarelas enfeitavam o altar.

Frei Aloísio nasceu no dia 24 de novembro de 1905, em Bremen. Trabalhou desde os 14 anos, enquanto estudava. No dia 15 de junho de 1928, vestiu o hábito franciscano, em Garnstock, com intenção declarada de ser missionário no Brasil. E já em fevereiro de 1930, chegava ao porto de São Francisco do Sul. Trabalhou como sacristão, porteiro, chefe dos escritórios da Vozes, caixa da Editora, assistente do ecônomo provincial e, por fim, factótum em Mörmter.

No sermão, Fr. Estevão partiu do Testamento de São Francisco e desenvolveu quatro pontos, aplicando-os concretamente à vida de Frei Aloísio: tudo o que tínhamos entregamos aos pobres; gostávamos de ficar em igrejas; quero trabalhar com minhas mãos; como saudação, dizíamos: o Senhor te dê sua paz. Não foram apenas palavras de saudação ou de exaltação ou de memória. Foram verdadeira catequese sobre as bases do carisma franciscano e a razão de ser de uma caminhada especial de vida inteira.
Do altar-mor as estátuas de São Francisco e de São Pascoal sorriam confiantes, porque a Fraternidade confirmava que tanto a cruz quanto o ostensório haviam encontrado nas mãos e na vida de Frei Aloísio o carinho dos apaixonados.

Logo que Frei Aloísio fez o pedido, diante do Ministro provincial, de renovar seus votos, o órgão irrompeu com o "Ó Francisco, esposo da pobreza", cantado por toda a comunidade. "Roga, grande Pai, por nós! / Oh! dá-nos da virtude a riqueza, / Seja guia a tua voz! Volve a nós, pobres, teus olhos benignos, / Faz-nos de Cristo discípulos dignos!" Na verdade, foi a única vez que a comunidade cantou e cantou com gosto, piedade e vibração. Nos outros momentos da Missa, cantou o Coral de Lüttingen, outra paróquia da diocese de Münster, já pastoreada, anos faz, por Fr. Juvenal Sansão.

A comovente cerimônia da renovação dos votos, em português, a voz fraquinha, mas decidida, de Fr. Aloísio, a tradução simultânea feita por Fr. Marcos ao microfone, o silêncio atento e atencioso da comunidade criaram um ambiente altamente piedoso, misto de alegria, agradecimento, entrega, pertença e adoração.

Uma salva de palmas foi a forma escolhida pelo povo para agradecer, no final de sua leitura, a bênção especial enviada em alemão pelo Santo Padre, nestes termos: "O Santo Padre João Paulo II concede de coração a Bênção apostólica a Frei Aloísio Scharf, OFM, por ocasião dos 75 anos de vida franciscana e de vida missionária no Brasil, celebrados na Igreja da Sagrada Família de Xanten, Alemanha, extensiva a seus Familiares, Amigos e Confrades da Província da Imaculada Conceição do Brasil".

Depois da ação de graças, falaram o casal Jürgen Rosen, da Igreja evangélica, o Bürgermeister Christian Strunk, Fr. Augusto König (que agradeceu com muito jeito ao povo pelos missionários enviados ao Brasil e a Fr. Aloísio pelo que foi e é para a Província: "Não precisamos escutar sua palavra, basta olharmos para sua pessoa. Basta olhá-lo e nos sentimos reforçados!"). A sobrinha Anna Maria falou pela Família: elogiou o equilíbrio, a cordialidade e os ouvidos sempre prontos para escutar de Frei Aloísio. Falou da sorte que tem, contando com duas famílias, a franciscana, que o adotou e sempre o apoiou e enriqueceu, dando-lhe a inabalável certeza de uma meta, e a dos pais, que ao longo de todos esses anos encontrou nele um conselheiro e intercessor.

Muito felizes e simbólicas foram as palavras do Probst Manthey. Partindo do salmo 1, que declara feliz o homem que encontra na meditação da Lei do Senhor a sua felicidade e por isso é semelhante a uma árvore à beira-rio plantada, cujas folhagem não murcha, o pároco ofereceu a Frei Aloísio uma muda de Ginkyo, árvore de origem chinesa, que pode chegar a 40m de altura e viver dois mil anos e tem dúzia de serventias medicinais. "Quando a catedral de Xanten não mais existir, quando esse convento for ruínas, esta Ginkyo biloba estará ainda testemunhando que aqui viveu uma pessoa de bem, amada por Deus e querida por todos!"

Ao voltarmos à sacristia, às 12h, esperava-nos Dom Heinrich Janssen, Bispo regional de Xanten. Não chegara antes, porque tinha Confirmações a fazer. Permaneceu conosco na festa que a comunidade ofereceu a Frei Aloísio no pátio entre a casa, o paiol e o pomar. Uma imensa tenda, armada para a ocasião, protegia-nos do sol. Banda de música, coral, fila de cumprimentos, fotografias, muita cerveja e sanduíches. Um grupo de brasileiros, moradores de Xanten e assistidos por Frei Marcos e Frei Carlos, arriscaram cantar em português. Impressionante: passava de três da tarde e Frei Aloísio ainda estava ali, firme, sorridente, não fugindo de nenhum abraço, e cada família que voltava para casa o re-abraçava e prometia não faltar à festa dos cem anos, daqui a dois.

Por Frei Clarêncio Neotti
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