03-11-2003

Ministro geral visita a Terra Santa

Em uma entrevista concedida ao Jornal de Tarragona, o Ministro Geral da Ordem Franciscana, Frei José Rodriguez Carballo, explicou que "existe perigo real de que a Igreja desapareça da Terra Santa" e que "os franciscanos se transformem em meros custódios de pedras".

Frei José, espanhol de 50 anos, afirmou à jornalista Carmen Postigo que "pedimos às nações que sempre protegeram as minorias que nos protejam, porque nós, cristãos, somos minoria na Terra Santa. Se a Constituição espanhola tem um compromisso de favorecer as minorias, por que não o faz com a minoria cristã da Terra Santa"?.

"A Espanha desempenhou um importante papel em salvar a presença cristã na Terra Santa, e disto nos sentimos orgulhosos. Pedimos ao governo espanhol que continue com esta política porque, favorecendo a minoria cristã, se favorece o diálogo e, por isso, a paz", manifestou o religioso e acrescentou que "se faltarem os cristãos não desaparecerá apenas seus valores, mas duvido até que esta região possa viver em paz".

"Não esqueçamos que o Alcorão defende a guerra santa contra os infiéis, não esqueçamos que no Antigo Testamento está vigente a Lei do Talião, olho por olho e dente por dente, tudo isto foi superado pelo Evangelho e pelo mandamento do amor", explicou Frei José.

A paz, segundo o ministro geral, nasce da justiça e do perdão e, portanto, nasce do amor. "Nunca do ódio, nunca da vingança, nem o olho por olho, dente por dente. Nesta região onde o elemento religioso possui um papel fundamental na política, não nos damos conta de que a paz não é apenas uma questão de acordos bilaterais".

O religioso ressaltou que "a paz tem que nascer, crescer e dar frutos, principalmente no coração, para então se converter em acordos políticos que sejam respeitados. Daí a importância da educação cristã dos franciscanos nas escolas de crianças onde lhe são incutidos esses valores fundamentais. Daí que os freis constituem uma ponte de comunicação entre o Islã e o judaísmo".

O Ministro Geral, que será recebido pelo presidente palestino, Yasser Arafat, e pelo de Israel, Moshé Katsav, fez um chamado aos peregrinos de todo o mundo para que vão à Terra Santa, não apenas para visitar os Santos Lugares, mas em solidariedade aos cristãos de Jerusalém e Belém.

Texto extraído de Aciprensa