Cântigo do irmão sol
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
09/06/2004
O milagre dos pães no Convento São Francisco

São Paulo (SP) – O Convento e Santuário São Francisco, no centro de São Paulo, dá espaço neste final de semana para a festa de Santo Antônio, um dos santos mais populares do Brasil e do mundo. No domingo, quando se comemora o dia de Santo Antônio, serão distribuídos mais de 70 mil “pãezinhos de Santo Antônio”, mantendo uma tradição que se repete há oito séculos em todos os conventos franciscanos do mundo.

Segundo o reitor do Santuário, Frei Severino Clasen, uma parte dos pãezinhos serã feita na padaria do próprio convento, mas a grande maioria deles vem de devotos de Santo Antônio, que neste dia põem as padarias de São Paulo em regime de produção máxima. “Para se ter uma idéia, uma pessoa vai doar mais de mil quilos em pãezinhos para o domingo. De todas as regiões da cidade, recebemos doações”, explica o franciscano, lembrando o milagre de Santo Antônio, que foi contemporâneo de São Francisco de Assis. “Antônio comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todo o pão do convento em que vivia. O frade padeiro ficou em apuros, quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham o que comer: os pães tinham sido roubados. Atônito, foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O irmão padeiro voltou estupefato e alegre: os cestos transbordavam de pão”.

Para Frei Severino, mais do que a lenda da origem do pão de Santo Antônio, o que importa é que este simbolismo está vivo há oito séculos. “No Convento São Francisco, o Pão dos pobres é distribuído diariamente duas vezes ao dia, além dos pãezinhos que são distribuídos todas as terças-feiras, dedicadas liturgicamente ao santo”, acrescenta o frade. Até hoje, na devoção popular, o “pãozinho de Santo Antônio” é colocado, pelos fiéis nos sacos de farinha, arroz, com a fé de que, assim, nunca lhes faltará o de que comer. “Mais do que casamenteiro, Santo Antônio é o santo da solidariedade, pois ninguém que vem ao convento fica sem um pãozinho”, completa.

Desde o dia 1º de junho, está em andamento a Trezena de Santo Antônio, no Largo São Francisco, 133. Mais informações, pelo telefone 3291-2400.

voltar