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02/09/2004
Igreja do Sagrado de Petrópolis completa 130 anos

Por Frei Vitalino Piaia, ofm, pároco do Sagrado

O Coral dos Canarinhos e o Coral Canto Livre do Castrioto cantarão na Missa de Ação de Graças pelos 130 anos de fundação da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no dia 8 de setembro, às 18 horas, no centro de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Dom Filippo Santoro, bispo diocesano, será o celebrante.

Após a Missa, haverá bênção da pintura e iluminação da torre, vidros das janelas e pára-raios da igreja do Sagrado. A banda do Colégio São Judas da Mosela animará o momento, seguindo-se uma confraternização.

A igreja do Sagrado é um patrimônio cultural, artístico e religioso da cidade e está em pro-cesso de restauração.

Outros eventos: dias 3 e 4 de setembro, forró no Salão Paroquial, às 19 horas; de 5 a 12, exposição de fotos da igreja; dia 10, jantar dançante, no Salão Paroquial, com música ao vivo.

Histórico
No centenário, em 1974, um livreto comemorativo, escrito por Frei Clarêncio Neotti, ofm, encontramos o seguinte: No dia 8 de setembro de 1974, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus completou cem anos de existência. Citou os Alemães em Petrópolis, a inauguração, o tempo intermediário, os franciscanos, o relógio da torre, as outras reformas da igreja, a Igreja Paroquial e uma conclusão, ao final do trabalho, cuja impressão foi encomendada à Editora Vozes, tradicional empresa petropolitana, ligada à comunidade franciscana.

Segundo Frei Clarêncio Neotti, "a igreja do Sagrado Coração de Jesus, núcleo central do que hoje o povo costuma chamar de "O Sagrado", foi construída em menos de um ano e meio e não teve a solidez das igrejas de pedras que costumam atravessar incólumes e incon-cussas os séculos. As muitas reformas por que passou não significaram caprichos pessoais ou moda, mas necessidade de conservação. Hoje, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em seu interior, é bem diferente de há 50 anos, de há 100 e de a 130 anos. Da igreja original sobram as duas paredes laterais e, ainda assim, com remanejamentos das janelas e dos próprios vãos das janelas. Prestar-lhe uma homenagem pelo centenário é mais recordar, sem saudosismos, a intrepidez dos que fizeram, os altos ideais que sempre guiaram seus vigários e a espetacu-lar, ininterrupta e rara folha de serviços que esta igreja prestou à comunidade alemã, à co-munidade petropolitana e, pelas ligações com o convento franciscano, à comunidade brasi-leira".

Vamos recordar, agora, o que diz Frei Augusto Koenig, ofm, no ano de 1989, por o-casião dos 115 anos da igreja do Sagrado: A igreja do Sagrado Coração de Jesus tem sua origem intimamente ligada à própria história da cidade de Petrópolis, quando em 1837 aqui chegaram os primeiros imigrantes alemães, seguidos depois por outras levas de colonos a partir de 1845. Estavam lançados os fundamentos da nossa cidade e o Major Koeler, oficial alemão a serviço do Governo Imperial desde 1833, nomeado Diretor da nascente colônia, iniciou a construção do Palácio Imperial, em torno do qual se agrupavam as construções co-loniais; Petrópolis era então chamada Fazenda do Córrego Seco, propriedade da família im-perial.

Até 1846, a Colônia era dependente de São José do Rio Preto no atendimento religio-so. Nessa data, a colônia foi elevada a Paróquia, sob a invocação de São Pedro de Alcântara.
Quanto aos colonos evangélicos, que constituíam um terço da Colônia, providenciara o governo que não lhes faltasse pastor de língua alemã; os católicos ficaram sob a jurisdição do Vigário da Paróquia de São Pedro de Alcântara. Embora considerados brasileiros, todos falavam o alemão, de modo que se tornava difícil fazerem-se compreender por um sacerdote que não lhes soubesse falar em sua língua materna. Esta situação perdurou por uns 20 anos, quando, a convite, aqui chegou Pe. Theodoro Esch. Fundou logo uma escola para as crian-ças, filhas dos colonos, e uma sociedade de canto. Surgia cada vez mais forte a idéia da cons-trução de uma igreja própria, para a comunidade alemã.

Depois de muitas negociações e da interferência do Imperador, decidiu-se à munici-palidade a conceder para a edificação da igreja o terreno ocupado pelo cemitério municipal. O projeto foi elaborado pelo Sr. Schimitz e encarregado das obras o construtor Sr. Carlos Kling. A Colônia toda fez donativos para a construção. Em menos de dois anos estava edifi-cada a Capela da Comunidade católica alemã, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.

Quanto ao estilo, aproximava-se em suas linhas gerais do gótico. Foi inaugurada na data de 8 de setembro de 1874. Posteriormente veio a sofrer diversas reformas e ampliações. Em 1888 o Pe. Esch voltava para a Alemanha. Mons. João Batista Guidi dava então assistên-cia à Capela, nos finais de semana. Com a chegada dos religiosos franciscanos ao Brasil, vindos da Alemanha para a "Restauração" das Províncias Frasnciscanos, Mons. Guidi vis-lumbrou a possibilidade de esses religiosos assumirem os cuidados pastorais da Capela do Sagrado Coração de Jesus. Os Franciscanos aceitaram em 1896. A partir desse tempo foi construído o convento, fundada uma escola - hoje Escola gratuita São José - para os meninos pobres e uma tipografia - Editora Vozes. Tornou-se sede paroquial somente em 1946.

Em comemoração aos 115 anos da bênção da primeira Capela, o atual Pároco Frei Augusto Koenig lança uma campanha entre os paroquianos e a população, a fim de angariar fundos para a restauração e pintura do prédio, já em andamento. A igreja do Sagrado tem cumprido ao longo da história a missão de centro evangelizador. Foi à sua sombra que a Edi-tora Vozes cresceu. É no seu recinto que se abriga o coral dos Meninos Cantores de Petrópo-lis, os Canarinhos. É ao seu redor que hoje se reúnem 20 comunidades eclesiais, formando a Igreja viva nos desafios dos tempos modernos.

E agora? Cabe a nós continuarmos a escrever a histórica deste patrimônio religioso construído ao longo desses 130 anos. O conjunto arquitetônico do Sagrado Coração de Jesus é um patrimônio tombado em nível municipal e estadual, sendo assim de grande relevância. Sua conservação e manutenção requerem grande esforço e responsabilidade por parte desta instituição.

Iniciamos há dois anos as obras de restauro/reforma da igreja, que estão trans-formando todo o complexo. Muitas partes já foram concluídas e entregues totalmente restau-radas. Muito temos ainda por fazer. Com a graça de Deus e o apoio dos colaboradores do carnê da reforma, contribuintes anônimos e colaborares do bazar, estamos mantendo os tra-balhos de restauro/reforma da igreja.

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