Nossa Origem A Província Evangelização Sefras Pró-Vocações Espiritualidade Notícias
 
20/02/2004
Mensagem do ministro geral da Ordem dos Frades Menores

A qualidade da vida envolve toda a pessoa em qualquer dimensão: pessoal, fraterna e missionária. Quanto à dimensão pessoal, a qualidade da vida exige que se caminhe com autenticidade, na transparência e na verdade consigo mesmo.

A qualidade da vida é incompatível com a "duplicidade de vida" ou com as conseqüências que se tem na "cultura do celofane" e da superficialidade. Ela exige um trabalho em profundidade, em nível dos sentimentos e das atitudes que, depois, traduzem-se em comportamentos. [...] Quanto à dimensão fraterna, para nós, Frades menores, a qualidade da vida supõe um relacionamento interpessoal baseado na familiaridade (cf. RB 6,7), na igualdade (cf. CCGG 41), no perdão mútuo (cf. VFC 26), no respeito e na aceitação das diferenças (cf. CCGG 40), na comunicação profunda (cf. VFC 29-34) e no desenvolvimento das virtudes humanas que caracterizam um relacionamento "sadio" com os outros (cf. CCGG 39, VFC 27).

Quanto à dimensão evangelizadora ou missionária, a qualidade da vida fraterna exige testemunho e coerência (cf. CCGG 103); busca constante de novas formas de evangelização e de novas presenças (cf. VC 12); uma formação permanente e inicial adequada às situações históricas que estamos vivendo (cf. FP e RFF); uma sólida preparação intelectual e pastoral (cf. Ratio Studiorum 28-30) e uma opção de vida e de missão em consonância com nosso ser menores. Pressupõe "sair do século", ou melhor, sair da mentalidade do mundo para comprometer-se como seguimento de Cristo, para enraizar-se em Cristo, vivendo as Prioridades da Ordem, que nada mais são senão as prioridades contidas na Regra e nas Constituições gerais.

Dito de outra forma: pressupõe necessariamente a fidelidade ao que prometemos na Profissão: "Observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade" (RB 1,1), para "seguir mais de perto as pegadas de Jesus Cristo" (CCGG 5,2). Julgo necessário insistir nesta fidelidade. [...]

Devemos recordar-nos daquilo que diz o Documento final do Capítulo de Pentecostes de 2003: "Vemos a necessidade de não domesticar [...] as palavras proféticas do Evangelho, para adaptá-las a um cômodo estilo de vida" (Sdp 2), a uma vida medíocre.

Devemos antes recordar constantemente a conversão e despertar nos frades a urgência evangélica de converter-se e crer no Evangelho (cf. Mc 1,15) que professamos, de seguir a Cristo, coisa que, entre as outras exigências, inclui "reencontrar o primeiro amor, a fagulha inspiradora da qual iniciou o seguimento" (Repartir de Cristo, 22c).

Fr. José Rodríguez Carbal, ministro geral da OFM

Extraído do Boletim "Fraternitas" (Mês de fevereiro)

voltar