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08/04/2005
Conclave
que vai eleger novo Papa começa no dia 18
O colégio de cardeais da Igreja Católica definiu
que o conclave para a escolha do sucessor de João Paulo 2º
vai começar no dia 18 de abril. Os cardeais decidiram que
o início do conclave deveria respeitar um prazo de nove dias
após o enterro de João Paulo 2º, que foi feito
nesta sexta-feira, dia 8 de abril.
Um vídeo com duração de 28 a 30 minutos será
exibido, mostrando os locais por onde circularão os cardeais
e explicando como ocorre o conclave. O acesso à Casa de Santa
Marta, onde ficarão alojados os cardeais eleitores, está
fechado ao público.
A expectativa é de que o novo papa seja escolhido poucos
dias depois. Teólogos afirmam, no entanto, que o conclave
pode durar anos. É que as regras da igreja determinam que
será escolhido como papa o nome que obtiver dois terços
e mais um dos votos dos cardeais presentes na reunião.
Se após 30 votações não se chegar a
essa maioria, o camerlengo [líder interino do Vaticano] poderá
mudar o sistema de escolha do futuro papa: poderá optar-se
pela escolha por maioria simples ou a escolha entre os dois mais
votados no escrutínio anterior. "Ninguém sabe
ao certo quanto tempo pode durar um conclave. Porque mesmo que se
altere o sistema para a escolha por maioria simples, pode acontecer
de não haver maioria simples", disse o professor de
teologia da PUC-SP, Fernando Altemeyer.
O conclave mais longo da história ocorreu em 1268, logo
após a morte do papa Clemente 4º. Esse conclave durou
dois anos e nove meses e terminou com a escolha de Gregório
10º. Por outro lado, há conclaves mais curtos. O mais
curto de todos foi o do papa Paulo 6º, que durou menos de 48
horas.
No conclave que escolheu Gregório 10º, os cardeais
não chegavam a um acordo sobre o nome do futuro papa. Segundo
os historiadores, o povo destelhou o palácio em que ocorria
o conclave para pressionar os cardeais a escolherem o futuro papa.
Era inverno e os cardeais estavam trancafiados e só recebiam
pão e água como alimento. Para evitar a repetição
desse episódio, Gregório 10º editou a constituição
Ubi periculum (1274) com normas rígidas para a realização
do conclave dos futuros papas. (Consulta Folha On Line).
O ritual da eleição do papa
Teoricamente, qualquer adulto do sexo masculino é papábile,
ou seja, pode ser eleito papa. Na prática, no entanto, já
há muitos séculos que só cardeais têm
sido escolhidos. Assim que um papa morre, a primeira providência
é chamar o Camerlengo, que é o chefe do Sacro Colégio
de Cardeais. De pé, ao lado do corpo, ele toca 3 vezes na
testa do papa com um martelinho de prata e o chama 3 vezes pelo
nome de batismo (e não pelo nome que adotou ao ser eleito).
Se não há resposta, ele anuncia o falecimento e quebra
o anel do Pescador (que o papa usa para lembrar o momento em que
Jesus diz a Pedro que ele seria um pescador de almas e no qual está
gravado o nome do papa). O Camerlengo também inutiliza o
timbre papal (que é a marca da autenticidade dos documentos
assinados pelo Sumo Pontífice). E dá início
aos preparativos para o enterro e para os nove dias de luto. Ele
também vai organizar a eleição do próximo
papa.
Depois de 15 ou 20 dias, o Sacro Colégio de Cardeais se reúne
para a eleição. Essa reunião é chamada
conclave. Literalmente, conclave quer dizer "local que pode
ser trancado de forma segura". Hoje, além de designar
a grande sala reservada para a reunião dos cardeais encarregados
da escolha de um novo papa, também significa o próprio
encontro. Todos os cardeais devem participar do conclave, mesmo
que estejam sob censura, ou mesmo que tenham sido excomungados.
Eles chegam dos quatro cantos do planeta. Durante o tempo que durar
a reunião (nove dias ou até que a escolha seja feita)
ficarão absolutamente isolados do mundo, recolhidos em aposentos
especiais, anexos à famosa Capela Sistina, onde o conclave
propriamente dito acontece.
Para abrir o conclave, uma missa é celebrada na Catedral
de São Pedro. Cada cardeal faz o voto de manter a eleição
em segredo e todos rezam para que o Espírito Santo inspire
suas escolhas, estando presente nas deliberações.
Depois, se recolhem. As salas são examinadas para detectar
possíveis microfones, as entradas são seladas, as
cortinas, fechadas.
Na Capela Sistina, transformada em sala do conclave, as cadeiras
altas têm um baldaquim de cor púrpura, uma espécie
de cobertura. A escolha da cor não é um acaso: púrpura
é, tradicionalmente, a cor do luto e também da realeza.
O trono do papa é removido. Seis velas são acesas
no altar, onde está o cálice sagrado. É nele
que serão colocados os votos. Os cardeais adentram a Capela
Sistina sem chapéu. As cabeças descobertas e os baldaquinos
simbolizam que a autoridade suprema nasce apenas dessa reunião
e que não pertence a nenhum deles, individualmente.
Quando não se reúnem na Capela Sistina, os cardeais
ficam em suas celas. Cada um toma as refeições reservadamente
e cada cela é fechada por um tecido, na cor que simboliza
a ligação do respectivo cardeal com o papa morto:
púrpura (se o cardeal foi escolhido por aquele papa) ou verde
(caso não tenha sido escolhido por aquele papa). Quando não
desejam ser perturbados, eles podem fechar a porta, cuja moldura
tem o formato de uma cruz em diagonal, conhecida como a Cruz de
São André. Os cardeais devem ficar sempre juntos e
todos os aposentos são próximos o bastante para que
eles sejam permanentemente vistos uns pelos outros.
A votação
O voto é secreto (escrutínio). No passado, um papa
era eleito com dois terços dos votos mais um. O Papa João
Paulo II mudou essa regra. Hoje a escolha é feita por maioria
absoluta, quer dizer: metade dos votos mais um. Duas sessões
de votação são feitas a cada dia, uma pela
manhã e outra à tarde, por nove dias, ou pelo tempo
que for necessário.
Cada cardeal deposita seu voto no cálice, sobre o altar.
Depois de cada sessão, os papéis da votação
são queimados. Se a votação não foi
conclusiva, uma substância química é adicionada
aos papéis para que eles produzam uma fumaça negra
ao queimar. A fumaça que sai pela chaminé, no telhado
do Palácio do Vaticano, é um sinal para a multidão
que espera na Praça de São Marcos. Enquanto for negra,
significa que a Igreja está sem sua principal figura.
Mas, afinal, os cardeais chegam a uma conclusão. O deão,
ou o mais velho dos cardeais, pergunta ao novo papa se ele aceita
a eleição e por qual nome quer se tornar conhecido.
Esse costume vem desde o século 10 e é uma lembrança
de que Jesus mudou o nome de São Pedro ao escolhê-lo
para chefe de sua igreja. Nesse momento, todos os baldaquinos cor
de púrpura dos tronos são levantados, menos o do escolhido.Os
papéis da votação são queimados e a
fumaça branca avisa ao povo na praça que um novo papa
foi eleito.
O escolhido é, então, levado para um quarto ao lado
e veste as roupas de papa. Os cardeais prestam a ele sua primeira
homenagem. O deão vai até o balcão e proclama:
"Temos um papa". E o novo pontífice aparece no
balcão para abençoar a multidão.
Texto site do Vaticano
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