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Cântigo do irmão sol
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
 

08/04/2005
Conclave que vai eleger novo Papa começa no dia 18

O colégio de cardeais da Igreja Católica definiu que o conclave para a escolha do sucessor de João Paulo 2º vai começar no dia 18 de abril. Os cardeais decidiram que o início do conclave deveria respeitar um prazo de nove dias após o enterro de João Paulo 2º, que foi feito nesta sexta-feira, dia 8 de abril.

Um vídeo com duração de 28 a 30 minutos será exibido, mostrando os locais por onde circularão os cardeais e explicando como ocorre o conclave. O acesso à Casa de Santa Marta, onde ficarão alojados os cardeais eleitores, está fechado ao público.

A expectativa é de que o novo papa seja escolhido poucos dias depois. Teólogos afirmam, no entanto, que o conclave pode durar anos. É que as regras da igreja determinam que será escolhido como papa o nome que obtiver dois terços e mais um dos votos dos cardeais presentes na reunião.

Se após 30 votações não se chegar a essa maioria, o camerlengo [líder interino do Vaticano] poderá mudar o sistema de escolha do futuro papa: poderá optar-se pela escolha por maioria simples ou a escolha entre os dois mais votados no escrutínio anterior. "Ninguém sabe ao certo quanto tempo pode durar um conclave. Porque mesmo que se altere o sistema para a escolha por maioria simples, pode acontecer de não haver maioria simples", disse o professor de teologia da PUC-SP, Fernando Altemeyer.

O conclave mais longo da história ocorreu em 1268, logo após a morte do papa Clemente 4º. Esse conclave durou dois anos e nove meses e terminou com a escolha de Gregório 10º. Por outro lado, há conclaves mais curtos. O mais curto de todos foi o do papa Paulo 6º, que durou menos de 48 horas.

No conclave que escolheu Gregório 10º, os cardeais não chegavam a um acordo sobre o nome do futuro papa. Segundo os historiadores, o povo destelhou o palácio em que ocorria o conclave para pressionar os cardeais a escolherem o futuro papa. Era inverno e os cardeais estavam trancafiados e só recebiam pão e água como alimento. Para evitar a repetição desse episódio, Gregório 10º editou a constituição Ubi periculum (1274) com normas rígidas para a realização do conclave dos futuros papas. (Consulta Folha On Line).

O ritual da eleição do papa

Teoricamente, qualquer adulto do sexo masculino é papábile, ou seja, pode ser eleito papa. Na prática, no entanto, já há muitos séculos que só cardeais têm sido escolhidos. Assim que um papa morre, a primeira providência é chamar o Camerlengo, que é o chefe do Sacro Colégio de Cardeais. De pé, ao lado do corpo, ele toca 3 vezes na testa do papa com um martelinho de prata e o chama 3 vezes pelo nome de batismo (e não pelo nome que adotou ao ser eleito). Se não há resposta, ele anuncia o falecimento e quebra o anel do Pescador (que o papa usa para lembrar o momento em que Jesus diz a Pedro que ele seria um pescador de almas e no qual está gravado o nome do papa). O Camerlengo também inutiliza o timbre papal (que é a marca da autenticidade dos documentos assinados pelo Sumo Pontífice). E dá início aos preparativos para o enterro e para os nove dias de luto. Ele também vai organizar a eleição do próximo papa.

Depois de 15 ou 20 dias, o Sacro Colégio de Cardeais se reúne para a eleição. Essa reunião é chamada conclave. Literalmente, conclave quer dizer "local que pode ser trancado de forma segura". Hoje, além de designar a grande sala reservada para a reunião dos cardeais encarregados da escolha de um novo papa, também significa o próprio encontro. Todos os cardeais devem participar do conclave, mesmo que estejam sob censura, ou mesmo que tenham sido excomungados. Eles chegam dos quatro cantos do planeta. Durante o tempo que durar a reunião (nove dias ou até que a escolha seja feita) ficarão absolutamente isolados do mundo, recolhidos em aposentos especiais, anexos à famosa Capela Sistina, onde o conclave propriamente dito acontece.

Para abrir o conclave, uma missa é celebrada na Catedral de São Pedro. Cada cardeal faz o voto de manter a eleição em segredo e todos rezam para que o Espírito Santo inspire suas escolhas, estando presente nas deliberações. Depois, se recolhem. As salas são examinadas para detectar possíveis microfones, as entradas são seladas, as cortinas, fechadas.

Na Capela Sistina, transformada em sala do conclave, as cadeiras altas têm um baldaquim de cor púrpura, uma espécie de cobertura. A escolha da cor não é um acaso: púrpura é, tradicionalmente, a cor do luto e também da realeza. O trono do papa é removido. Seis velas são acesas no altar, onde está o cálice sagrado. É nele que serão colocados os votos. Os cardeais adentram a Capela Sistina sem chapéu. As cabeças descobertas e os baldaquinos simbolizam que a autoridade suprema nasce apenas dessa reunião e que não pertence a nenhum deles, individualmente.

Quando não se reúnem na Capela Sistina, os cardeais ficam em suas celas. Cada um toma as refeições reservadamente e cada cela é fechada por um tecido, na cor que simboliza a ligação do respectivo cardeal com o papa morto: púrpura (se o cardeal foi escolhido por aquele papa) ou verde (caso não tenha sido escolhido por aquele papa). Quando não desejam ser perturbados, eles podem fechar a porta, cuja moldura tem o formato de uma cruz em diagonal, conhecida como a Cruz de São André. Os cardeais devem ficar sempre juntos e todos os aposentos são próximos o bastante para que eles sejam permanentemente vistos uns pelos outros.

A votação
O voto é secreto (escrutínio). No passado, um papa era eleito com dois terços dos votos mais um. O Papa João Paulo II mudou essa regra. Hoje a escolha é feita por maioria absoluta, quer dizer: metade dos votos mais um. Duas sessões de votação são feitas a cada dia, uma pela manhã e outra à tarde, por nove dias, ou pelo tempo que for necessário.

Cada cardeal deposita seu voto no cálice, sobre o altar. Depois de cada sessão, os papéis da votação são queimados. Se a votação não foi conclusiva, uma substância química é adicionada aos papéis para que eles produzam uma fumaça negra ao queimar. A fumaça que sai pela chaminé, no telhado do Palácio do Vaticano, é um sinal para a multidão que espera na Praça de São Marcos. Enquanto for negra, significa que a Igreja está sem sua principal figura.

Mas, afinal, os cardeais chegam a uma conclusão. O deão, ou o mais velho dos cardeais, pergunta ao novo papa se ele aceita a eleição e por qual nome quer se tornar conhecido. Esse costume vem desde o século 10 e é uma lembrança de que Jesus mudou o nome de São Pedro ao escolhê-lo para chefe de sua igreja. Nesse momento, todos os baldaquinos cor de púrpura dos tronos são levantados, menos o do escolhido.Os papéis da votação são queimados e a fumaça branca avisa ao povo na praça que um novo papa foi eleito.

O escolhido é, então, levado para um quarto ao lado e veste as roupas de papa. Os cardeais prestam a ele sua primeira homenagem. O deão vai até o balcão e proclama: "Temos um papa". E o novo pontífice aparece no balcão para abençoar a multidão.

Texto site do Vaticano

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