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08/04/2005
Franciscanos
torcem por vitória de D. Cláudio em conclave
Cerca de 37 mil franciscanos brasileiros, entre religiosos e leigos,
torcem para a vitória de dom Cláudio Hummes, 70, no
conclave (reunião dos cardeais para eleger o novo papa).
Apontado pela imprensa internacional como um dos favoritos, o arcebispo
metropolitano de São Paulo integra a ordem fundada por são
Francisco de Assis (1182-1226), que exige votos de pobreza, castidade
e obediência.
Líderes dessa ordem religiosa no Brasil, ouvidos pela Folha
Online, consideram que um papa franciscano daria à Igreja
Católica um "rosto" mais simples, leve e despojado,
envolvido em questões sociais como o combate à pobreza,
a defesa dos excluídos e a promoção da ecologia,
lançando uma imagem pública capaz de atrair novos
fiéis, entre os jovens especialmente, e recuperar o rebanho
de "ovelhas desgarradas".
"Sonhamos com uma Igreja mais fraterna, mais próxima
das pessoas, livre das amarras e etiquetas. Seria um orgulho e uma
grande honra ter um papa franciscano, como dom Cláudio Hummes,
na grande engrenagem, na máquina da Igreja Católica",
diz irmã Maria Vilani Rocha de Oliveira, 63, segunda mulher
a presidir a FFB (Família Franciscana do Brasil).
A entidade foi criada em 1994 em Petrópolis (região
serrana do Rio), com objetivo de "animar" a vida franciscana
no país, nas palavras de irmã Vilani, isto é,
promover seminários, retiros, projetos e publicações,
entre outras ações. "Somos o coração
institucional da ordem no país." A FFB substituiu o
Cefepal (Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América
Latina), que atuava no país desde 1966.
"Temos a maior fraternidade franciscana do mundo. Em 2º
lugar, aparece Veneza [Itália]. Acho que dom Cláudio
tem bastante chance no conclave e está apto a conduzir os
destinos da Igreja no mundo. Ele é seguro, centrado, equilibrado,
e tem uma liderança à frente da arquidiocese de São
Paulo", afirma o frei Vitório Mazzuco Filho, vigário
da província da Imaculada Conceição, que abrange
cinco Estados (SP, RJ, ES, SC e PR).
Os franciscanos defendem uma participação concreta
da Igreja Católica em projetos sociais, principalmente nas
periferias das grandes cidades. A ordem trabalha, por exemplo, com
moradores de rua, catadores de papel, sem-teto e portadores do vírus
do HIV (Aids).
"Um papa franciscano buscaria um diálogo interreligioso
para construir a paz. Foi são Francisco quem foi ao Egito
falar com o sultão [que comandava forças muçulmanas
nas cruzadas contra os cristãos] e cuidar dos feridos",
diz irmã Vilani.
Quem são os franciscanos
O último levantamento realizado pela FFB aponta a existência
de aproximadamente 36,8 mil franciscanos e 1.800 unidades (como
mosteiros) no país. Desse total, 1.500 são frades
ordenados.
A maioria dos franciscanos (20 mil) é formada por leigos
(homens e mulheres, solteiros ou casados). Também são
considerados franciscanos cerca de 4.000 jovens da Jufra (abreviatura
de Juventude Franciscana).
Os franciscanos são organizados em três ordens. A
primeira, exclusiva dos homens, reúne frades menores (sigla
OFM), capuchinhos (OFM CAP) e conventuais (OFM CONV). A segunda
ordem só engloba religiosas (clarissas, concepcionistas e
capuchinhas).
Já a terceira ordem franciscana é composta por leigos,
sacerdotes diocesanos e religiosos de ambos os sexos, dividindo-se
em secular (leigos e sacerdotes) e regular (religiosos, sacerdotes,
irmãos e irmãs).
Texto: Folha On Line
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