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Cântigo do irmão sol
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
 

16/04/2005
Frei Ulrich é ordenado bispo e assume o nome de Dom Leonardo

Aos 54 anos, Frei Ulrich Steiner é o mais novo bispo franciscano. Natural de Forquilhinha (SC), ele foi ordenado bispo no último dia 16, em Blumenau (SC) e assumiu o nome de Dom Leonardo. Ele se torna o 11° bispo da Província Franciscana da Imaculada Conceição, com sede em São Paulo.

Frei Ulrich recebeu das mãos do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns a bênção para seguir sua missão como Bispo no noroeste do Mato Grosso, na Prelazia de São Félix do Araguaia.

Dom Leonardo foi nomeado ao cargo pelo Papa João Paulo II, em fevereiro, quando o pontífice acatou a renúncia do antecessor, Dom Pedro Casaldáliga, de 77 anos. A data de 16 de abril é muito significativa para os franciscanos, pois foi nesse dia, em 1209, que o Papa Inocênio 3° acedeu aos desejos de São Francisco de Assis e seus companheiros, e, oralmente, aprovou-lhes a norma de vida que haviam escolhido.

Confira a entrevista de Frei Ulrich à repórter Sicilia Vechi, do Jornal de Santa Catarina.

Jornal de Santa Catarina: O senhor passa por uma mudança significativa em sua trajetória. De Roma para uma região marcada por conflitos agrários, reivindicações indígenas, poucos sacerdotes e uma área do tamanho de Santa Catarina. O que espera desta experiência?
Dom Leonardo Ulrich Steiner: Para mim será uma riqueza lidar com uma comunidade em que metade da população vive em assentamentos. Apesar das dificuldades, é um povo muito acolhedor. Outro ponto que me motiva é a convivência com os índios. São três povos, metade da reserva indígena do Xingu dentro da Prelazia de São Félix do Araguaia. Eu me sinto encorajado, pois é a chance que eu tenho de sair de uma realidade de sala de aula e de uma vivência de Sul do Brasil para um contato direto, um compromisso com a cultura e os anseios daquelas pessoas.

JSC: Em suas primeiras visitas a São Félix do Araguaia, quais suas primeiras impressões sobre a estrutura da Prelazia?
Dom Leonardo: O trabalho que já existe é muito bonito e mostra um amparo à população. Aquela é uma das regiões do mundo com maior índice de hanseníase e um trabalho exemplar é realizado lá com o apoio da Prelazia. Também há o crédito a pessoas que pretendem montar seu pequeno negócio. Uma iniciativa de uma empresa estimulada pela Igreja, que cobra juros reduzidos, vem gerando oportunidade para que as pessoas tenham emprego e transformem sua realidade. O trabalho ligado aos assentamentos de terra também é muito bonito. Os agricultores são apoiados por profissionais e religiosos que dão suporte nas pequenas plantações.

JCS: Seu antecessor, Dom Pedro Casaldáliga, trabalhou fundamentado em idéias que o Vaticano repreendeu, como a ampla pregação da corrente da Teologia da Libertação. Em sua opinião, o modo como ele viveu a religião precisa ser revisto ou deve ser seguido?
Dom Leonardo: O trabalho dele foi desenvolvido quase independentemente destas questões. Não seriam questões teológicas que impediriam o que ele conseguiu realizar na região. As discussões aconteceram sim, mas para se compreender o seu modo de viver, de ser Igreja. O trabalho social que Dom Pedro desenvolveu sempre foi apoiado pelos superiores. Inclusive, devido ao apoio de Paulo VI ele não foi expulso do Brasil na ditadura. O bispo viveu um tempo em que a Igreja ainda não estava acostumada a se engajar tão profundamente em questões políticas e sociais, mas sem sua presença profética, a região da Prelazia não seria o que é hoje.

JCS: Um irmão padre, uma irmã religiosa e um primo cardeal, Dom Paulo Evaristo Arns. A decisão de seguir a vocação do sacerdócio aconteceu por incentivo da família?
Dom Leonardo: Na verdade, apesar dos bons exemplos, o que fez despertar em mim a vontade de ser frei missionário foi um frade alemão, que trabalhava no Oeste do Paraná. Ele contava muitas histórias de encontros com as pequenas comunidades. Dizia que se sabia até o nome dos cavalos nestes lugares e eu me entusiasmava com a proximidade com as pessoas que a vocação poderia me proporcionar. Assim escolhi o meu caminho.

JCS: O que o senhor pensa sobre ser bispo, uma autoridade da Igreja, em meio a pequenos povoados, capelas e do dia-a-dia simples que, a partir de agora, vão fazer parte de sua missão?
Dom Leonardo: O homem do Evangelho que aquele povo quer ver não depende dos trajes episcopais. As pessoas olham e querem enxergar um bispo próximo, que assume o compromisso com a vida da comunidade. Levo comigo muita esperança e um desejo de viver o Evangelho. Meu único temor aconteceu na hora de ser nomeado. Foi por causa da extensão geográfica e da distância cultural que existe entre a região e o lugar de onde eu venho. Mas hoje, conhecendo os sacerdotes, os leigos e a comunidade engajada que vive lá, fiquei tranqüilo.

JCS: Depois de trabalhar durante quase uma década em Roma, o que o senhor destaca dentro do legado do Papa João Paulo II?
Dom Leonardo: Lendo os discursos do Papa, as homilias (sermões) e vendo as celebrações, podemos sentir que houve uma grande mudança na Igreja. Quem poderia imaginar que as danças africanas pudessem acontecer dentro da liturgia em plena Basílica de São Pedro? No sentido social também caminhamos muito e, finalmente, olhar para o Papa era ver o homem da fé. Ele não tinha medo de nada e a empatia que tinha com os jovens era inexplicável.

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