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Cântigo do irmão sol
Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo,
Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra,
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
 

10/06/2005
Evangelizar em Fraternidade

A evangelização é a expressão de um encontro pessoal com o Senhor e, como a Samaritana, como os discípulos de Emaus, como Francisco e muitos outros que se
encontraram com Jesus, não se pode deixar de comunicá-lo e anunciá-lo. Quem fez do Evangelho a própria “forma de vida” não pode deixar de se tornar evangelho; nesse
sentido, Tomás de Celano fala de Francisco como Evangelho vivo; ele, que por trás da letra do Evangelho, por trás das palavras da Escritura havia reconhecido o Verbo do Pai, tornou-se depois Evangelho, tornou-se missionário, tornou-se evangelizador.

Aliás, a presença do reino de Deus em nosso meio leva-nos a tornar-nos, a ser missionários, a ser evangelizadores. E então, ainda hoje o Espírito do Senhor nos envia a proclamar a boa nova aos pobres, a proclamar a libertação dos prisioneiros e anunciar a todos que o reino de Deus está presente e em nosso meio.

A fraternidade em missão é uma re-apropriação do espírito original de São Francisco e uma resposta aos desafios do homem de hoje. Nos últimos anos, a Ordem recuperou uma
das características do espírito e da “forma vitae” de Francisco, a comunhão de vida em fraternidade, a vida em fraternidade. Graças a esta recuperação, hoje o importante
não é dar testemunho isoladamente, trabalhar sozinho, muito menos ser santo individualmente. Importante é evangelizar em fraternidade, testemunhar o Evangelho e os
valores evangélicos em fraternidade, chegar a uma santidade fraterna. Por outro lado, não podemos esquecer que esta era a metodologia missionária que Jesus queria para os seus: “Ide dois a dois e pregai o Evangelho”. Francisco compreendeu muito bem este ensinamento e, por isso, pediu-nos que fôssemos sempre dois a dois, isto é, em fraternidade. Estou convencido de que é exatamente o valor da fraternidade que melhor pode responder aos desafios que hoje nos chegam de um mundo tão individualista, de um mundo onde viver, ou melhor, conviver com o outro nem sempre é fácil. Nós, franciscanos, somos chamados a dar testemunho de Deus como comunhão na diversidade, vivendo, exatamente, em fraternidade.

Frei José Rodrígues Carballo, ministro geral da Ordem dos Frades Menores no último boletim Fraternitas

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