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Notícias
27/07/2005
Educafro comemora a criação de vagas para Mestrado na USP
Por Moacir Beggo

São Paulo (SP) -
Pela primeira vez na história, a Faculdade de Direito da USP criou um curso de mestrado em Direitos Humanos que destina um terço das vagas a negros, indígenas, deficientes físicos ou candidatos com dificuldade socio-econômica.
O curso começa no ano que vem e a Educafro, que vem batalhando por vagas na universidade pública, reuniu nesta terça-feira (26) e nesta quarta-feira (27), todos os seus professores para traçar os planos com vista à prova seletiva. Serão até 30 vagas e as inscrições vão até esta sexta-feira.
Para Frei David Raimundo dos Santos, diretor e fundador da Educafro, trata-se de um coroamento no seu processo de vitória: "A Educafro carrega no coração uma dor em perceber que tem tido poucas chances de atender aos pedidos de seus professores para conseguir um curso de Mestrado em faculdades de alto nível. Esta vitória na USP veio reverter este quadro", explicou.
Segundo Frei David, nesta terça, a sala de reunião da sede da Educafro, na rua Riachuelo, região central de São Paulo, ficou lotada. "Diante deste fato, ficou marcada para esta quarta-feira outra reunião dos professores para traçar os planos de estudo com base na prova seletiva para este curso de Mestrado", acrescentou Frei David.
Deficientes físicos e candidatos com dificuldade socioeconômica deverão apresentar atestado médico ou declaração de renda. Negros e indígenas serão entrevistados por uma comissão de antropólogos. Desses inscritos, 30 serão pré-selecionados para disputar as vagas reservadas. Os preteridos disputarão pela lista sem a cota.
A condição do candidato pesará na escolha desses 30: um concorrente negro, deficiente físico e de baixa renda terá prioridade na pré-seleção. Os critérios específicos ainda não foram definidos.
Segundo Frei David, a Educafro destacou para esses professores que eles estão dentro do prazo para ter sucesso total neste mesmo curso de Mestrado em 2006, pois a USP tem um alto grau de exigência.
"No entanto, todos os presentes irão prestar o Mestrado 2005 como treineiros para acumular experiências e fazer sucesso em 2006", comemorou Frei David, lembrando que a Educafro está dialogando com o Centro Univesitário São Camilo e com o Centro Universitário Nossa Sra. Assunção em vista de bolsas para professores da Educafro no Mestrado destas instituições.
Todos os alunos farão a mesma seleção: língua estrangeira, conhecimento jurídico em direitos humanos e, por último, uma fase definida pelo orientador da área (pode ser entrevista, prova dissertativa e análise de currículo).
Por meio de assessoria, a pró-reitora de Pós-Graduação, Suely Vilela, afirmou que o sistema do mestrado não pode ser classificado como reserva de vagas, já que os candidatos passarão por todas as fases dos processos seletivos.
"Não é cota nem reserva de vaga. É uma ação afirmativa", diz Ignácio Maria Poveda Velasco, presidente da pós-graduação da faculdade.
Coordenador do mestrado, o jurista Fábio Comparato diverge. "É, sim, um sistema de cotas."
Eduardo Cesar Silveira Vita Marchi, diretor da Faculdade de Direito, defende a reserva de vagas. "Mas sou voz minoritária na USP."

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