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Notícias
28/07/2005
Frei César Külkamp fala sobre a formação na Província

Agudos (SP) -
No terceiro dia da Assembléia dos Frades Estudantes, que está sendo realizada no Seminário Santo Antônio, em Agudos, o tema do dia para discussão e aprofundamento foi "Uma leitura de nossa realidade formativa" e teve como assessor o secretário para a formação da Província, Frei César Külkamp.

Os trabalhos do dia tiveram início às 8h45, e foram divididos em três momentos. No início da manhã, Frei César apresentou uma motivação para o debate em grupo fazendo um diagnóstico da realidade formativa na Ordem hoje. Em sua preleção destacou a realidade da vida religiosa, sobretudo a franciscana, com base em estudos de autoria do ex-ministro geral - Frei Giacomo Bini e do atual Frei José Carballo.

Em sua locução teve como testemunho, como preferiu chamar, as seguintes obras: "Fraternidade em Missão num Mundo em mudança", "O Senhor te dê a Paz", "Vita Consecrata", fez também uso do pronunciamento do Ministro Geral por ocasião da reunião do Conselho de animação e dinamização, do serviço de formação e estudos da Conferência dos Frades Menores do Brasil, em Betim-MG, em 2004; e por fim usou do trabalho do Pe. Marcio Fabri dos Anjos, apresentado pela Revista da CRB, sobre a vida religiosa no Brasil.

Com base nesses materiais, ele diagnosticou a nossa realidade, com os seus desafios e perspectivas. Em seguida deu-se apreciação e discussão em grupo do tema apresentado.

Na parte da tarde realizou-se o terceiro momento, onde os dez grupos apresentaram, em plenário, o resultado das discussões da manhã, conforme tópicos abaixo:
" Motivações que contribuem a abraçar a vida religiosa:
- O testemunho de frades de forma individual;
- A mística no trabalho;
- A forma de vida: O Carisma Franciscano;
- A clareza de projetos, por exemplo, o Plano de Evangelização;
- A diversidade das frentes de trabalho oferecida pela Província: SEFRAS, COLÉGIO, FORMAÇÃO, MISSÃO, E ETC...;
- A melhoria da qualidade do ensino: reconhecimento da Filosofia e Teologia pelo MEC;
- Encontros e debates como este realizado;
- O esforço em aprender com os erros;
- A preparação prévia dos jovens que ingressam nos seminários;
- Os trabalhos realizados em equipe;
- Realidade sofrida do povo: pobreza, exclusão, violência, desigualdade social;
- A espiritualidade e o carisma franciscano é o que encanta os jovens a viverem este ideal;
- Seguimento de Jesus Cristo;
- Busca de radicalidade de vida;
- Partilha das experiências e trabalhos nas pequenas fraternidades (teologia);
- Recordação da motivação inicial;
- As dificuldades apontadas são sinais de que queremos mudar;
- A certeza de quem nos chamou foi Jesus Cristo;
- A edificação dada pelas fraternidades que nos acolhem nos estágios;
- Espírito de missionaridade;
- O noviciado ainda é um tempo onde se vive uma etapa sem preocupar com a posterior;
- Os apelos atuais: sociedade, igreja, província, são convocações para ser frade e evangelizar;
- Vivencia comunitária dos valores da vida consagrada.
" Razões pelas quais nos levam ao desânimo:
- Projeto pessoal;
- Frades que deixaram esfriar no ideal professado;
- Falta de cultivo da vida fraterna, solidão, individualismo;
- Perda da mística;
- A relativização dos valores, sobretudo franciscano;
- A exclusão fundada em divergências de ideais;
- Uniformidade da formação;
- Viver "para", sempre se adaptar as realidades e nunca converter de vida;
- Concepção dos frades como estudantes e nunca como o são de fato;
- Fraternidades grandes;
- Expressivo número de solenes em crise e dificuldades no encontrar-se;
- Mágoas com a província;
- A falta de espaço para vivenciar o que foi a motivação inicial;
- Impunidade e falta de parâmetros para com os excessos que maculam a qualidade de vida em seu carisma (tudo se justifica);
- Estruturas pesadas e enrijecidas;
- A não valorização da criatividade dos novos frades;
- O pré-conceito com relação aos mais jovens;
- Falta de Confiança mútua entre os frades em geral;
- Ausência de mecanismos para demonstrar e viver o ideal franciscano;
- Exigência de deveres, obrigações e compromissos..., pouca visibilidade dos direitos;
- Dicotomia entre discurso e vivência;
- Contra-testemunho nas diversas dimensões;
- Conservadorismo em função da estrutura;
- Generalização apressada de problemas e dificuldades da parte de alguns frades;
- Dificuldades de relacionamento: disputa de poder, "puxar o tapete";
- Uso do título "frade menor" para ser "maior";
- Posições negativistas: pessimismo.
- Individualismo: vida particular, contas particulares, dubialidade nas relações;
- Formação centrada no profissional/intelectual em detrimento ao humano;
- Contra valores que vem do século como: individualismo, consumismo, valorização do "ter", cultura do descartável;
- A massificação das relações tornando superficiais.
" Propostas:
- Maior abertura para a valorização das iniciativas;
- Cultivar o espírito de pertença e a co-responsabilidade;
- Trabalhar sempre a partir da motivação inicial;
- O irmão sempre como dom;
- Trabalhar para que possamos superar os defeitos e limites dos irmãos;
- Criar meios de maior engajamento e integração social;
- Criar e valorizar os fóruns, as conferências, os congressos e outros tipos de encontros para o avivamento do ideal franciscano;
- Acolher o diferente como positivo;
- Fazer dos erros e limites situações de crescimento;
- Deixar-se questionar para abrir novos horizontes e acolher novos valores.


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