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03/08/2005
"A
Paz Nasce do Perdão", mensagem do
ministro geral
Assis (Itália) -
Que alegria quando me disseram: Vamos à
casa do Senhor (Sl 122,1). Uma incontida
alegria era o sentimento que animava o peregrino
a caminho de Jerusalém, certo de que na
Cidade Santa encontraria a paz e o bem que
ardentemente desejava de todo o coração.
Também nós experimentamos a mesma
alegria ao chegarmos a este lugar santo, tão
amado pelo Pai São Francisco: aqui ele
fundou sua Ordem e o Senhor multiplicou seus companheiros,
sob o olhar solícito da Rainha dos Anjos;
aqui, neste lugar dedicado à Mãe
de Deus e restaurado pelo jovem Francisco, foi-lhe
revelada e começou a viver a forma de vida
de Cristo, isto é, a forma evangélica;
aqui o Senhor, como em qualquer outro lugar, mostrou
ao Poverello sua bondade e sua misericórdia.
A paz e o perdão que o peregrino implorava
ao chegar a Jerusalém é o que hoje,
na festa do perdão, imploramos para nós,
por intercessão de Santa Maria dos Anjos
e do
Bem-aventurado Pai São Francisco neste
canto do paraíso que é
a Porciúncula. A paz que experimentamos
em nossos corações, renovados pela
paz que nos vem do
Senhor Jesus, é a paz que nos esforçamos
por semear por toda a parte. E o perdão,
que gratuitamente recebemos, é o perdão
que oferecemos aos que nos ofenderam. Não
se pode ter paz sem reconciliação
e sem perdão. Somente um coração
pacificado, um coração que sabe
ter sido perdoado e experimentou o perdão
e a misericórdia, dons do Senhor, pode
oferecer o perdão, pode ser misericordioso.
Uma
sociedade como a nossa, gravemente ferida pela
violência, pelo terrorismo e pela guerra,
que contrapõe irmãos a irmãos
e povos a povos, adquire especial sentido
celebrar a festa do perdão. Numa sociedade
como a nossa, na qual parece que nos esforçamos
por não reconhecer ao outro
e ao diferente o lugar que lhe é
próprio como ser humano e filho do Pai
de todos, tem ainda mais sentido fazer a experiência
da reconciliação com o Senhor e
deixarnos perdoar, de forma a poder viver em paz
e reconciliados com os outros. Ah! Se nos sentíssemos
realmente perdoado
e reconciliados com o Senhor! Simplesmente não
temeríamos renunciar às armas, que
impõem a paz dos cemitérios;
não hesitaríamos em ser os primeiros
a estender a mão ao distante,
ao diferente, ao outro,
para fazê-lo nosso próximo
e tratá-lo como nosso irmão.
Fr. José Rodríguez Carballo ,
Ministro geral OFM.
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