|
05/10/2005
Carta
do Ministro Provincial a Dom Frei Luiz Cappio
Paz e Bem!
Sirvo-me da oportunidade de portador,
para fazer chegar a suas mãos esta minha
carta. Soube diretamente de sua pessoa, por carta,
que teve a gentileza de me mandar, sobre sua decisão
de jejuar até à morte,
como forma de protesto contra os projetos governamentais
de transposição do Rio São
Francisco e em defesa da vida do eco-sistema do
São Francisco.
1 . Em primeiro lugar, quero hipotecar
solidariedade com sua pessoa, pelo nobre gesto,
capaz de sacudir a Nação, sobre
uma grande causa de vida e morte como esta em
epígrafe.
2. Você tem sido uma pessoa
radical em seus procedimentos e agora não
o é diferente. Creio que o faça
de uma forma profética por aquilo que acredita.
Assim como Você o faz pelo amor a um Rio
e o que ele significa de vida para o povo que
dele se beneficia, em nosso País existem
outros temas que mereceriam outros Dom Luiz Flávio
para chamarem a atenção do povo
e de nossos governantes: como a legislação
pró-aborto, a questão ético-política,
a má divisão das riquezas, a destruição
da Mata Amazônica, nosso mundo favelado
e encortiçado, a violência, a prostituição
infantil e muitos outros.
3. Não quero que Você chegue a morrer,
como você também não o quer.
Esperamos que o alerta seja o suficiente para
despertar uma consciência nacional sobre
o assunto.
4. Nesse sentido, sem minimizar
ou diminuir a grandeza de seu ato, apelo para
que Você reconsidere a dimensão de
seu gesto, se encontrar boa vontade da parte do
Governo, em reconsiderar esse projeto unilateral.
5. Prefiro ver um Dom Luiz Flávio
vivo, lutando por nosso povo, sendo voz dos sem
vez, apontando caminhos evangelizadores e sociais,
que ver um Dom Luiz morto.
6. Vejo em sua possível
morte a alegria para muitos, que se verão
livres de uma pessoa que os incomoda em seus projetos
e que terão caminho mais aberto para seus
intentos.
Quero concluir estas minhas palavras,
lembrando São Francisco nosso pai, que
Você bem conhece, quando de madrugada um
noviço gritava que ia morrer. Francisco
acordando os demais irmãos perguntou: Mas
de quê você vai morrer? De
fome, respondeu o noviço. E a história
conta que Francisco preparou alimento para o noviço,
para si e para todos os demais, para que o noviço
não passasse vergonha comendo sozinho.
E acrescentou: Pois assim como devemos
nos guardar do alimento supérfluo, prejudicial
ao corpo e à alma, da mesma forma devemos
fugir da abstinência demasiada, porque o
Senhor quer misericórdia e não sacrifício
( Mt 9,13; 12,7). (Fontes Franciscanas,
Espelho da Perfeição, cap. 27).
Em nome de Cristo, Clara e
Francisco
São Paulo, 1º de outubro de 2005
Frei Augusto Koenig, ofm
Ministro Provincial
|