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24/10/2005
A
Fraternidade "sinal" para o mundo de
hoje
São Paulo
(SP) - Se a fraternidade é parte fundamental
de nossa espiritualidade, devemos viver aquilo
que o Capítulo geral chamou de "a
santidade fraterna" e suas conseqüências.
Somos levados para esse caminho também
pela consciência de que a fraternidade é
nossa contribuição para a evangelização,
porque ela se torna por si mesma o melhor modo
de evangelizar: "nossa forma de vida é
o primeiro modo de evangelizar" (Sdp 42).
Numa Igreja que se redescobre comunhão,
a fraternidade é o sinal visível
que somos chamados a guardar e a manifestar.
Há algum tempo já usamos a expressão
Fraternidade-em-missão, que tem também
este significado: na medida em que somos Fraternidade,
estamos também "em missão".
A Fraternidade não existe antes da missão,
pois a vivência da fraternidade é
exatamente a primeira modalidade de nossa missão.
Todo o gesto de fraternidade torna-se, assim,
um gesto missionário e, por outro lado,
sabemos que não fomos chamados para nós
mesmos, mas para tornar-nos uma fraternidade para
a salvação do mundo.
"Nossas Fraternidades e nossos postos de
trabalho assumem o desafio ético de serem
sinais que despertam o desejo de outro caminho
de convivência e de relacionamento: o caminho
que conduz à plenitude da vida mediante
o caminho do diálogo". É o
que declaramos no Capítulo geral de 2003
(Sdp 31); mas é preciso examinar nossos
comportamentos e verificar se de fato assumimos
esse desafio ético, fazendo o diálogo
entrar em nossas casas e em nossos postos de trabalho.
Nenhuma obra, por mais importante que seja, pode
eximir-se dessa responsabilidade. Sendo responsáveis
pela continuação das obras em que
muitos Frades empregaram suas melhores energias
apostólicas, assim, em relação
à Igreja, somos responsáveis por
oferecer sempre um sinal da possibilidade de viver
em fraternidade. Por isso, a cada forma de missão
e de apostolado, queremos associar sempre o sinal
de uma fraternidade vivida. Também nesse
ponto, desejamos chamar a atenção
para alguns desafios:
o nas opções pastorais, privilegiar
aquelas que estão em maior consonância
com nossa forma de vida;
o deixar-se "seduzir pelos claustros esquecidos,
pelos claustros inumanos, onde a beleza e a dignidade
da pessoa são continuamente ofuscadas"
(Sdp 37), vivendo-os dentro de um projeto de vida
fraterna que seja luz para o mundo;
o estar próximos às pessoas, partilhando
nossa vida e missão com suas alegrias e
dificuldades;
o destacar o valor particular da vida fraterna
nos territórios de missão ad gentes,
para anunciar ao mundo o amor capaz de superar
as divisões de raça, cor e tribo.
o na reestruturação das presenças
e obras, ter como critério a manutenção
viva de uma autêntica vida fraterna.
A crise de fé e de ética de nosso
tempo nos questiona sobre a real possibilidade
da comunhão. No início da história
da Igreja, o Espírito de Deus constituiu
um povo novo, tirando-o do meio dos povos e assim
ofereceu ao mundo a possibilidade de viver a comunhão
com Jesus. O mesmo Espírito impele-nos
hoje a sermos no mundo um sinal da realidade dessa
possibilidade.
Carta do Definitório Geral da Ordem
- Extraída do Boletim "Fraternitas"
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