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       São Paulo, 21/11/2008, 16:03          
 
Notícias

11/11/2006
6ª reflexão: Formar para viver a paixão por Cristo e pela humanidade

Luz reflete sobre o Crucifixo na 2ª ala do Seminário Santo Antônio, de Agudos.

Agudos (SP) -  A vida consagrada e franciscana será verdadeiramente significativa somente se for animada por uma grande paixão por Cristo e pela humanidade; será um sinal “visível a todos”, legível pelos homens e mulheres de hoje, somente se for animada por um grande ardor por Cristo e pela humanidade, pelo desejo veemente de aproximar todos os homens ao amor infinito de Deus pela humanidade, amor manifestado através da pessoa de seu Filho.

As circunstâncias não parecem ser as mais propícias para que a paixão por Cristo e o ardor pela humanidade irrompam em nossa vida. A ideologia neoliberal, sustentada pela cultura midiática, impele, sobretudo os mais jovens, a passar do hard da fé ao soft de um sincretismo e subjetivismo religioso que, longe de levar ao encontro pessoal com o Deus revelado em Jesus, conduzem ao misticismo esotérico, ao holismo sacro ou ao ecologismo profundo, sem excluir, antes ou depois, a própria morte de Deus. Por outro lado, acentuando o “eu” e pondo a realização da pessoa no prazer, na experiência subjetiva e emocional, a pós-modernidade não ajuda a ter paixão pela humanidade, mas antes impele a procurar no outro a própria realização e a satisfazer, através do outro, as próprias necessidades.

Portanto, é necessário formar-nos e formar para despertar em nós mesmos e nos outros a paixão e o ardor por Cristo e pela humanidade. Para isso, será importante ajudar nossos jovens a descobrir o Senhor como o bem, todo o bem, o sumo bem, a beleza, a satisfação, a esperança, a alegria, a riqueza, a saciedade (cf. LD). Sem essa descoberta que prende o coração não será possível o enamoramento, e, sem o enamoramento, não será possível a paixão.

Ao mesmo tempo, não existindo paixão por Cristo sem paixão pela humanidade, a formação franciscana deve desembocar num compromisso existencial (paixão) pela humanidade, particularmente pela “humanidade crucificada”, pelos pequenos, pelos pobres, por aqueles que sofrem, pelos excluídos e pelos mais necessitados, enquanto lugares em que somos chamados a contemplar o rosto vivo de Cristo.

Para despertar e fortificar a paixão pelo Cristo, considero indispensável: formar-nos e formar para a experiência da fé, como raiz, coração e fundamento de nossa vida e missão; formar-nos e formar para a interioridade diante da supervalorização das aparências; ver nos momentos pessoais de solidão e de contemplação uma exigência para o encontro com a própria interioridade, um dom e uma exigência do encontro com o Senhor e com os outros; aprofundar a própria vocação e missão através da familiaridade com a Sagrada Escritura, de forma a poder fundamentar a caminhada pessoal e fraterna – discernimento pessoal e comunitário – sobre a palavra de Deus; experimentar a vida sacramental – particularmente o sacramento da reconciliação e da eucaristia – como momentos fortes do encontro com o Senhor, com nós mesmos e com os outros.

Para despertar e fortificar a paixão pela humanidade parece-me fundamental: formar e formar-nos para o essencial (prioridades); formar e formar-nos para a austeridade na minoridade; formar-nos e formar para a cultura do diálogo, da acolhida e da hospitalidade; formar-nos e formar para uma espiritualidade encarnada; fazer opções, não só experiências temporárias, que nos levem a partilhar a vida do povo, particularmente dos mais pobres, que nos levem a abraçar na caridade os leprosos de nossos dias.


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