Provincia Provincia Provincia Provincia SAV Provincia Provincia
       São Paulo, 21/11/2008, 21:11          
 
Notícias

13/11/2006
Homilia do aniversariante Frei Clemente Kesselmeier

Homilia de Frei Clemente na Missa de domingo (12), às 9 horas, no Seminário Santo Antônio. Ele era o aniversariante.

Agudos (SP) - Frei Clemente Kesselmeier entusiasmou a assembléia presente à missa deste domingo, no Seminário Santo Antônio. Com entusiasmo, o frade aniversariante falou aos capitulares e à comunidade da região durante a homilia. A celebração foi presidida por Frei Antonio Michels. Confira a homilia:

Minhas queridas crianças, queridos jovens, queridos casais, um casal aqui hoje completa 46 anos de vida conjugal: Ana e Mauro. A vocês, um abraço de parabéns, Glória ao Senhor! E aos queridos confrades, reunidos em Capítulo, que é a maior graça de nossa vida. Eu vim para agradecer: obrigado, Senhor, pelo dia em que nasci, obrigado pelo dia que vivemos hoje, obrigado, Senhor, pela vida que de Ti recebi. Abraço vocês com todo amor, toda confiança e toda alegria.

Agradeço por este momento lindo, este Capítulo, que é a convenção dos frades para pensar o que somos, o que queremos e o que esperamos. E nós queremos, no fundo, viver aquilo que nós às vezes cantamos e, aquilo que dizemos de Jesus, também podemos falar de Francisco: amar como Ele amou, viver como Ele viveu, sentir como Ele sentiu, fazer como Ele fez; e amanhã levantaremos muito mais felizes.

Queridos, quero começar com três pensamentos, no aniversário do dom da vida: “para sentir o vento passando, vale a pena viver”, Fernando Pessoa; e o nosso grande poeta gaúcho, Mário Quintana, “estava dormindo. E me acordaram. E me encontrei neste mundo confuso e louco. E quando comecei a compreender um pouco, já eram horas de dormir de novo”. Que horas são em nossa vida? E, o terceiro pensamento, de Guimarães Rosa, no “Grande Sertão: Veredas”, de quem celebramos 50 anos: “Não importa o ponto de partida. Nem importa o ponto de chegada. O que importa, a travessia”.

E vocês não queiram imaginar como eu tremi nesta travessia, quando pisei aqui (no Seminário de Agudos) há 50 anos atrás, na primeira vez. Que igreja! Que lugar! Que mármore! Que imagem! Que estátua, a quem rezei, chorei, supliquei e encontrei o sentido da vida. Sou feliz, Senhor, porque Tu vais comigo. Estamos lado a lado, tu és meu melhor amigo. Como nós cantamos: “minha vida tem sentido, cada vez que eu venho aqui. E Te faço um só pedido, de jamais me separar de Ti”. E aqui eu sonhei o primeiro sonho da vida franciscana, como aos 15 anos, no túmulo de São Francisco, lá em Assis. E vale a pena lembrar hoje Dom Quixote: “quando sonho sozinho, pode ser ilusão.

Quando sonhamos juntos, é a solução”. O Brasil tem que reaprender a sonhar. Uma onda de pessimismo entrou no mundo. Brasil, brasilidade! Como tanta gente não ama, não vibra não se apaixona pelo Brasil? Se papai e mamãe nos tivessem perguntado, antes de nascer, Clemente e Henrique, gêmeos (nascidos na Alemanha), onde vocês gostariam de ter nascido? Teria respondido: entre o Pão de Açúcar e o Corcovado. Nós amamos o Brasil! Nós amamos nossa fé! Nós amamos esta terra!

E voltei, depois de 50 anos, aos jardins de uma casa feliz. Depois de tantas andanças no mundo, que maravilha abraçar esse parque e esse jardim ecológico, onde sinto a presença de Deus, em cada rolinha, em cada planta, em cada arbusto em cada palmeira. Onde eu sinto a presença de Francisco no meio do jardim, nos arbustos, nas campinas, nas rolinhas e neste lugar sagrado (a igreja), onde recebemos tanta força, energia e esperança, fortaleza de fé e o sol do amor.

No Evangelho de hoje, que exemplo, que fascínio, que mulher! No dia que o papa e os bispos ouvirem a mulher, o mundo vai mudar para valer. Que doação, que entrega! Ela deu tudo que tinha. E o que nós damos às vezes? Um pai-nosso, uma ave-maria, uma missa aos domingos. O que damos a Deus? Somos mesquinhos, bitolados, fechados, avarentos. Damos alguma coisa. Em vez de dar alguma coisa, temos que dar a nós mesmos. A viúva é símbolo de uma doação total, sem reservas e sem cálculos.

E no mundo de hoje, onde tudo é mercadoria, tudo é mercado, parece que só o dinheiro é magia. Está na hora de lembrar o pequeno príncipe: “o mais importante é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração”. Francisco enxergava além da aparência. Francisco olhava além da casca, da máscara. Porque ele fez da pobreza a grande riqueza. Nele havia êxtase, prazer diante da Terra. A viúva é o símbolo da gratuidade. Hoje o mundo virou um grande mercado. As mais belas catedrais são os centros comerciais. (...) O que interessa, o shopping, a comida, a bebida, prazer, poder e esquecemos o essencial. Nada nos embriaga suficientemente. Esta foi a experiência de Francisco: “nada me embriaga suficientemente. Só Deus, Cristo, o Evangelho enchem o meu coração”.

E aí, queridos, qual é o problema? Eu fiquei impressionado com alguns que dizem: “nada mais é evidente. Nem a luz é mais clara”. Como assim!? Eu tenho muitas coisas que são evidentes e a presença de Deus para mim é mais clara do que a luz do sol. A vida só é vida quando se faz dom sem medida. Nossa vida tem sentido quando começamos a nos doar, como a viúva, inteiramente, na gratuidade, sem reservar, sem calcular. Doar-se e a conseqüência é a alegria, a felicidade, é bem-aventurança.

Eu sou frade feliz, não me arrependi de nada. Sofri, chorei, fui caluniado, perseguido, torturado por bandidos. Não desanimei. Eu senti o toque de Deus na minha vida. Então existem muitas coisas para mim que são mais claras do que o sol. Eu sei em quem confiei. Eu sei em quem acreditei. Como nós rezamos, “minha vida tem sentido” ou aquele salmo tão lindo “o Senhor é meu pastor e nada me faltará”; “se Deus é por nós, quem será contra nós”? “Quem nos pode separar do amor de Deus: o presente, o futuro, o abismo, as alturas, a calúnia, a fofoca, a perseguição, a espada”? Em todas estas coisas vencemos por aquele que nos amou. Por isso nós dizemos: “ele me conhece, ele me fortalece”. (...) Como gostava quando o Papa João Paulo II dizia: “Não tenhamos medo”.

A mesma coisa nos diria o papa Bento XVI, e vai dizer quando vier ao Brasil: “não tenham medo!” O medo faz acontecer o que o medo teme. Expulsemos o medo, a preocupação excessiva, a angústia e vamos na alegria. Como nos disse Jesus: “eu vos disse todas essas coisas para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena, completa, perfeita e total”. Só entusiasmados podem entusiasmar, só cativados podem cativar, só libertados podem libertar, só acesos podem realmente incendiar e nem os chatos vão me achatar. O que falta no mundo é um pouco mais de alegria. Voltar ao Evangelho, à poesia do Evangelho, à radicalidade do Evangelho, à simplicidade do Evangelho. Somos complicados demais, severos demais, sérios demais. Há documentos demais, tem palavras de mais, tem medo demais. E o que falta? A alegria e a simplicidade do Evangelho. Vamos descobrir o carisma, o encanto, a alegria,  a felicidade de viver.

Toda crise vocacional é a crise existencial de nossa vida. O que nos faz felizes não podemos fazer, o que nos torna ricos não podemos ganhar e o que nos torna sábios e santos não podemos comprar. O que nos torna felizes é o Evangelho, o que nos torna ricos é Francisco e o que nos torna santos e sábios é a vivência do Evangelho.
Queridos, está na hora de mudar de vida no mundo, na igreja, na província. Pois nós não mudarmos, vamos nos afundar. Eu tenho uma grande esperança no Brasil. Estou sonhando o mesmo sonho que John Lennon: “Eu tenho um sonho, mas não estou sozinho”. Vamos sonhar com uma província mais alegre, mais vibrante, mais oblativa, mais doativa. Vamos mostrar aos jovens que Jesus existe, que vive e nos abraça.

Vamos mostrar ao mundo que vale a pena viver. Vale a pena viver. Eu nasci para florescer. Vale a pena confiar. Eu nasci para superar. Vale a pena amar. Eu nasci para partilhar. Vamos caminhando neste caminho, com a alma mais plena de perguntas do que de respostas. Mas todos mais dispostos ao sorriso do que ao lamento. Sabendo algumas verdades que emergem de nossa infinita ignorância, como estrelas murmurando um caminho, um aceno, uma esperança. Sabendo que das criaturas não podemos esperar a perfeição. Sabendo renascer cada dia, recomeçar cada dia, sabendo perdoar e partilhar. O que permanece eternamente, senão a tua bondade, tua ternura, Francisco, porque você revelou a ternura, a bondade de Deus.

Deus não tem outra boca para falar, se não nossa voz, Deus não tem outras mãos para abraçar, se não nossos abraços. Deus não tem outros pés se não nossos pés, para irmos em busca daqueles que precisam de nós. Deus não tem outro coração se não o nosso coração, para incendiar o mundo com o fogo do Seu Amor. Vocês são a luz do mundo. Vocês são o sal da terra. Brilhe a sua luz diante de todos e vejam a luz de sua alegria. A luz de sua simplicidade, de sua coragem, de sua fé, de sua entrega e de sua doação. E para que todos glorifiquem o Pai que está nos céus e está aqui. Eu nasci para ser feliz, como Clara e Francisco de Assis. Glória a Deus, parabéns a vocês.           

.


menu_missoes
 
galeria alem-fronteiras como ajudar onde os frades atuam missao franciscana em angola vocacao missionaria reportagens especiais noticias
 
| HOME |
 
   
[Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil] - Copyright © 2008 Franciscanos.org.br
Todos os direitos Reservados.