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Notícias

14/11/2006
9ª reflexão: Da centralidade do fazer para a necessária harmonia entre o ser e o fazer

Celebração da Missa nesta segunda no Seminário Santo Antônio de Agudos

Agudos (SP) -  Da totalidade de nossas entidades e da maioria dos frades, podemos dizer que vivemos sob o predomínio prático do fazer. Os frades trabalham muito e, em geral, bem, mas freqüentemente são vítimas do ativismo.

O ativismo põe em perigo não só o projeto evangélico de vida, como é proposto pela Regra, as Constituições, e as Prioridades, mas também a própria saúde física e mental dos frades. São muitos os que não têm tempo para o Senhor, nem para os outros membros de suas Fraternidades, nem para si próprios.

Que opções estão na base das diversas formas de ativismo? Na maioria dos casos, o ativismo manifesta a generosidade dos frades que não poupam esforço no serviço aos outros. Ao mesmo tempo, o sentido da realidade leva a pensar que na base de tanta atividade existe, muitas vezes, a necessidade pessoal de “sentir-se realizado”, de deixar uma “obra” para a posteridade, um certo protagonismo ou, simplesmente, a fuga de si mesmo e do compromisso com as exigências da vida franciscana. Certo é que num e noutro caso, nossa “atividade absorvente” e, por vezes, nossa “generosidade patológica” fazem que as outras dimensões fundamentais de nossa vida se tornem irrelevantes, particularmente a vida fraterna em comunidade. Por outro lado, sempre houve em nossas fraternidades, os “ocupados em nada fazer”, os que, celebrada “sua” missa, não estão mais disponíveis para nada.

O ativismo mina em profundidade um dos valores típicos do franciscanismo: a gratuidade. Muitas vezes, os Frades são avaliados pelo que fazem e por sua contribuição, assim como as atividades são consideradas por aquilo que produzem. Tais critérios ferem mortalmente a gratuidade, que deve estar presente em nossos trabalhos e serviços, e a valorização das pessoas por aquilo que são em si mesmas.

É urgente que se façam opções por um “projeto ecológico de vida”, equilibrado, que ponha cada coisa em seu lugar, segundo a hierarquia que existe para cada coisa em nossa forma de vida.

Da obsessão pela eficiência-eficácia para a alegria do ágape -Nossa sociedade mede o resultado do esforço pelo lucro obtido. Não só: com muita freqüência, estima as pessoas pelo que produzem, pelo que dão ou por aquilo que parecem. Essa lógica leva à exclusão de muitos frades que, embora valentes, não produzem e não aparecem.

Diante desse perigo, mais do que hipotético, se desejarmos realmente fortificar a vida fraterna em comunidade, torna-se necessário descobrir o valor do irmão pelo que realmente ele é: dom do Senhor. Impõe-se também descobrir e valorizar adequadamente a gratuidade: ama-se o Irmão não pelo que é capaz de fazer ou produzir, mas simplesmente porque é um Irmão, um dom para mim e para a fraternidade.

Só quem fizer essa dupla descoberta poderá experimentar a alegria do ágape: amor gratuito e sacrificado que leva a partilhar as alegrias e os sofrimentos dos Irmãos, “amor oblativo” que se ocupa do outro e se preocupa com o outro, também quando do outro não há resposta alguma. Somente quem crê na caridade, que é Deus, e vive nesse amor empenha-se seriamente na construção da fraternidade.Trata-se de uma verdadeira conversão que envolve a mente, nosso modo de pensar, de pôr-nos diante da vida e seus problemas, de escolher as opções e os critérios pelos quais julgamos as pessoas. Trata-se de, na vida cotidiana, assumir a convicção de que a verdadeira eficiência cristã e franciscana está no ágape, ao qual tudo mais deve estar subordinado.


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