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       São Paulo, 21/11/2008, 15:22          
 
Notícias

16/11/2006
12ª e última Reflexão: O Evangelho continua sendo a boa-nova

Crucifixo na parte interna do Seminário Santo Antônio de Agudos

Agudos (SP) -  Esta é a certeza: o Evangelho continua a ser a notícia, bela como a graça e ardente como o amor, que transforma quem a recebe com coração de criança: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). O Evangelho continua a ser fonte de bem-aventurança para quem, como Maria de Nazaré, o acolhe com coração pobre e disponível: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). O Evangelho continua a ser caminho de liberdade para quem, como Francisco, o acolhe em seu imediatismo, em seu frescor, em sua radicalidade: “Isso quero, isso peço...”. O Evangelho continua a ser Evangelho, quando cada um de nós, mesmo levando em conta a própria pobreza, tem a coragem de vivê-lo.
À distância de 800 anos, nós, Frades Menores, somos chamados a colocar-nos diante do Evangelho como crianças, “pois o reino de Deus é daqueles que são como elas” (Mc 10,14); como pobres, porque eles são bem-aventurados (cf. Lc 6,20); com a alegria de quem reencontra a dracma perdida (cf. Lc 15,8ss); com a surpresa de quem, pela primeira vez, descobre-o em seu frescor, porque somente assim o transformaremos em “regra e vida” (RnB 1,1), sem domesticar suas exigências radicais.
À distância de 800 anos da experiência de Francisco, nós, Frades Menores, somos chamados a encontrar-nos, livres e indefesos, com o Evangelho; somos chamados a deixar-nos iluminar e questionar por ele, para que nossa vida recupere o sabor e a juventude das origens; para que nossa vida escandalize e questione, como escandalizava e questionava a vida de Francisco e de seus primeiros companheiros.
À distância de 800 anos da conversão de Francisco ao Evangelho, também nós, Frades Menores, somos chamados a descobrir o Evangelho como livro de vida – sem reduzi-lo a ideologia, mais uma entre muitas – a assumi-lo como livro de leitura freqüente, texto fundamental em nossa formação, que ilumine nossas opções e possa justificá-las.
Voltemos ao Evangelho, porque voltar ao Evangelho é voltar para Cristo, o único que pode justificar nossa vida. Voltemos ao Evangelho, porque voltar ao Evangelho é reviver a graça das origens. Voltemos ao Evangelho e nossa vida recobrará a poesia, a beleza e o encanto das origens. Voltemos ao Evangelho e seremos resgatados de nossas misérias e de nossas escravidões, de nossos medos e de nossas tristezas, e resgataremos os homens nossos irmãos de suas misérias e escravidões, de seus medos e tristezas. Voltemos ao Evangelho e respiraremos ar puro; nossas propostas serão novas; a coragem, a inteligência, a generosidade, a fidelidade de muitos irmãos nossos, gastos sem reserva e sem restituição, darão fruto e fruto abundante.
Todo o esforço que vamos fazendo a fim de abrir caminho para a refundação de nossa Ordem, todas as reformas, todas as fadigas para adaptar as instituições às novas situações, tudo o que estamos fazendo para encarnar na vida de cada dia as Prioridades da Ordem, de nada valerá, será estéril, se não voltarmos ao Evangelho.

Neste momento, para acolher a graça das origens, aceitemos o Evangelho como “força de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1,16; cf. 1Cor 1,18), para que não se transforme para nós, como para os incrédulos, em escândalo e loucura (cf. 1Cor 1,18.21.23), não continue “velado” para nós, cegados pelo “deus deste mundo” (2Cor 4,4). Recebamo-lo “na obediência da fé” (Rm 1,5), abramo-nos ao “Evangelho da graça” (At 20,24).

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