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Notícias

27/05/2008
Falece Frei Arno Reckziegel em Porto Alegre

Frei Arno Reckziegel

Porto Alegre (RS) - Frei Arno Reckziegel, OFM, nasceu em Santa Emília – Venâncio Aires – RS, no dia 09 de maio de 1944, filho do comerciante Affonso Reckziegel e Bertha Catharina Heck Reckziegel. Foi registrado pelo pai, no mesmo dia em que nasceu, sendo seus avós paternos Hugo e Theresa Reckziegel e os maternos, José e Gertrudes Heck. Foi batizado na Matriz da Paróquia S. Sebastião, Venâncio Aires, no dia seguinte ao seu nascimento, 10 de maio, pelo Pe. Vunidaldo Flach, sendo padrinhos Lucas Reckziegel e Leonita Heck.

Com oito meses foi crismado, no dia 15.01.1945, na capela São Luís de Santa Emília, pertencente à Paróquia Santa Inês de Mato Leitão, pelo cônego Afonso Neis, delegado especial de Sua Excia. Revma. Dom João Becker, Arcebispo de Porto Alegre. Seu padrinho foi Edmundo Hinterholz. Cursou o primário na Escola São Luiz, em sua terra natal, de 1952 a 1956. Ingressou no Seminário Seráfico São Francisco, em Taquari, no qual fez o Curso ginasial, de 1957 a 1960 e o segundo grau equivalente nos anos 1961, 1962 e 1963. Completados os estudos de primeiro e segundo graus, entrou no Noviciado, em Daltro Filho Garibáldi, no dia 01 de fevereiro de 1964, no triste e histórico ano da chamada “Revolução Redentora”.

Seu novo nome era: Frei Macário (em grego: Μαχαριος = Bem-aventurado) e seu número na Província Santa Cruz: 336. Era um grupo de 15 noviços. Como era costume, naqueles tempos, seu grupo de noviços, então ainda “grupo dos treze”, completados os doze meses de Noviciado, fez a primeira profissão no dia 02.02.1965. Nesse ano, a Revista Santa Cruz abria seu nº 4 com a manchete “A Questão da Autonomia do RGS”, pois o Definitório provincial pedira a Roma, ao Definitório geral, a criação de uma “Custódia regiminis” no RS.

Os tempos, na grande Província e na província gaúcha, eram quentes: o entusiasmo por separação ou autonomia era acalorado. Os 13 professos, deixados o caparão de noviços, iniciaram, no Convento São Boaventura, em Daltro Filho, o estudo da Filosofia, que seria absolvido em dois anos, como de praxe entre nós. Assim, em 1967, Frei Arno e remanescentes de seu grupo, embebidos de Filosofia e ansiosos por mudar o mundo, vieram a Porto Alegre e começaram os estudos da Sagrada Teologia, em Viamão.

O ano 1970, o de “Pra Frente, Brasil”, foi marcante na vida de Frei Arno, pois, como estudante de Teologia, em 02/02/1970, seu grupo fez a profissão solene, em Daltro Filho – então ainda município de Garibáldi. No dia 05 de agosto, o grupo recebeu as Ordens Menores, em Porto Alegre, e no dia 08 de agosto, com seus colegas (Osmar Mallmann, José Frey, João G. Sulzbach, Geremaro Melz, Leo L. Sehn e Romano Dellazari), Frei Arno recebeu a ordem do Subdiaconato. Além disso, também em 1970, completou sua formação teológica e começou a Faculdade de Serviço Social, na PUCRS. Esses estudos lhe deram o Registro de Assistente Social: CRAS 795 – Certificado do MECProc. Nº 18378/74. Tudo foi mui rápido, pois já no dia 02.05.1971, recebeu de Dom Edmundo Kunz a Ordenação no grau de Diaconato, em Porto Alegre e, no mesmo ano, então com 27 anos de idade, em Santa Emília, no dia 18 de julho, Dom Alberto Etges, Bispo de Santa Cruz, conferiu-lhe o grau do Presbítero.

Como estudante de Serviço Social e sacerdote, recebeu sua primeira obediência: Lomba do Pinheiro, Pastoral das migrações e Assistente Social no Centro S. S. Carlos. A Província havia decidido iniciar a “Pastoral da Acolhida”, junto aos migrantes da roça às periferias das cidades. No BdeC de 1978, p. 287-296, encontrase a compilação “Coisas do Povo”, feita por Frei Arno e Selvino Heck. Afirmam: “Interessante e importante ver, sentir e apreciar as coisas simples do povo... Sentir a alma do povo é um aprendizado longo ... Não se deve partir de nossos dogmatismos...” Em 1979, Frei Arno deixou sua terra e sua gente, na Lomba, e foi à Custódia das Sete Alegrias de Nossa Senhora, no Mato Grosso, com a obediência de “ajuda missionária e promotor vocacional”. No dia 06 de maio, estava em Rosário Oeste-MT, “fazendo levantamento da realidade local”. Em 1980, foi eleito pelos Freis gaúchos, missionários no MT, para deputado ao Capítulo provincial. Ficou um ano na missão. No dia 29.12.1981, foi nomeado Cooperador da Paróquia S. Pedro Apóstolo, em Mauá-SP, onde devia tomar posse antes de 15 de fevereiro de 1981. Já nos inícios de 1982, encontramo-lo no Convento São Boaventura, onde apareceu com apenas uma malinha, pois, em 08.02.1982 fora nomeado vigário cooperador da Paróquia S. João Batista, em Daltro Filho.

Ali, empenhou-se ardentemente no sindicato rural e, em julho de 1982, assumiu como pároco de Daltro Filho. Foi breve seu ministério ali, pois, em 1983, foi cedido para Pastoral de periferia, na cidade de Rio Grande. Eleito Ministro provincial, no Capítulo de outubro de 1986, no Seráfico, em Taquari, veio ao Provincialado, Rua São Luís, 640. No Capítulo de 04 a 09 de outubro de 1992, foi reeleito para o cargo de Ministro provincial por mais um triênio, a saber, até outubro de 1995. No dia 12.12.1995, foi nomeado vigário da recém-criada Paróquia Santa Clara, na Lomba do Pinheiro.

No dia 02 de julho de 1996, foi nomeado Visitador geral na Custódia Fray Luis Bolaños, no Paraguai. No dia 28 de maio de 1997, foi nomeado Visitador geral na Província de San Pablo Apóstolo – Popayán – Colômbia. Ainda nesse ano, participou do período sabático na Terra Santa. Na volta, não quis visitar Roma. Com nomeação datada em 12.12.1998, voltou à Lomba do Pinheiro, como Secretário da Pastoral e Promoção Vocacional, Formação da Fraternidade do Irmão Sol, coordenador da Rede de Benfeitores e animação dos ex-alunos. No dia 06 de 2000, assumiu o encargo de pároco da Igreja São Francisco de Assis – Porto Alegre e animador vocacional na Grande Porto Alegre. Em 2004, foi eleito e nomeado Secretário geral do Capítulo provincial, realizado de 13 a 20 de outubro daquele ano. Já com problemas cardíacos, no dia 04.12.2007, abraçou a obediência de ser o Pároco da Paróquia da Rede de Comunidades S. José, na Morada do Vale, em Gravataí - RS. Ali, nos inícios de maio desse ano, manifestou-se a doença maligna no fígado, passando aos rins e atingindo o sistema vital, deixando Frei Arno “nas mãos de Deus”. Consciente e conformado, seu servo fiel e prudente, dizia-se “pronto” para o sim definitivo, para a entrega de seus talentos.

Esses renderam ao Patrão da vinha “cem por um”. Que o Senhor lhe conceda a graça de contemplar seu rosto, pobre, humilde e crucificado, o qual, ao longo de seu ministério sacerdotal, ele procurou ver, e teve a graça de encontrá-lo ou vislumbrá-lo no rosto sofrido dos milhares e milhões de excluídos da mesa farta, e dos descamisados pelo sistema opressor. Frei Arno faleceu, no Hospital Luterano da Ulbra, em Porto Alegre, às 18h, do dia 26 de maio de 2008. Causa mortis atestada foi: Síndrome hepatorenal, cirrose de hepatite B e hepatocarcinoma.

Horários:
O velório será na Igreja São Francisco, Bairro Santana - Porto Alegre - RS, Rua São Luiz, 607, a partir das 23h do dia 26 de maio até as 9h do dia 27 de maio, quando haverá exéquias. Às 15h30min, será missa de corpo presente, no Convento São Boaventura de Daltro Filho, município de Imigrante - RS. Logo após a missa, seguirá o sepultamento no Cemitério dos Frades.

De “mortuis nihil nisi bonum, fratres et sorores!” O Senhor, “sentado no seu trono de glória”, o coloque à sua direita e lhe diga: “Tive fome, e me deste de comer; era peregrino e me acolheste, estive nu e me vestiste...” (cfr Mt 25, 31-40). Descanse em paz, Frei Arno! Amém!


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