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Adávio, o primeiro missionário leigo
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Quase duas
décadas em
Angola |
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No início da década de 90, diante do
apelo do Papa João Paulo 2º para ajudar
a África, um país “machucado”,
como disse então, o Ministro Geral reforçou
o pedido à Ordem dos Frades Menores e, em setembro
de 1990, os primeiros franciscanos da Província
da Imaculada chegavam a Angola para fundar a Missão.
Foram tempos difíceis para esses missionários
que sofreram e não abandonaram a missão
durante a guerra.
A Missão de Angola foi elevada à condição
de Fundação, com o nome de Imaculada
Mãe de Deus, no dia 26 de maio de 1998. Hoje,
a Fundação tem três fraternidades:
São Francisco de Assis, a casa-mãe que
fica em Palanka, e onde nasceu a Paróquia de
São Lucas (2000); e a Porciúncula, que
fica em Viana (pós-Noviciado), as duas em Luanda,
na capital angolana. Em Malange – a 430 quilômetros
da capital -, funciona o Aspirantado (aberto em 96)
e o Postulantado (aberto em 97), no bairro de Katepa.
Mas neste território da Missão, de 600
quilômetros para o Sul, há cerca de 600
aldeias.
Depois de 18 anos, a Missão tem um angolano
professo solene e dois professos simples: Frei João
Major Serrote, Frei António Boaventura Zovo
Baza, e Frei Afonso Kachekele Quissongo.
Do Projeto Missionário da Província
faz parte a integração com a 2ª
Ordem das Irmãs Clarissas e Ordem Franciscana
Secular (OFS), além das irmãs franciscanas
de outras congregações.
VEJA MAIS EM:
Missões http://www.franciscanos.org.br/
missoes/index.php
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Por Moacir Beggo
O próximo dia 15 de abril será histórico na vida do cearense Adávio Afonso Ribeiro e na caminhada da nova Fundação Franciscana Mãe de Deus de Angola. Aos 54 anos, o professo da Ordem Terceira Secular (OFS) será o primeiro leigo a ser enviado para este trabalho missionário da Província da Imaculada Conceição.
Sobram motivações para Adávio encarar este novo desafio em sua vida. "Sou uma pessoa que vivi em prol da minha família, em primeiro lugar. Sempre trabalhando para ajudá-la. Mas não é só a família que a gente precisa ajudar. Também precisamos ajudar nossos semelhantes. Quando me tornei voluntário, há 13 anos, no Serviço Franciscano de Solidariedade, o Sefras, fui trabalhar na Comunidade Missionária dos Sofredores de Rua. Aí foi uma grande experiência para mim neste serviço de voluntariado. E quando você começa a fazer algo que gosta, você quer ir sempre mais longe", explica o cearense da região de Cariri.
O que deixa também Adávio muito à vontade
para enfrentar o novo desafio é o fato de ter feito uma
experiência de trabalho no Iraque, exatamente em 86, quando
o país estava em guerra com o Irã. "A gente
sempre ouve notícias sobre a África, que sofre e
pede ajuda. Então, isso me motivou muito. Eu gosto de ajudar
as pessoas. Isso está no meu sangue, porque ninguém
vive sozinho neste mundo. É muito gratificante viver e
ajudar nosso semelhante. Ninguém se salva sozinho e para
você se salvar é preciso ajudar alguém a se
salvar", acrescenta.
Adávio diz que está consciente das dificuldades
num país que está em reconstrução
depois de uma guerra que vitimou pessoas em mais de duas décadas.
"Se não estiver pronto, é melhor ficar aqui,
que tem um clima mais ameno. Quando estive no Iraque, enfrentei
temperaturas altas, clima de deserto, mas sei que o ser humano
pode se adaptar em qualquer lugar. Além disso, nasci num
lugar muito difícil, no Nordeste brasileiro. As coisas
no Nordeste não são tão diferentes de Angola.
O que tem de diferente foi a guerra, mas o clima, a pobreza e
as carências de estrutura são as mesmas", observa.
Para o novo missionário, outra experiência que fez
em 2005 e 2006 foi durante as missões com os franciscanos
da Província do Santíssimo Nome de Jesus, de Goiás.
"As coisas lá também não são
fáceis. O calor é muito grande, as pessoas são
muito pobres. Eles sempre olham para você com uma esperança
muito grande. Aquela esperança que os judeus tinham quando
vinham até Jesus para libertá-los do jugo romano.
Assim também eles olham para você, como se fosse
um salvador, que vai levar comida e o que falta a eles. Não
é bem isso que vamos levar. A gente vai tentar amenizar
o fardo que carregam, na medida do possível, mesmo que
seja com um palavra amiga e acolhedora.
Adávio fez a profissão na OFS em 2006 e conta que
muito pesou para a sua decisão quando conheceu o Santuário
de São Francisco das Chagas, em Canindé, no Ceará.
"Só conheci este lugar depois que me aposentei",
conta. A partir daí e do trabalho no Sefras, Adávio
se interessou mais pelos estudos do franciscanismo, que fez na
OFS. É com essa espiritualidade que ele vai a Angola. "A
gente tem de ser a presença de Deus naquele lugar. Estando
ali, vivendo com eles, sofrendo e passando as mesmas dificuldades
deles. Não vamos mudar a cultura deles. Nós temos
um exemplo aqui, quando os primeiros franciscanos espanhóis
vieram para o México e fizeram uma ação desastrosa,
porque queriam mudar tudo e impor uma cultura européia
para uma civilização indígena. A gente estuda
isso e, como missionário, tira o exemplo: 'Eu não
posso cometer este mesmo erro!' Como missionário, tenho
de saber que estou lá para me inserir na cultura deles.
Tenho que aprender com eles alguma coisa", ensina.
A sede da Fundação Mãe de Deus fica em Luanda,
no bairro de Palanka, mas há ainda as fraternidades de
Viana, onde funciona o pós-noviciado; e duas fraternidades
em Malange, onde funcionam o Aspirantado São Damião
e o Postulantado no Seminário Monte Alverne. Adávio
ainda não sabe qual será o seu destino no território
da missão. "Eu não sei onde vou ficar e o que
vou fazer. Vou ficar onde precisam e fazer o que precisam",
acrescentou, animado pelo fato de que vai para um país
que fala a língua portuguesa.
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