Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM (*)
Dos dias 5 a 9 de julho deste ano de 2008, realizou-se na cidade boliviana de Cochabamba (2.700m), na Bolívia, o VII Congresso Latino Americano da Ordem Franciscana Secular (OFS) e da Juventude Franciscana (JUFRA). Belíssima a paisagem da cidade: montanhas altíssimas, clima seco e frio, manhãs geladas e jornas quentes, quase como Petrópolis, um pouco mais frio... Cochabamba com prédios que lembram o tempo da colonização espanhola, praças quase elegantes, um povo com traços dos índios da América espanhola, belíssimos conventos dos franciscanos... coisas bonitas que poderiam ser melhor cuidadas.
A OFS vai fazendo seu caminho no mundo. Trata-se, como sabemos, de um grupo de leigos que deseja, conforme dizeres de sua Regra, alcançar a perfeição da caridade vivendo no século. A Juventude Franciscana, por sua vez, é constituída de jovens desejosos de seguirem Cristo Jesus desde os verdes anos de sua vida. Tanto os terceiros seculares quanto os jovens franciscanos conhecem luzes e sombras em seu caminhar. Necessário sempre se faz a presença de irmãos da I Ordem junto deles. Somos símbolos da unidade na grande família franciscana. Os terceiros são autônomos, mas carecem de religiosos franciscanos que estejam escutando o palpitar de seus corações e os ajudem a ser discípulos de Francisco e Clara. Estamos dispostos?
O Congresso contou com a participação de leigos e assistentes de muitos países da América Latina e do Caribe. Tivemos mesmo a presença do Ministro Nacional de Cuba. Países grandes como o México, a Colômbia e a Venezuela não se fizeram representar. Pena... Cada vez que se participa desse tipo de evento ficamos mais e mais convencidos de que o importante mesmo é o vigor das fraternidades locais... As grandes reuniões ajudam, mas o desafio é sempre o de viver a fraternidade local...
Palestras e trabalhos em grupos foram se alternando nos dias do Congresso. Um irmão boliviano, professor, Jorge Delgadilllo, falou sobre as aspirações e anelos do povo latino-americano: diferentes raças, pobreza, juventude, capitalismo selvagem, globalização, ecologia. Frei Carmelo Galdós, OFM fez uma bela meditação sobre a Regra da OFS ( dita de Paulo VI) e a relacionou com o os 800 anos do carisma franciscano. Uma palestra clara, incisiva, corajosa e mística. Na realidade o que conta para os terceiros franciscanos, ditos seculares, é viver a Regra em toda sua pujança. Publicada em 1978 a Regra está completando 30 anos, diga-se de passagem. O conventual Frei Roberto Tomicha, que participou da Conferência de Aparecida, ocupou o espaço que lhe foi reservado em análise bastante erudita das Conclusões daquela Conferência. O brasileiro Rosalvo Motta, Vice ministro Geral da OFS, dissertou sobre a profissão do franciscano secular e seu senso de pertença à OFS.
As Conclusões do Encontro estão ainda sendo retocadas e reelaboradas. Oportunamente serão publicadas.
Apenas algumas observações:
- é sempre bom quando irmãos do continente latino-americano e caribenho se reúnem: sentimo-nos mais unidos, damo-nos conta do que é comum e do que é diferente, já vale o encontro;
- os problemas são muito semelhantes em quase todos os países: envelhecimento de nossas fraternidades, dificuldade de conseguir novas vocações, ausência de lideranças santas na OFS e na JUFRA; nem sempre os assistentes compreendem seu papel no seio dos grupos em questão; imaturidades aqui e ali;
- mais do que nunca os leigos deverão assumir seu papel: não basta que sejam apenas colaboradores do clero, mas assumam sua laicidade; sentimos sempre saudade de Alceu de Amoroso Lima e tantos outros que forma leigos de verdade;
- hoje, mais do que nunca, é necessário que a laicidade ensope os terceiros: família verdadeiramente franciscana, simples, unida, despojada, não consumista; empenho pela construção da paz no ambiente em que se vive; a oração na vida e a vida na oração, profunda identidade franciscana; leigos não devocionalistas e adeptos de uma religião privada, mas vivendo uma fé no mundo, aberta, transformadora da realidade.
- Os franciscanos talvez sejam, com toda modéstia à parte, aqueles que estariam melhor preparados para construir um mundo fraterno e evangélico nas atuais conjunturas da globalização, secularismo, de diálogo entre as religiões e coisa e tal.
- Até que ponto nossas Fraternidades OFS são espaços de esperança e laboratórios de um mundo que está para vir?
- Será que a JUFRA, como existe, está aberta ao mundo que está se fazendo? Que propostas deveriam ser feitas? Temos muitas interrogações. Por vezes, pensamos que tudo está para começar...
Do Brasil, participaram do encontro, além do vice-ministro geral Rosalvo Motta, já mencionado, José Carlos de Andrade, na qualidade de Ministro Nacional, Jackson Barbosa, Secretário nacional da JUFRA e eu , mesmo, como Assistente Nacional pela OFM.
Nossa Província esteve sempre junto dos seculares franciscanos. Mencionamos Frei Mateus Hoepers, Frei Egberto Prangenberg, Frei Alberto Beckhäuser entre muitos. Acreditamos que é nossa missão estar ao lado dos leigos franciscanos e encantar a juventude com nosso modo de ser.
(*) Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM. Assistentes da OFS
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