Frei Ramiro enfatiza opção pelos pobres e pelos jovens
Por José Carlos Freire, especial para o site
Após a oração da manhã no Congresso Missionário da Ordem dos Frades Menores para a América Latina e Caribe, que se realiza na cidade de Córdoba, na Argentina, conduzida por Frei César Külkamp e Frei Vitalino Piaia, deu-se início à exposição do tema “Novas Formas de Evangelização e Missão na Ordem”, conduzida por Frei Ramiro de la Serna, da Argentina. O frade lembrou que são muitas as formas de se realizar a evangelização, porém, a busca pela melhor deve ser sempre nova e distinta.
Para Frei Ramiro, refundar a Ordem, que é um imperativo da comemoração dos 800 anos do carisma, não deve ser entendido como busca de novos fundamentos, uma vez que estes já estão postos pelo seguimento de Jesus a exemplo de Francisco de Assis. Refundar significa “buscar novas concretizações históricas da espiritualidade franciscana”, uma vez que a humanidade de hoje “necessita de algo novo, de uma resposta criativa e audaciosa”.
Ao questionar o modelo paroquial, Frei Ramiro afirmou a necessidade de se enfrentar um grande desafio: “Em muitos casos, não respondemos à humanidade de hoje e suas buscas”, disse. E completou: “Tal situação provoca um mal-estar vocacional e institucional”.
Para Frei Ramiro, os frades devem escutar as perguntas que a realidade concreta lhes apresenta. De tal forma que se possa “tornar novas todas as presenças evangelizadoras e, ao mesmo tempo, criar formas de presenças novas”.
Frei Ramiro ainda apontou cinco desafios que se colocam à evangelização franciscana. O primeiro dele se refere à juventude, uma vez que este segmento representa 25% da população latino-americana. Outro desafio trata do mundo urbano que, pelas estatísticas, concentra 89,3% da mesma população.
O terceiro desafio, bastante trabalhado por Frei Ramiro, refere-se à situação dos marginalizados. Para o frade, “as fraternidades devem ser espaço de acolhida”, já que “devemos ajudar o homem de hoje”. Isso exige uma opção clara das instituições, pois, infelizmente se constata que em muitas províncias “há uma multiplicidade de tarefas sem nenhum projeto definido”, sentenciou.
O quarto aspecto se refere à teologia, que precisa ser feita a partir da América Latina, para que possa responder aos desafíos deste continente. Por fim, a necessidade de uma colaboração mútua entre as províncias se apresenta como desafio urgente.
Após a exposição de Frei Ramiro, os grupos se reuniram para debater e, em seguida, trouxeram perguntas e comentários ao frade. Ao aprofundar a necessidade de opção pelos pobres e pela juventude, Frei Ramiro alertou a todos para o fato de que uma opção não significa a exclusão das demais formas, mas sim uma priorização.
A busca de formas novas, lembrou o frade, justifica-se pela crise em que vivemos: “A crise que vive a Igreja e o mundo é de tamanha escuridão que um fósforo apenas pode iluminar muito”. Isso justifica, segundo Frei Ramiro, a coragem de ousar experiências novas.
Por fim, alertou aos congresistas para a clareza do papel político da evangelização. Segundo o frade, não existe uma posição neutra, não existe forma de se colocar à margem da realidade concreta. “Qualquer opção evangelizadora, mesmo aquela que se baseia apenas na manutenção da instituição, tem uma implicação política direta”, completou.
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