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       São Paulo, 13/02/2012, 07:26          
 
| LANÇAMENTO | Noite histórica de lançamento
consagra publicação do Frei Elzeário Schmitt

Fotos: Luiz Eduardo Schramm

Sentado sobre uma acolchoada cadeira reclinável na biblioteca da casa paroquial, ao lado da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, Frei Elzeário conversou com a equipe de reportagem do jornal Cruzeiro do Vale sobre o lançamento de seu mais novo livro “São Pedro Apóstolo de Gaspar – 158 anos nas Malhas da história”.

Com olhar profundo, marcado pelo tempo em seus 97 anos de idade, Frei Elzeário também falou sobre a relação entre a Igreja e o município, sobre obras sociais e avaliou a presença da Igreja na comunidade nos dias atuais.

Por Eduardo Pereira

Jornal Cruzeiro do Vale - Por que o senhor decidiu escrever um livro que retratasse a história da Paróquia São Pedro Apóstolo?
Frei Elzeário - Primeiro porque eu gosto muito da paróquia, desde que eu entrei aqui, e do jeito que o povo recebe o padre. Segundo, eu gosto muito de uma matéria, hoje em dia bastante em voga, que são os estudos históricos. Eu sou apaixonado pela história e descobri nos livros dos padres alemães, aqui em Gaspar, notícias interessantíssimas, de fundo profundamente humano e social, que interessam a todos os paroquianos e aos gasparenses dos dias de hoje. Então, resolvi escrever, baseado nessas informações do passado, a história de toda a paróquia desde o princípio, em 1830. Da primeira missa na Margem Esquerda até 2008, nossa situação atual. Então meu interesse é profundamente histórico, porque eu gosto de história.

JCV - Qual a importância de se resgatar a história da trajetória da Paróquia de Gaspar?
Frei - É importantíssima. Primeiro porque é a primeira paróquia em toda a região. Antes da de Blumenau existir, já 20 anos antes, não havia Igreja nenhuma, em lugar nenhum, só a nossa pequena capela na Margem Esquerda, dedicada a São Pedro. Então essa importância histórica que Gaspar tem sobre todos os municípios vizinhos é que também me impulsionou a escrever o livro.

JCV - Gaspar é um município onde o catolicismo predomina. Na sua opinião, a cultura e a religiosidade do povo ainda influenciam a sociedade?
Frei - Sem dúvida nenhuma, a religiosidade do povo continua viva. A gente vê isso através da freqüência nas missas de final de semana na Igreja Matriz. São três missas no final de semana com a igreja praticamente cheia, principalmente nos sábados à noite. E nas capelas, nas comunidades no interior do município em que nós atuamos, o fenômeno é o mesmo. Principalmente, o que me chama atenção é a freqüência de homens nas missas e nas organizações de culto que nós temos. Então isto é muito importante. O que é negativo é a falta quase total de crianças e de jovens nas nossas missas.

JCV - Em seu livro, o senhor fala sobre diversas ações e trabalhos sociais que a Igreja realizou em prol da comunidade. Destaque um fator que, em sua opinião, contribuiu para a transformação da realidade no município.
Frei - O que contribuiu muito para a transformação dessa realidade foram as instituições dedicadas aos marginais. Os marginais, eu acho que são, em primeiro lugar, os pobres e marginalizados. Aí a Conferência Vicentina está desempenhando, há muito tempo, um trabalho fundamental com o registro de centenas e centenas de famílias necessitadas que são socorridas pela Conferência Vicentina. Há movimentos paralelos também, como a Apae, que são de importância social enorme para o nosso município, até uma honra para Gaspar. Além de outras associações voltadas para a sociedade carente, como o grupo de senhoras que se reúne e trata de fazer com que o câncer seja eliminado e fragilizado em nossa sociedade.

JCV - A paróquia passou por diferentes fases e reformas em toda a sua trajetória. Como o senhor avalia a situação em que ela se encontra atualmente?
Frei - A paróquia continua marchando no ritmo de todas as paróquias de hoje. A globalização atingiu, naturalmente, toda a vida religiosa e o povo brasileiro também. Alguns elementos dentro da Igreja Católica, hoje, estão questionando a própria palavra paróquia. Alguns acham que a paróquia perdeu o seu sentido. Eu pergunto: “o que vocês vão colocar no lugar da paróquia?”. Então existe este movimento muito trepidante, muito incerto e duvidoso dentro do próprio clero, por algumas pessoas do nosso clero, que desprezam a palavra paróquia e querem que a Igreja se volte mais para fora dos templos. Esta é uma exigência natural de toda a Igreja, como os papas não deixam de acentuar. Eles pedem que a paróquia se volte, então, para a sociedade carente e pedem a presença da Igreja mais fora dos templos, a fim de que a presença dela no mundo globalizado de hoje seja mais marcante e seja mais positiva.

JCV - Quanto tempo o senhor se dedicou para transformar o livro em realidade?
Frei - Dois anos.

JCV - Quem contribuiu para que o livro fosse lançado?
Frei – O que contribuiu, em primeiro lugar, foi o incentivo de paroquianos amigos que me falavam disso e me faziam perguntas seguidas a respeito de certos fatos do passado relacionados com os padres alemães que trabalharam aqui. Principalmente, as pessoas acima de 60 anos de idade que têm essas lembranças do passado religioso muito diferentes em suas mentes, nos tempos de hoje. Então eu me senti motivado para procurar e dar respostas escritas a essa curiosidade positiva dessas pessoas. Depois, o apoio dos amigos que me perguntavam quando eu ia lançar meu livro. Essa curiosidade também me levou a apressar o trabalho do livro, a procurar um editor e os recursos financeiros para isso fora da paróquia, pois não quero onerar a paróquia com uma obra dessas, pois o dízimo dos paroquianos deve ficar intacto.

JCV - Deixe uma mensagem aos futuros leitores de sua obra?
Frei - Quero convidá-los a compreender que uma história como essa, sobre religião e a Igreja em Gaspar, não pode ser perfeita. Não há registro de obra humana perfeita. Pode haver erros e esquecimentos. E que o povo gasparense continue nessa sua marcha de uma sociedade que é conhecida por sua capacidade em acompanhar os progressos de uma sociedade moderna, mas dentro de uma moldura de paz, compressão, amor e de perdão, e principalmente de ajuda aos necessitados. É o que os papas não deixam de acentuar.

Matéria publicada e cedida gentilmente ao site da Província pelo Jornal "Cruzeiro do Vale", de Gaspar (SC).

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