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       São Paulo, 22/11/2008, 09:29          
 

Por Moacir Beggo

A história de Frei José Lino Zimmermann se confunde com a história do Seminário Santo Antônio, em Agudos (SP).  Além de ser o marceneiro mais antigo, em atividade, na Província da Imaculada Conceição, ele é também o irmão leigo que vive em uma única casa de formação há mais tempo: 46 anos seguidos. No total, contudo, são 47 anos vividos no Seminário de Agudos, já que a sua primeira transferência foi para esta casa em 58, quando o seminário tinha apenas oito anos de existência (foi inaugurado em 1950). Frei José Lino é um dos irmãos leigos que ingressaram na Ordem Franciscana depois de um tempo como Irmão Terceiro. Por isso, primeiramente fez o ano de Noviciado como irmão terceiro e, só depois do juvenato de três anos, é que, finalmente, pôde ingressar no noviciado da Primeira Ordem.

Frei José é um exemplo de vida franciscana, título que ele não concorda, pois disse que “falta muito para isso”. O segredo para essa fidelidade ao carisma de São Francisco é simples, como ensina: “Fazer o bem sempre ao irmão que está do meu lado”. Afinal, como disse São Francisco, o “Senhor me deu irmãos”. O frade metódico, disciplinado, como requer a sua profissão, dedicado, calado, orante, fraterno, deixa escapar também o seu lado brincalhão: “Às vezes fico em dúvida se foi mesmo o Senhor que deu certos irmãos!”.

Modesto, Frei José Lino não gosta de contar vantagem, mas a estatística fala por ele: mais de 70% das peças em madeira do Seminário - especialmente os móveis -  têm o dedo do frade marceneiro. Esta entrevista foi feita como uma homenagem a Frei José, exatamente no dia de São José Operário, 1º de Maio, quando ele celebrou também o Dia do Padroeiro dos Carpinteiros. Acompanhe:

Site franciscanos – Quem é o Frei José Lino e a família Zimmermann?
Frei José Lino Somos descendentes de alemães. Meu pai, Leonardo Estevão Zimmermann, e minha mãe, Maria, nasceram no Brasil. Hoje, o local é conhecido como Águas Mornas, mas antes pertencia a Santo Amaro da Imperatriz, próximo de Florianópolis, em Santa Catarina. Tenho dois irmãos e 3 irmãs, sendo duas delas religiosas: Irmã Clara, que ingressou na Congregação das Franciscanas de São José e Irmã Jolita, que ingressou na Congregação da Divina Providência. Sou o mais velho, com 68 anos, e minha irmã mais nova tem 53. Minha mãe está com 90 anos. Meu pai tinha um pequeno sítio, onde se dedicava à agricultura, vamos dizer assim de subsistência, e, por longos anos, foi catequista preparando as crianças para a primeira comunhão, presidente do culto dominical e ainda durante quarenta anos foi membro da comissão da capela. Meu pai era extrovertido, alegre, falador e por vezes um tanto severo. Foi um bom educador e nunca se abatia por dificuldade alguma. Minha mãe, era mais introvertida, calada, mas muito meiga e atenciosa. Devo ter influências maternas no caráter, pois falar não é muito comigo. Ela era também é muito religiosa, sempre ajudou no preparo das festas e enfeites na capela. Sempre fomos uma família muito unida, um apoiando as idéias do outro. E entre nós não houve e não há discussões que por vezes pudessem destruir a convivência.

Site Franciscanos – Neste ambiente religioso, como se deu o seu processo vocacional?
Frei José Lino
Fui criado num ambiente muito religioso. Rezava-se muito em casa e as primeiras orações ensinadas pela minha mãe eram em alemão. O gosto pelas coisas religiosas foi aumentando quando me tornei coroinha. Tenho um tio, padre franciscano, Frei Teodoro Zimmermann, que me fazia pensar bastante em um dia ser franciscano também. Mas, desde logo, conclui que para ser sacerdote não teria vocação. Eu sabia que tinha irmãos leigos em Santo Amaro, pois para constituir um convento franciscano tinha que ter quatro padres e dois irmãos. Desde menino, pensava: “Alguma coisa diferente eu quero ser”. Não sabia bem o quê. Os padres explicavam nos sermões que quem não quisesse se ordenar, poderia ser irmão para ajudar os padres dentro do convento. Naquela época, não precisava estudar. Me lembro da propaganda vocacional mostrando os trabalhos dos irmãos: portaria, enfermaria, marcenaria, sapataria, padaria, alfaiataria etc. Então, comecei a pensar: “Isso é para mim!”. Quando terminei o curso primário estava com 14 anos, os padres de Santo Amaro apareceram e me perguntaram se eu gostaria de ir para Rio Negro. Eles já sabiam que eu tinha me decidido praticamente a ir a um juvenato para candidatos a irmãos. Disse a eles: “Quero!”. Então disseram: “Arrume-se e amanhã vamos para lá!”. O empurrão final veio quando Frei Daniel Bernardi, irmão que trabalhava no juvenato na famosa Casa Azul veio me buscar pessoalmente em casa e o acompanhei ao Juvenato Frei Fabiano de Cristo em Rio Negro (PR). Cheguei lá em 54 e passei três anos neste período do juvenato, onde éramos em 23 alunos. E eu fui indo, indo, indo... Ninguém me disse “você não presta” e continuei. Fiz a profissão simples, a profissão solene, já morando em Agudos, e estou aqui até hoje.

Site Franciscanos – Na fase seguinte, como foi seu ingresso na Ordem?
Frei José Lino
Tinha  17 anos, quando em 1957, fiz o noviciado em Rodeio (SC) como irmão terceiro. Hoje, não existe mais essa forma de admissão. No ano seguinte, em 58,  o governo provincial me transferiu para o Seminário de Agudos, porque como terceiro professo teria de cumprir um juvenato de três anos, onde trabalharia na copa e na cozinha. Nessa época, colocávamos toda a louça do refeitório dos alunos e os alimentos nos carrinhos que serviam as refeições, além de lavar todas as louças e utensílios. É importante lembrar que na época havia mais de 320 seminaristas. Mas não cheguei a ficar muito tempo em Agudos e o  Ministro provincial, Frei Heliodoro Müller, transferiu-me para o Seminário de Rio Negro (PR), onde moravam outros irmãos terceiros. Cheguei lá em 59 e fiquei até abril de 1961, quando retornei para Rodeio, onde fiz um ano de noviciado, agora para ser admitido na 1ª Ordem. Em maio de 62, fiz a profissão simples e o Definitório me transferiu, junto com os irmãos de votos simples, para Agudos. E aqui estou, seguidamente, desde 1962. Ou seja, 46 anos seguidos.

Site Franciscanos – O sr. já era marceneiro?
Frei José Lino
Quando eu cheguei em Rio Negro (59), fui trabalhar na marcenaria, com o velho Frei Bernardo Kleuver (+ 1977), um alemão que estava com os seus 70 anos. Ajudei e aprendi com ele durante um ano e três meses. Em Rodeio, continuei trabalhando neste ofício, pois o prédio do Noviciado estava em reforma. A gente fazia o que podia sem máquina nenhuma e algumas ferramentas manuais. Depois da profissão solene, em Rio Negro, meus colegas de turma foram para outros lugares e eu voltei para Agudos, pois só tinha um marceneiro aqui, o Frei Cosme Klettenberg, que mais tarde voltou a se chamar Sebastião, o seu nome de batismo. Ele me ensinou muito. E me fez entrar para a profissão, pois marceneiro é uma profissão qualificada. A gente tem de aprender mesmo. É quase uma arte. Quando desativaram o Seminário de Rio Negro, aquilo ficou sendo uma espécie de juvenato para os irmãos. Estava lá o Frei Cosme para incentivar os irmãos pela marcenaria e todas as oficinas, porque o trabalho dos irmãos era especificamente manual e, vamos dizer, artesanal. Este era o objetivo além da formação franciscana. Ele foi para ficar no lugar de Frei Bernardo, mas acabou desistindo. Depois ficou o Frei José Rochinski (+1998), mas também desistiu. Em 67, tudo acabou com o fechamento definitivo do seminário.           

Site Franciscanos – Hoje, há espaço para profissões como a marcenaria?
Frei José Lino
A mentalidade é diferente. Acham que não é mais necessário. Hoje, se você quer um sapato, vai até a loja e compra; se precisa de um eletricista, é só chamar; como é só ligar e chamar um encanador; se precisa de um móvel bom, vai a uma boa marcenaria e encomenda-o. Mas tudo tem o seu custo. Na nossa época, os irmãos formavam quase que um feudo, pois dependiam muito pouco de fora.

Site Franciscanos – É um trabalho que requer muita dedicação
Frei José Lino
Muito capricho e dedicação. É um trabalho, vamos dizer assim, autônomo. Não é necessário terminar hoje, mas tenho de caprichar. Fazer bem feito e com resistência. Aqui, tem de se fazer o móvel à prova de alunos (risos). O ponto fraco do móvel você tem de reforçar se não eles quebram. Não é como lá fora, que compra um móvel, puxa a gaveta três vezes e a tampa fica na mão... Aqui tem que durar, porque se acontecer o contrário vai dar prejuízo para nós. Antigamente, a “santa pobreza” (faz os gestos de aspas com as mãos) não podia ser violada. Mas hoje em dia é diferente. Gosto muito deste trabalho, mas hoje sou jubilado e não tenho mais as forças que precisava ter. A gente reconhece as fases da vida e chegou a minha vez de ir declinando. Na oficina, faço tudo o que é móvel e sempre que é necessário. Gosto muito de trabalhar e sinto-me feliz quando estou ocupado o dia inteiro. Gosto das coisas bem feitas, mas não sou perfeccionista. 

Site Franciscanos – O sr. trabalhou como marceneiro só para Agudos?
Frei José Lino
Após o ano de 1975, trabalhei esporadicamente para outras casas da Província, fazendo móveis ou consertos, como Petrópolis, Rio (Convento Santo Antônio e Ipanema), e fiz os móveis da ala nova do Seminário de Ituporanga. Neste último, trabalhei vários meses. Tenho sempre muitos pedidos para trabalhar em outras casas, mas hoje o Seminário de Agudos precisa de muitas reformas e conservação e não tenho mais esta disponibilidade.

Site Franciscanos – O sr. teve a oportunidade de ensinar este ofício?
Frei José Lino
Eu passei para o Frei Osmar Dalazen. Ele trabalha comigo há 15 anos, desde 1990. Ele é um bom marceneiro. Aprendeu direitinho e faz tão bem feito ou melhor do que eu agora. Porque arrefeci. Ele não. É no capricho sempre. Ele aprendeu perfeitamente e também gosta do serviço. Só que o Definitório o colocou como administrador da fazenda também. Então, o prioritário dele é lá. Mas ele ainda continua ajudando em trabalhos maiores e mais pesados. Assim, ele me ajuda na pausa que tem. Só para você ter uma idéia, ele cuida do mel (apicultor), toda a administração da fazenda, tem o gado, o reflorestamento, tem a pastagem, tem tratores, todo dia tem novidades com os empregados e por aí vai. No ano passado, recebi o Frei Enéas Marcelo Prestes de Oliveira. Ele também gostava desse trabalho, mas tinha muitas outras qualidades como eletricidade, eletrônica e informática. No final do ano, pediu licença. Eu tenho esperança que ele volte.

Site Franciscanos – O sr. teve o privilégio de ver este Seminário lotado, com mais de 300 alunos?
Frei José Lino
Muito mais. De 320 a 330 ficou durante uns dez anos. Num único ano, chegou a 360. Não sei que propaganda vocacional fizeram nesta época para encher o seminário! Na época, Frei Onésimo Dreyer (+1996) era o diretor e faltaram armários para tanta gente. Então, ele mandou vir de São Paulo um marceneiro leigo para me ajudar. Em um mês, fizemos 40 armários a mais para os meninos. Era bonito de se ver. Parecia que tinha festa todo dia. Hoje, a gente estranha o silêncio no prédio [atualmente estudam no seminário 38 alunos]. Você não vê quase os meninos. Eles têm o tempo tomado com matérias curriculares e somente às segundas e quintas  têm uma hora de trabalho.

Site Franciscanos – Por que o sr. acha que o seminário tem poucas vocações hoje?
Frei José Lino
Eu já ouvi apontar muitos motivos: as famílias são menos numerosas; os estudos são mais fáceis lá fora; e a sociedade mudou muito. O trabalho vocacional do governo provincial está bom. Tem até dois procuradores vocacionais. Eles não faltam nos eventos, não faltam folhetos, mas eu penso que os frades de cada comunidade deveriam se empenhar mais, pois é destas comunidades que vinham vocações para os seminários. Hoje, em muitos locais, não temos mais nenhum candidato. O trabalho tem de começar na paróquia, na comunidade. Eles, os frades desta fraternidade, têm de dar o exemplo. A gente nota logo quando tem um procurador local que se interessa. Por exemplo, o nosso Frei Nazareno Lüdtke, quando estava em São Paulo, sempre mandava 5 ou 6 candidatos para o seminário. Quando chegou aqui, formou um grupo de 10 a 15 meninos, que vêm de outras paróquias que nem são franciscanas. Ele sozinho faz o trabalho para muitas paróquias. Os vocacionados têm de ver os frades nas comunidades. Se eu não tivesse visto os frades em Santo Amaro, não estaria aqui. Seguramente.  É o exemplo e a presença que marcam os vocacionados. Mas a boa presença, não o frade prepotente. Para isso, o hábito franciscano é uma referência. Lembro sempre de Frei Silvestre Bremes (+ 1970), na cozinha, de avental, cozinhando. O Frei Pacífico Hillesheim (+ 2006) atendia a portaria, a secretaria, fazia todos os livros, a sacristia e batia os sinos. Os padres saiam a cavalo e só voltavam depois de um mês de peregrinações.  Chegavam e encontravam tudo arrumado. Os irmãos eram uma presença em casa. Essa forma de vida me encantou e me levou à escolha. De antemão, sabia que não tinha vocação para ser padre. Queria trabalhar e ser útil dentro de um convento.

Site Franciscanos – Tanto tempo numa casa de formação, o sr. conhece e formou a maioria dos frades da Província?
Frei José Lino
Conheci o Frei Augusto [Koenig, o atual ministro provincial] quando menino. Conheci bispos, como Frei Severino, o Figo (Sebastião Figueiredo), o Frei Uli, o Frei Bosco. O Frei João Bosco conheci menino mesmo, voz de criança. O Uli também era menininho. Já Dom Fernando Figueiredo foi colega de Noviciado. No Seminário, convivi com grandes professores, como Frei Reinaldo Müller + 1971), Frei Onésimo Dreyer, Frei Gabriel Wzorek (+ 1980), Frei Marino Prim, Frei Gregório Johnscher (+ 2005). Aliás, Frei Gregório era muito simples, mas extremamente metódico. Alguns tive como professor, porque fui aluno aqui.

Site Franciscanos – Quando foi isso?
Frei José Lino
Quando cheguei aqui, depois da profissão solene, só então fui fazer o  1º Grau, da 4ª à 8ª séries. Foi nesse período que peguei todos esses professores. Nós éramos em 5 ou 6 alunos e resolvemos: “Vamos fazer o ginásio também. Nós nem sabemos nos expressar bem”. Tivemos de fazer o exame de admissão para ingressar no ginásio. Na época, Frei Agostinho Piccolo era o diretor. E fomos estudar com os meninos. Precisa ver como nós nos dávamos bem com eles. Éramos um pouco a referência para eles. Ou seja, nós é que sabíamos tudo. E tínhamos de saber, não podíamos fazer corpo mole (risos). Tínhamos que dar o exemplo. Tiramos a 8ª série e resolvemos parar porque a gente trabalhava e pesava muito. O serviço se acumulava. Mas eu criei o gosto pela leitura e sei escrever um pouco melhor. Aprendi um pouco de inglês também. Quer dizer, eu deveria saber mais. Estudei durante quatro anos, mas pensava “tem tanta coisa boa para se ler em português, vou estudar inglês pra quê?” Mas me arrependi depois quando tive de fazer a minha primeira viagem para o exterior. Cadê o meu inglês? Ficou lá para trás. A matemática me ajudou na marcenaria, porque você tem que calcular primeiro, tudo bonitinho, porque lá no fim tem que dar tudo certo. Se não, começa a errar e a jogar o material fora.

Site Franciscanos – Todos professores eram frades no Seminário?
Frei José Lino
Sim, todos frades e padres e com títulos para lecionar o 2º Grau. O único leigo que havia era o professor Darci De Lazari, que era o secretário da escola. Desde que saiu da faculdade até se aposentar, ele ficou neste cargo. Ele era também professor de Educação Física. Mas todos os frades eram dedicados e tinham uma especialização, como o Frei Onésimo, que era astrônomo e matemático; o Frei Gabriel, que também era astrônomo; e o Frei Gregório tinha um telescópio também. Eles sabiam como exigir do aluno. E exigiam... Eu lembro que estudei “pra cachorro”. Tinha 7 ou 9 matérias por ano. Não tinha tempo à tarde para estudar. Da 1 hora até às 6 da tarde, eu só trabalhava. Parava para jantar. Por sorte não tinha televisão na época, então  pegava meus livros e estudava até 10h30 da noite. Todo santo dia! Só assim conseguia ficar em dia com as matérias escolares. Hoje, a TV tira muito o tempo do aluno. E tem mais: os professores mandavam fazer muitas pesquisas e ler livros para fazer resenhas. E o professor não pedia uma resenha qualquer não. Os livros tinham de ter mais de 300 páginas. Não adiantava reclamar. Para dar conta, eu usava os domingos. Ficava o dia inteiro lendo e fazendo a resenha. Hoje, os meninos chegam à faculdade sem saber conhecer e saber escrever nossa língua.

Site Franciscanos – O Sr. falou que fez uma experiência na Terra Santa. Como foi?
Frei José Lino
Fiz a experiência em 98. Estava receoso porque nunca tinha viajado para o exterior, mas o definidor chegou e disse “você vai agora!”. Aí eu fui. E gostei. Passei 27 dias na Terra Santa e mais cinco em Roma e Assis. Isso porque a última turma havia sugerido esses cinco dias em Roma. Frei Ivo Müller deu um jeito de conseguir hospedagem no Antoniano e pudemos fazer isso. Que beleza é Assis! Toda a cidade velha está conservada, assim como São Damião, que São Francisco ajudou a construir e Santa Clara residiu lá. Que beleza a Basílica Patriarcal, que é cuidada pelos conventuais, e pelos frades menores, que também cuidam de São Damião, Santa Maria dos Anjos e Monte Alverne. Mas o que me impressionou foi a capelinha da Porciúncula, que é muito bonita.

Site franciscanos – Que mensagem o Sr. deixa para os mais jovens?
Frei José Lino
Eu sempre penso assim: dedique toda a sua vida em benefício de seu irmão. O resto virá por acréscimo. Eu sempre procurei fazer isso. Se alguém me pede qualquer coisa, às vezes digo “não dá”, mas acabo indo atrás dele, arrependido. Digo: “Pode deixar que  faço!”. Não deixo ele sem se alegrar, mesmo que seja uma bobagenzinha. Para ele é o máximo, não é?

Site Franciscanos – Viver em fraternidade é um grande desafio?

Frei José Lino
Sim. Muito. São os irmãos que o Senhor me deu, disse São Francisco. Só que às vezes eu penso: “Mas tem alguns irmãos que não foi o Senhor que deu. Não é possível”! Então, eu tento me humilhar e ajeitar do modo dele e acabou. A gente não escolheu, não é? Não somos consangüíneos, não há nenhuma ligação de afetividade natural. Aqui, o “meu eu” tem de ficar lá fora. A gente tem de ser bom sempre. Mesmo com nossos limites,  procuro ser bom sempre. Eu nunca digo uma palavra amarga para ofender alguém. Eu faço minhas brincadeiras, mas não humilho ninguém. Enfim, não sou nenhum modelo de perfeição e de muita reza. No entanto, tenho de perseguir a perfeição, que sempre será um ideal, uma utopia.

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