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       São Paulo, 07/09/2008, 18:58          
 

Dom Diamantino pede a Frei Adriano:
“Fale com a simplicidade dos pobres para eles entenderem e acolherem a Palavra que gera vida em plenitude”

Por Moacir Beggo
São Lourenço (MG)
– A homilia de Dom Frei Diamantino Prata foi um dos momentos marcantes na ordenação presbiteral de Frei Adriano Dias do Nascimento, no final da tarde deste sábado (17/5), em São Lourenço (MG). O tema escolhido pelo novo presbítero da Província da Imaculada Conceição - “Fala Senhor que teu servo escuta” – forneceu inspiração de sobra para o bispo franciscano de Campanha (MG).

A bela Igreja Matriz de São Lourenço Mártir, onde até 2004 os franciscanos da Província da Imaculada estiveram por 70 anos, estava lotada uma hora antes do início marcado para as 17 horas. Dom Diamantino presidiu a celebração, que contou com a presença do Vigário Provincial, Frei Vitório Mazzuco Filho, mais de 30 frades e postulantes da Província, sacerdotes e seminaristas da Diocese de Campanha.

Com precisão, clareza e densidade, Dom Diamantino abriu a homilia, citando o lema tirado de 1Sam 3,10, e lembrou que essa Palavra não é apenas uma articulação vocal. “Essa Palavra é, sobretudo, vida. Vida que se faz presença e ação em nossa história”, disse, lembrando que Samuel tinha a mediação de Eli, que Maria tinha a mediação do anjo e que temos, na nossa história, tantas mediações que nem prestamos a atenção. “Elas estão aí para serem acolhidas e refletidas por nós, para levarmos a sério que essa Palavra seja vivida em plenitude na minha vida, na nossa vida, na nossa história”, acrescentou.

Em seguida, Dom Diamantino citou o evangelista João - “Deus amou tanto o mundo que nos deu o seu Filho Unigênito” – para enfatizar que essa Palavra vem nos revelar esse amor de Deus, que é doçura e misericórdia. “Mas Deus também se serve de nós para continuarmos a obra de seu filho”, disse. O bispo franciscano lembrou do conhecimento profundo que tinha Santo Antônio da Bíblia, assim como São Francisco de Assis, que fazia do Evangelho seu modo de vida. “Temos não só de manusear a Bíblia, mas ajoelhar-se diante dela”, enfatizou.

Dom Diamantino, então, passou a falar do papel do presbítero e recordou que Frei Adriano era ordenado para o serviço. “Ser padre é servir. Servir a Palavra, servir os Sacramentos, servir à caridade. Todos nós estamos contentes com a Palavra do Evangelho, a boa notícia do Senhor, para levar a alegria, para levar o consolo, para transmitir a misericórdia, para comunicar aquilo que é essencial no cristianismo, que é o amor. Pois Deus amou tanto o mundo que nos deu o seu Filho Amado. É por isso que estamos aqui. Não é porque o Adriano é bonito, não é porque ele é sábio, eficaz naquilo nas suas atividades, não! É por misericórdia de Deus. É por graça de Deus. Nós estamos aqui para impor-lhes as mãos e conferir este ministério”, explicou.

Dom Diamantino enfatizou que o ministério é um serviço de profunda dedicação “não só nas horas alegres, quando nos aplaudem, mas também nas horas tristes, quando nos caluniam, quando nos criticam, quando nos perseguem. E aí nós vamos mostrar se somos fiéis à Palavra, se somos realmente perseverantes e coerentes naquilo que assumimos no nosso ministério”.

Dom Diamantino explicou que no rito da celebração iria dizer a Frei Adriano “conforma a tua vida com o mistério que celebra”. “Conformar a nossa vida à paixão e cruz de Jesus não é fácil. Mas nem por isso nós recuamos”.
“Meus irmãos, ao celebrarmos este rito sacramental, nós queremos também acolher a missão porque pelos batismo todos participamos deste mistério de Jesus Cristo. Também somos chamados a ser profetas como Sanuel. Nós também somos chamados a participar do sacerdócio comum dos fiéis, oferecendo nossos corpos e nossas vidas a Deus. Nós somos chamados a ser pastores, engajando-nos nas muitas tarefas que nos são confiadas na comunidade. Então, nós todos temos de entender a profundidade do mistério de Jesus Cristo, sobretudo a sua encarnação e a sua paixão redentora, para podermos participar da glória da ressurreição”.

Dom Diamantino lembrou que conhecia Frei Adriano desde criança quando ainda er coroinha na Igreja Matriz de São Lourenço, onde foi pároco. Falando diretamente ao novo presbítero disse: “Você é um homem alegre, um homem de paz. Por onde passar, comunique essa alegria, essa paz, sobretudo, essa profunda fraternidade que a todos nos une em Jesus Cristo e São Francisco de Assis”, aconselhou o bispo.

Frei Adriano é irmão de Frei Alessandro, que vai professar solenemente na Ordem Franciscana no próximo dia 2 de agosto. “Chamava-me a atenção, particularmente, o fato de os frades viverem em fraternidade e terem um modo de vida simples”, conta Frei Adriano, filho de Marlene e Afonso Rodrigues do Nascimento. Na celebração, além dos pais sentados no primeiro banco, estava o seu irmão-caçula, Fernando.

No final da homilia, Dom Diamantino voltou ao tema escolhido por Frei Adriano e desejou a ele felicidade no novo ministério. “Anuncie a palavra, não com a eloqüência dos sábios e entendidos, mas com a simplicidade dos pobres. Assim os pobres vão também acolher a sua palavra, a Palavra que faz carne em você e vai também, aos poucos, gerando vida e vida em plenitude”, completou.

Frei Adriano começou sua formação franciscana com 19 anos, quando ingressou no Aspirantado de Luzerna, em 1998. Em 2000, tornou-se frade menor ao ingressar no Noviciado de Rodeio (SC). Em 2005 fez a profissão solene e foi ordenado diácono no ano passado, no dia 21 de abril. Atualmente reside no Convento e Santuário da Penha, em Vila Velha (ES), onde deverá continuar depois de ordenado. Frei Adriano celebrou a primeira missa neste domingo, às 10 horas, na Matriz de São Lourenço e teve como pregador Frei Ludovico Garmus, seu professor de Exegese durante os estudos de Teologia em Petrópolis.

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