Por José Wolney Santos, especial para o site (*)
O Tema “Fraternidade e Vida” não é uma novidade na história da Campanha da Fraternidade. A vida já foi tema e lema diversas vezes das campanhas.
A insistência no tema deve-se ao fato de não termos alcançado todos os objetivos das Campanhas anteriores. Pior que isso, as ameaças a vida tornaram-se ainda maiores nos últimos tempos. As ameaças de todo o tipo. Desde as que desejam impedir que uma criança venha ao mundo até as que apresam a morte. E pelo meio, durante a vida, a fome ainda mata milhões de pessoas a cada ano; jovens são mortos nas periferias, por envolvimento com negócios ilegais, por puro preconceito ou por viver uma vida desregrada; trabalhadores são levados à escravidão ou são obrigados a trabalhar tão pesado que morrem muito cedo; guerras para defender interesses matam soldados e muitos civis; multiplicam-se as doenças ligadas aos produtos químicos presentes nos alimentos, no ar que se respira e na água que se bebe... para rematar, todas as formas de vida existentes no planeta estão ameaçadas pelo aquecimento provocado pela queima de petróleo, gás e carvão, todos produtos fósseis tirado do ventre da terra.
É por isso que o objetivo geral dessa CF é levar a Igreja e a sociedade a defender e a promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural.
Como de costume, o Texto Base da Campanha da Fraternidade nos é apresentado através da metodologia VER, JULGAR e AGIR. A primeira parte, O VER, foi intitulada de Entre a cultura da vida e a cultura da morte e está subdividida nos seguintes tópicos: 1 – A pessoa humana e a cultura de morte; 2 – vida, afetividade e sexualidade; 3 – A vida não nascida; 4 – A vida, o sofrimento e a morte; 5 – A sociedade e as ameaças a vida; e, 6 – As ameaças a vida e ao meio ambiente. O JULGAR recebeu o título de Deus indica o caminho da vida e nos propõe reflexões com iluminação bíblica acerca dos fatos já apresentados para que possamos discernir entre os caminhos da vida e da morte. Por fim, devemos (AGIR) em defesa da vida.
Para dinamizar nossa reflexão acerca do assunto utilizaremos trechos da música “O que é, que é”, de Gonzaguinha.
E a vida? E a vida o que é diga lá, meu irmão?...
Ao que parece o cantor e compositor Gonzaguinha, assim como nós, queria encontrar uma definição para o verberte vida. Isso porque, como podemos perceber claramente na letra da música, o substantivo abstrato vida tem uma carga semântica muito forte. Perceba que o compositor lança mão de 05 (cinco) opiniões diferentes para tentar definir o que venha a ser vida. Mas de fato o que é vida?
O Dicionário Aurélio define vida como sendo estado de atividade dos animais e das plantas; união estável do corpo com a alma; tempo que decorre entre o nascimento e a morte, existência. Francisco Varela e Humberto Maturana definem vida como sendo um sistema autopoiético (que se gera a si próprio) de base aquosa, limites lipoproteicos, metabolismo de carbono, replicação mediante ácidos nucleicos e regulação proteica; já Stuart Kauffman define-a como um agente ou sistema de agentes autónomos capazes de se reproduzir e de completar pelo menos um ciclo de trabalho termodinâmico; por fim, Robert Pirsig define ser vivo como tudo o que maximiza o seu leque de possibilidades futuras, ou seja, tudo o que tome decisões que resultem num maior número de futuros possíveis, ou que mantenha o maior número de opções em aberto.
Não podemos esquecer a definição científica da coisa. Segundo a wikipédia, uma enciclopédia virtual, para considerar cientificamente que algo é um ser vivo é preciso que ele exiba todos os seguintes fenômenos pelo menos uma vez durante a sua existência:
- Crescimento.
- Metabolismo, consumo, transformação e armazenamento de energia e massa; crescimento por absorção e reorganização de massa; excreção de desperdício.
- Movimento, quer movimento próprio ou movimento interno.
- Reprodução, a capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria.
- Resposta a estímulos, a capacidade de avaliar as propriedades do ambiente que a rodeia e de agir em resposta a determinadas condições.
Se nos limitarmos aos organismos terrestres, podem-se considerar alguns critérios adicionais:
- Presença de componentes moleculares como hidratos de carbono, lípidios, proteínas e ácidos nucleicos.
- Requisito de energia e matéria para manter o estado de vida.
- Composição por uma ou mais células.
- Manutenção de homeostase.
- Capacidade de evoluir como espécie.
Ela é a batida de um coração?
Quando começa a vida humana? Começa no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo, como defende a professora Claudia Batista, doutora em neurociência da Universidade Federal do Rio de Janeiro? Ou quando o óvulo fecundado adere à parede do útero, como quer o neurofisiologista Luiz Eugênio Mello, da Universidade Federal de São Paulo? Ou será que a vida começa quando aparecem as primeiras terminações nervosas que resultarão no cérebro, como advoga a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, que buscou definir a vida no reverso da vida – a morte. Se a vida termina com a morte encefálica, por que ela não pode começar com o início das atividades cerebrais? Estas e outras questões permearam a seção do STF recentemente, com o intuito de subsidiar a lei de biossegurança, em vigor desde março de 2005. O debate no STF durou o dia inteiro e, naturalmente, não chegou a um consenso, mas ajudou a jogar um pouco de luz sobre uma das questões mais profundas da filosofia: a gênese da vida..
É o sopro do Criador
A CF 2008, além de toda a doutrina da igreja que a permeia, baseia-se quase que exclusivamente em dois documentos: Evangelium Vitae e o Documento de Aparecida. O primeiro diz que no mundo atual, práticas de violação à vida são praticadas, consideradas lícitas e desejadas, pois a consciência perdeu o poder de distinguir entre bem e mal, por isso no aborto vemos uma nova vida como sinal de desesperança e na eutanásia matar é visto como ato de amor. Ratificando o exposto, o Documento da V CELAM (Conferência Episcopal Latino America e Caribe) sintetiza: o uso reduzido da razão nos impede de compreender o que venha a ser verdadeiramente o amor, desta feita não conseguimos perceber a sacralidade e dignidade da vida humana.
Você diz que é luta e prazer
A grande querela da CF, ao que nos parece, sobretudo para os jovens, é a questão da sexualidade. Como o tema é amplo, e também devido ao nosso carisma, muitos irão se arvorar em torno da defesa do meio ambiente, outros denunciarão as causas que geram pobreza, e haverá ainda os que buscarão soluções para a questão da violência, mas quando chegar neste tópico vão querer que a igreja se adéqüe a onda do momento.
A igreja reconhece que todos os seres humanos nasceram para amar e serem amados. Em nenhum outro momento da história as pessoas estiveram tão livres para amar como hoje em dia. Mas parece até mais difícil encontrar a felicidade no amor, pois o amor – para realizar-se plenamente – deve crescer num processo educativo, onde o impulso erótico (desejo pelo outro), evoluí até o ágape (realização de si na doação ao outro).
Como nos disse os documentos acima, o capitalismo conseguiu nos “coisificar” de tal forma que achamos e queremos fazer do outro “coisa” também. Há outra explicação convincente para o ficar? Pode até parecer idiótico, mas quem nunca declamou a frase “Se amar é viver, vivo porque amo você? Por mais pueril que a frase seja, ela tem um “que” de realidade, ela aplica-se perfeitamente a definição de Robert Pirsig (vide página 1). No ficar não existe sentimento. É momento, atração, instinto.
No mundo atual coisas e pessoas passam a ter valor na media em servem a nossos objetivos particulares. Esta mentalidade dominante nas relações é a do usar e descartar quando não serve mais. Não podemos fazer das pessoas tubos de pasta de dente que são descartados após o uso.
A proposta da igreja que parte da visão integral da pessoa, considera o “compromisso entre afetividade e sexualidade”. Esta proposta entende a sexualidade vinculada à vida afetiva, assumida na busca do seu sentido, no diálogo interpessoal e na capacidade de dar respostas existenciais livres dentro de um projeto de vida. Pois as demais propostas limitam-se a dar informação e distribuir recursos contraceptivos, sem ao menos preocupar-se com a educação para uma vida afetivo-sexual integral.
Existem muitos programas educativos bem-sucedidos que trabalham a idéia da visão integrada entre afetividade e sexualidade e incluem o uso de métodos naturais, e é importante perceber que reduzir a o problema à distribuição de recursos preventivos leva à desobrigação das pessoas com relação a sua sexualidade, comprometendo todo o seu ser. Da mesma forma deve-se atentar ao fato de que os programas podem ser eficientes ou ineficientes dependendo do contexto no qual são executados. Assim, a reflexão sobre os programas sempre deve incluir seu aspecto ético e as formas adequadas para sua implementação, por isso é importante levar em consideração a questão da abstinência e da fidelidade como caminhos para uma vida sexual saudável e satisfatória.
A nossa postura enquanto cristãos-católicos-franciscanos é fazer valer o que nos orienta o nosso Sumo Pontífice. Omitir-se ante esta cultura de morte ou praticá-la sob a alegação de arcaísmo da Igreja é tão puramente cometer um pecado contra fé: “A dúvida voluntária sobre a fé negligencia ou recusa ter como verdadeiro o que Deus revelou e que a Igreja propõe crer. A dúvida involuntária designa a hesitação em crer, a dificuldade de superar as objeções ligadas à fé ou ainda a ansiedade suscitada pela obscuridade da fé. Se for deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito” (§ 2088 do Catecismo da Igreja Católica). È bom destacar que São Francisco, mesmo discordando de algumas práticas da Igreja de sua época, nunca a afrontou nem criticou, mas sempre respeitou as ordens emanadas pelo Papa e pelos Bispos.
“Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (I Cor 6,12)
Ela é alegria ou lamento?
Seguindo o raciocíno do tópico anterior, devemos ter muito cuidado com nossa sexualidade, pois os instantes de alegria de agora podem ser momentos de lamento depois.
É por não cuidar de sua sexualidade da maneira devida e pelas falhas dos metódos anticoncepcionais que muitas mulheres, de diversas idades, mas, sobretudo jovens e adolescentes estão procurando cada vez mais as clínicas de aborto.
O aborto não é um problerma meramente religioso, é um problema Jurídico (Nega os Direitos Humanos), Médico (Mata um ser humano, Adoece ou mata a mulher), Ético (Discrimina seres humanos) , Científico (Seus objetivos a serviço da morte), Social (Desumaniza e desestrutura a sociedade, Descontrole populacional e Aumenta a violência) e Factual (Não diminui o número de abortos, Não diminui a mortalidade materna e Não dignifica a mulher).
Como nos dissera os documentos em comento (Evangelium Vitae e Documento de Aparecida), há uma deturpação do entendimento de algumas pessoas em algumas questões. Artigo 5º da Constituição Federal define a inviolabilidade da vida humana, e não de qualquer vida. No mundo animal, da prosaica pulga à assustadora sucuri amazônica, a vida se limita às funções biológicas. No caso dos humanos, porém, o conceito de vida, além das funções biológicas, inclui a consciência, a capacidade para raciocinar, escolher, decidir – enfim, tudo aquilo que nos torna vivos e únicos. Nessa hipótese, um embrião não seria dotado de vida humana, pois não tem consciência nem raciocina. Essa analogia é do filósofo Peter Singer, que há pouco deu uma entrevista à revista VEJA.
É com esse pensamento que há 16 (dezesseis) anos tentam aprovar o projeto lei 1135/91 que visa legalizar o aborto até a 20ª semana de gestação sob o pretexto de preservar a mãe, pois muitas mulheres trazem seqüelas ou morrem devido a práticas abortivas ou por se submeterem a abortos em clínicas clandestinas. De acordo com essa linha de pensamento, o aborto é dos males o menor e a prática, e só nasceriam crianças amadas e planejadas e o Sistema de Saúde se responsabilizaria por abortar gratuitamente e de forma segura, as crianças “as indesejáveis”, para aqueles que não dispusessem de um plano de saúde para tal. O aborto, desta forma, tornar-se um caso de saúde pública, mas será o que o Estado está preocupado com as mulheres que morrem em decorrência de abortos ou alguém lucraria com tais procedimentos cirúrgicos?
Para a igreja o aborto é crime em qualquer situação, em muitos lugares do mundo ele é permitido, mas para no Brasil, só é permitido nas seguintes hipóteses: Em caso de estupro ou para salvar a vida da mãe. Caso contrário em crime previsto no código penal, artigo 128.
Se por um lado há pais que não querem seus filhos, há aqueles que lutam de todas as formas possíveis para cumprir o ordenamento Bíblico Crescei e multiplicai. Eles laçam mão de aparatos científicos para realizar seus sonhos de paternidade/maternidade. È a chamada reprodução assistida, in vitro, cujo fruto é comumente chamado de bebê de proveta.
O grande problema da fertilização “in vitro” é que um n° muito maior do que o necessário de óvulos tem que ser fertilizado para que o procedimento dê certo, porém sempre acaba sobrando óvulos fecundados, embriões, e o que vai se fazer com eles? Há quem queira usá-los em experiências como a do projeto genoma humano ou das células tronco e há os que queiram descartá-los após um tempo. E como vimos, se a vida começa na fecundação então estes embriões já são seres vivos e não podem ser “descartados”.
Enquanto isso, os que têm vocação para a maternidade/paternidade querem uma certeza de que seus filhos nascerão saudáveis. A manipulação de embrião no ventre materno com intuito de manipular suas características genéticas recebe o nome de eugenia e visa determinar a cor da pele, dos olhos e do cabelo do bebê e o sexo do bebê, além de impedir que a criança nasça com qualquer tipo de doença congênita. Em resumo, é a solução da ciência mercantilista, mercadológica, para pais “ansiosos, super-protetores” – um novo tipo de nazismo.
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte
Reflitamos sobre a história abaixo:
“ Certo dia um homem, ensimesmado com seus problemas, passeava pela Orla de uma praia, alheio ao que acontecia ao seu redor. De repente, entre lamúrias e reclamações, tropeçou em saco que estava cheio de pedras. Isso o entristeceu ainda mais, e, como que para estravasar os sentimentos que possuía, passou a jogar pedra por pedra daquele saco nas águas da praia. Entre maldições e críticas à própria vida jogou pedra após pedra até que se deu conta de que já era noite e percebeu que só resta uma única pedra. Aguardou esta unica pedra no bolso e foi para sua casa. Em casa, ao assistir o telejornal, descobriu que uma quadrilha roubou de um colecionador uma coleção de pedras semi-preciosas, e que esta coleção foi abandonada próximo à orla onde ele se encontrava. Noticiou também o Telejornal que as pedras só tinham valor se estivessem todas reunidas e que o proprietário pagaria uma enorme quantia àquele que as devolvesse. Neste momento o ensimesmado meteu a mão no bolso e mais uma vez pôs-se a maldizer a si próprio, pois havia encontrado um tesouro e o jogou fora”.
Por analogia, podemos definir que os suicídas são iguais ao ensimesmado da estória. Pois ele acaba com o bem mais precioso que possui: a vida. Há uma grande diferença entre morte e morrer. Para a CF, morrer é um processo natural, veja como Marcelino morreu. Esse processo natural recebe o nome de Ortonásia.
Um novo tipo de suícida, surgiu na década passada e vem aumentando a cada dia. São os suícidas – homicidas coletivo. Há quem os queira chamar de serial killer, mas o modus operandi deles não se enquadram no de um Serial Killer. Na verdade eles matam muita gente de uma só vez e de depois se matam. Geralmente a tragédia se dá em locais públicos, como universidades. Os EUA são campeões desse tipo de tragédia, e atualmente disputa o ranking com os homens bombas. Estes cometem tal atrocidade por questões político – religiosas, enquanto as autoridades do outro país ainda tentam descobrir a razão de tantos incidentes em tão pouco.
Por que uma pessoa se mataria e mataria a seus amigos e professores? Seria falta de instrução, amor, dinheiro? Ninguém sabe ao certo, mas é certo que a facilidade de aquisição de armamento no país modelo é imensa e isso contribui para que os homicídos ocorram. E como os Estados unidos tem que ser imitado, em breve todos os brasileiros terão direito ao porte de arma.
Paralelo ao sucídio e um pouco parecido com o homicídio está a eutanásia. Como nos disse o documento de Apericida estamos acostumados a inverter valores para nos beneficiar. Por exemplo, por não queremos usar capacete, por possuir ou não querer comprar, alegamos que os bandidos se escondem atrás de um capacete para cometer seus delitos. Por que ninguém deixa de andar de moto já que os bandidos que usam capacete estavam motorizados? Na Eutanási julgam estar fazendo o bem pois comentem o homícidio com pessoas que já estão com “seus dias de vida contados”.
Ao contrário da eutanásia, existe a distanásia que busca prolongar, de forma dolorosa e muitas vezes por questões financeiras,a vida de alguém que já está sofrendo muito. Mistásia é também conhecida como eutanásia social e pode ocorrer em três situações: primeiro, a grande massa de doentes e deficientes que, por motivos políticos, sociais e econômicos, não chegam a ser pacientes, pois não conseguem ingressar efetivamente no sistema de atendimento médico; segundo, os doentes que conseguem ser pacientes para, em seguida, se tornar vítimas de erro médico e, terceiro, os pacientes que acabam sendo vítimas de má-prática por motivos econômicos, científicos ou sociopolíticos. A mistanásia é uma categoria que nos permite levar a sério o fenômeno da maldade humana.
O que deve ficar para nós é a experiência de Jó que mesmo no sofrimento, nunca maldisse a Deus.
Ela é maravilha ou é sofrimento
A vida não tem sido fácil para muita gente. Chegamos ao século XXI e muitas crianças ainda são obrigadas a trabalhar para ajudar suas famílias a sobreviverem, e deixam de estudar por causa disso. Muitas dessas crianças são maltradas, superexploradas, e com isso, sua vidas são colocadas em risco junto com o roubo do direito de ser criança.
Ao chegar à juventude, quais as chances de dar o passo da autonomia, da constituição de uma família? Isso depende da possibilidade de um trabalho ou emprego que gere rendea com estabilidade. E é o que a sociedade atual menos oferece e garante para os jovens – e também os adultos. Em contrapartida ao desemprego, surge a cada dia roupas, eletro-eletrônicos, entretenimento e outras coisas que enchem os olhos dos jovens, e estes para adquiri-las, pois não podem ficar fora da moda do momento, acabam, muitas das vezes, enveredando por situações ilícitas.
Devido ao êxodo rural, visto que nao há lugar no campo para pequenos proprietários, surgem os guetos, as favelas e lá a qualidade de vida é a pior possível. Esses locais são lembrados em época de eleição e os moradores de lá, muitas vezes desempregados, têm que burlar as regras para ter o mínimo necessário para sobreviver, são gatos de energia, água e telefone.
Entre as ameaças a vida está a violência. Ela atinge a todos mas como sempre os pobres e os jovens sofrem mais. Diante do mundo de guerra que foi instaurado devido ao tráfico de drogas e a presença de jovens nesse meio, os jovens de boa índole são forçados pelo sistema de segurança pública a provar que não criminosos. E muitas vezes a morte os atinge antes que possam provar sua inocência.
Se já é difícil quando se tem força o que pode-se dizer da velhice: aposentadoria baixa, mesmo assim arrimo da família; SUS falido; falta de espaço e oportunidade de cultura e lazer... Tudo isso somado, esse tempo da vida que deveria ser dedicado ao merecido descanço e a comunicação da experiência adquirida, torna-se um pesadelo.
Somos nós que fazemos a vida, Como der ou puder ou quiser
Até pouco tempo, falava-se de “espécies ameaçadas de extinção” mas nao se dizia que o ser humano estava ameaçado de desaparecer. Pelo contrário. Enquanto espécies animais e vegetais desapareciam ou entravam em perigo, a humanidade continuava crescendo.
O crescimento populacional aliado “ao conforto” dos ricos gerou o caos climático que hoje sentimos. Pode-se dizer que o desequilíbrio do ambiente da vida veio junto com o desequilíbrio social, que jogou uma grande parte da humanidade na miséria. É claro que os pobres também são co-responsáveis pela degradação da natureza, mas os maiores responsáveis do desequilíbrio climático são as empresas capitalistas, apoiadas pelos governos e pelo consumismo das pessoas dos países que se enriqueceram.
O problema é que o feitiço virou contra o feiticeiro: agora quem está em perigo é a própria humanidade. Junto com todos os outros seres vivos ainda existentes, é claro. De tanto ser agredida, de modo especial pela emissão de poluentes no ar, pelo desmatamento e a morte dos rios, a Terra está começando a dar a sua resposta. O aquecimento global vai mudar as condições de vida.
E a pergunta roda e a cabeça agita
Chegou a hora de julgar. Julgar no sentido cristão, não é condenar. É examinar tudo e ficar com o que é bom, como sugere o apóstolo Paulo (1Tes 5,21). É não deixar-se envolver por belos discursos ou pela propaganda e o marketing. Trata-se, então, de um esforço de leitura crítica da realidade e das propostas que se referem à vida para chegar a uma posição pessoal ou comunitária responsável. Toda essa análise deve ser pautada no evangelho, sob a ótica cristã.
O objetivo dessa análise é examinar tudo e ficar com o que é bom. Para isso, precisamos pensar muito sobre os valores que estão na base de nossa comunidade humna e cristã. Esta CF, por exemplo, nos lembra que é importante ter presente que cada pessoa tem um valor único, diferente, nascido de uma dignidade que está nela própria.
Deus, segundo a narrativa do Gênesis, depois de criar a Terra e ver que “tudo era bom”, criou o homem e a mulher e disse: “isso é muito bom”. E como o criador quis que a critura fosse um ser dotado de liberdade, em momento algum na história impediu qualquer que fosse o ato de desobediência humana.
Esta CF tras um convite: Escolhe, pois a vida! Examine tudo e veja o que serve e o que ameaça e prejudica a vida. Nao se deixe iludir, nem mesmo por afirmações que se dizem cintentíficas. Examine bem, pois elas podem estar a serviço de interesses de grupos empresariais. Já tivemos cientistas que defendiam o fumo como algo inofensivo à vida.
O exemplo de Jesus é o que devemos seguir. Ele acolhe, ouve, dialoga, reconhece a fé existente nas pessoas. Ele não tempreconceitos. Não julga nem o incomoda o julgamento dos outros. Mas Ele não se contenta com o acolhimento. Vai ao encontro, procura, chama. Desta forma aproximou-se do cego no caminho (Mc 10, 46-52), dignificou a samaritana (Jo 4, 7-26), alimenta o povo faminto (Mc 6, 30-44), convida os discípulos à reconciliação (Mt 5, 24), ao amor pelos inimigos (Mt 5, 44) e aoptarem pelos pobres (Lc 14, 15-24).
Como já dissemos, à luz do evangelho devemos discernir:
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Discernir acerca da esterilidade conjugal: O filho é um dom ou um direito? Os novos métodos para concepção podem favorecer a vida ou são um atentado contra a vida?
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Discernir acerca da gestação indesejada: O Aborto de fato é um “mal menor”? Quem arbitra o direito a vida? A vida é um direito de todos? Um erro pode justificar outro? Onde fica a ética profissional quando se realiza um aborto?
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Discernir acerca da manipulação do embrião: Um embrião já pode ser considerado um ser humano? Toda pessoa humana deve ser protegida no plano ético e jurídico? È legal e ético reduzir uma pessoa à objeto de pesquisa?
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Discernir acerca da vida afetivo-sexual: quando existirá uma Integração Sexus, Eros, Philia em direção ao Ágape? Por quê a Igreja interfere em assuntos ligados à sexo?
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Discernir acerca da pobreza:
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Discernir acerca do sofrimento e da morte: O que leva uma pessoa a tirar sua própria vida? Quem comete eutanásia está ajudando a uma pessoa?
Eu fico com a pureza da resposta das crianças
Como já dizia São Thiago: “A Fé sem obras é Morta” (Tg 2,17). E a Campanha da Fraternidade é uma ação Apóstolica da Igreja Católica no Brasil que dura todo o ano, não devendo limitar-se ao período quaresmal. Esse período é escolhido para que possamos conhecer o tema proposto (VER e JULGAR).
Como franciscanos que somos, devemos observar o seguinte: o Manifesto da Juventude Franciscana define o proceder dos jufristas e em seu item 17 ele diz: “Como testemunhas apostólicas propomo-nos tomar consciência dos grandes problemas do mundo de suas causas, aprofundando o estudo das correntes de pensamento, cultura e política. Temos consciência de que isso exige de nós oração, leitura sistemática do Evangelho participação e engajamento na Igreja”. Perceba que aquele(s) que escreveu(ram) o Documento em comento em momento algum quis desalinhar-se da Igreja, pelo contrário, ratificou o propósito de engajar-se ainda mais nela e de aprofundar-se na doutrina. Ao passo em que as Constituições Gerais da OFS nos alerta ser franciscano não significa não interferir, mas nos impede de usar de violência. (CCGG 22,3)
A CNBB em seu documento de n° 85 que trata sobre a evangelização dos jovens diz que “A evangelização dos jovens não deve visar somente às relações mais próximas, como grupo de amigos, a família, a amizade, a fraternidade, o carinho e as pequenas lutas do dia a dia. A Ação Evangelizadora deve também motivar o envolvimento com grandes questões que dizem respeito à toda a sociedade com a economia, a política e todos os desafios sociais de nosso tempo. Há necessidade de formar jovens para o exercício da cidadania com uma dimensão importante do discipulado” (83). Embora tenham sido criados anos antes do documento 85 da CNBB, o Manifesto da JUFRA e as Constituições já diziam que os franciscanos queriam “ser uma presença consciente, desafiadora, na realidade onde vivemos, captando nela os anseios e busca de libertação, para sermos agentes na construção de uma nova sociedade. O mundo cabe a nós salvá-lo ou perdemo-nos com ele.” (MJF 9) e deviam “Tomar posição firme contra o consumismo e contra as ideologias e as praxes que antepõem a riqueza aos valores humanos e religiosos e que permitem a exploração do homem” (CCGG 15), por isso eles se propunham a “lutar com todas as forças contra as situações alienadoras e egoístas da exploração do prazer, do consumismo e da violência” (MJF 16).
O documento 83 da CNBB diz ainda que “O jovem é o evangelizador privilegiado de outros jovens”(63) por esta razão o MJF já afirmava em seu n° 18 “Assumimos as Diretrizes Pastorais da Igreja concretizando-as através do nosso engajamento, comprometendo-nos a ser voz profética que anuncia a libertação integral do homem e denuncia todo abuso de poder e qualquer violência à vida e a dignidade da pessoa”.
As Constituições nos lembram que como seguidores de São Francisco devemos respeitar e defender toda e qualquer forma de vida (CCGG 18), dando um valor especial à vida humana, desde a concepção até a morte natural (CCGG 24).
Depois de todo esse embasamento, que serviu para ratificar e direcionar nossas ações, vale lançar mão do adágio franciscano que diz “Se você quiser servir a Deus, faça poucas coisas, mas as faça bem!”, e observando as propostas de ação que a igreja lançou acerca da CF 2008 e escolhamos aquela(s) que melhor condizem com nossa situação.
Na Prática há duas propostas: A de conscientização e de acolhida
Na Conscientização visamos resgatar o Valor Sagrado da Vida, formar para uma Educação Afetivo – Sexual integral, valorizar e reforçar o sentido de família e, por fim, criar espaço de debates e diálogos públicos.
Na acolhida foi-nos proposto acolher mães com dificuldades e seu(s) filho(s), apoiar menores em situação de risco e Trabalhar junto às pastorais desenvolvendo a ação em defesa da vida.
Adaptações à essas propostas podem surgir, desde que estejam dentro da realidade do nosso carisma e da doutrina da igreja.
Uma boa proposta é acessar o site http://www.petitiononline.com/vidasim/petition.html e dizer aos ministros do STF que um embrião já é gente, pois no próximo dia 05/03/2008 eles irão debater a esse respeito.
È a vida é bonita e é bonita
Deus quando criou o mundo viu que o mesmo era bom e Jesus nos diz em Jo 10,10 “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. Unindo as duas narrativas podemos cantar com Gonzaguinha: é a vida é bonita e é bonita...
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(*) José Wolney Santos, 28 anos, professo da Fraternidade da OFS
Nossa Senhora Aparecida, de Aracaju, Sergipe. Professor acadêmico de
inglês, participa da Jufra há 15 anos e é formador fraterno do Regional da
Jufra/Se. |
FONTES:
Brasil, Ordem Franciscana Secular do (OFS), A Vida em Fraternidade, Editora Vozes, Petrópolis, 2001.
Brasil, Juventude Franciscana do (JUFRA). Formação Básica da JUFRA.
Brasil, Conferência Nacional dos Bispos do. Texto Base: Campanha da Fraternidade 2008 – Fraternidade e defesa da vida, escolhe pois a vida. São Paulo, Editora Salesiana, 2008.
______, Fraternidade Viva n° 14. São Paulo, Editora Salesiana, 2008.
______, CF 2008 com Jovens. São Paulo, Editora Salesiana, 2008.
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