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       São Paulo, 29/08/2008, 22:42          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Capela Quo Vadis
Encontro com o Ministro Geral
Frei Ivo nas catacumbas
Frei Orestes e Frei Donizete
Santa Maria Mediadora

Diário do Peregrino
Dia 6 de julho (domingo)


Por Frei Ivo Muller

Roma (Itália) - Acordamos logo cedo. Depois do café, tomamos um ônibus circular e nos dirigimos às Catacumbas de São Calisto. A visita só foi possível às 9h00, quando os Salesianos abriram o horário de visitas, invocando a Maria Santíssima, convidando todos os peregrinos a rezar uma Ave-Maria em italiano.

Antes disso, o nosso assessor espiritual, Frei Beto, nos fez uma breve introdução ao tema das catacumbas, dizendo que havia uma infinidade das mesmas ao lado da Via Appia Ântica. Tal estrada conduzia à chegada e saída de Roma, em direção ao Oriente Médio. Por esta via, certamente caminhou Pedro e Paulo.

Também afirma a tradição apócrifa que Pedro estava fugindo de Roma, perseguido pelos Romanos, porque muita gente se convertia ao cristianismo.

Frei Jacir, um especialista nos textos Apócrifos, disse que Pedro fora perseguido, porque muitas mulheres deixavam seus maridos para se tornarem virgens e seguirem os apóstolos. Então, Pedro estava fugindo de Roma e no caminho encontrou um Peregrino que lhe perguntou: Quo Vadis? Diante da resposta de Pedro, Jesus lhe respondeu: - “Também eu estou indo a Roma para sofrer o segundo martírio!” O local é assinalado por um santuário salesiano, que visitamos depois das Catacumbas.

As Catacumbas de São Calisto foram escavadas, em forma de galerias subterrâneas, sobre o tufo. O tufo era uma qualidade de terra escura, que ao ser escavada, solidificava-se.

Segundo as explicações da guia que nos orientou durante todo o percurso subterrâneo, foram 20 km de galerias, escavadas em quatro níveis diferentes. Aqui, foram nada menos que 500 mil mortos, colocados em túmulos subterrâneos.

De acordo com a tradição da época, os cristãos não eram colocados em túmulos (idéia de perenidade), mas depositados (idéia de temporalidade), à espera da ressurreição.

Essas catacumbas foram administradas pelo diácono Calisto, o que resultou na memória do seu nome. Também visitamos a capela da mártir Cecília, que foi decapitada e depositada nesse local.

Às 9h30 da manhã, fomos privilegiados com a permissão dos Salesianos, para celebrar a Eucaristia numa das capelas que se encontra a quatro andares subterrâneos. Era muito frio lá embaixo, porém, melhor que ar condicionado. A missa foi presidida pelo Frei Orestes, ladeado por Frei Donizetti (foto) em memória de todos os mártires do Brasil e do mundo.

Depois de um gostoso almoço, seguido de gelato e licor, fomos até a Cúria Geral da Ordem. Chegamos lá às 16h15, sendo muito bem recebidos pelo Frei Valdevino, que nos encaminhou logo ao refeitório para um café, suco, água e outros líquidos preciosos.

A seguir, fomos recebidos na Sala Magna da Cúria, pelo Frei José Rodrigues Carballo (Ministro Geral), pelo Frei Juan Ignácio Muro (Definidor Geral) e pelo Frei Nestor (Secretário Geral pela Evangelização e Missão da Ordem).

Frei César apresentou o grupo, enquanto membros da Conferência dos Frades Menores do Brasil, com as finalidades do Projeto Reviver. Dando seqüência, o Ministro Geral abrilhantou a tarde com algumas exortações de grande envergadura, conforme os destaques abaixo:

“Estar com os irmãos é sempre um momento de renovação fraterna e de grande alegria... O Capítulo Geral de 2003 já afirmara que o futuro da Ordem está na interprovincialidade. A semente está caindo em terra boa. Eu estou absolutamente convencido que o futuro da Ordem depende da formação permanente. Isso nos ajuda a crescer como pessoas e como frades... Estamos celebrando o 8º Centenário de fundação da Ordem, que não termina em 2009... Cada vez mais é difícil acompanhar a evolução dos tempos. Muitas vezes damos respostas às questões que foram formuladas... Que queres que eu faça? Irmãos, o que devemos fazer?... Voltando às entidades, vocês vão entender melhor o que significa a fidelidade criativa. O vosso projeto de vida passa pelo Evangelho, que é sempre novo. Se o levarmos a sério, mudaremos totalmente a nossa vida. O remendo, o vinho novo necessita de adaptações... Para celebrar o Dom da Vocação, devemos estar contentes com a nossa própria vocação. O estupor de ser frade menor deve ser o elemento essencial, que norteia a nossa vida... Restituir o que de graça recebemos, significa que ao voltarmos para nossas províncias, devemos contar e viver as maravilhas vistas e experienciadas nesse período sabático. É preciso acreditar na experiência de vida fraterna, no viver juntos e anunciar as maravilhas de Deus, em três momentos distintos: 1) O encontro com Cristo; 2) O encontro com São Francisco; 3) O encontro com os irmãos...”.

No momento livre, com perguntas e respostas, alguns assuntos foram alavancados, dentre outros: A Ordem e os Irmãos Leigos; o diálogo ecumênico e inter-religioso na Ordem; as paróquias como locais de evangelização e missão; os 800 anos de Fundação e a diminuição de vocações; os perigos originados pela dependência da internet na vida consagrada.

Ao sair da Sala Magna da Cúria, fomos para o pátio externo, onde fizemos algumas fotos e a seguir, retomamos o metrô em direção ao Antoniano.
Depois da janta, após os avisos práticos dados por Frei Ivo, o grupo fez um passeio turístico, ao estilo Roma by night, visitando a Fontana di Trevi, o Pantheón e a Piazza Navona. Alguns jogaram uma moedinha na Fontana di Trevi, no augúrio de um retorno a Roma.

Assim, terminou-se o primeiro período do Projeto aqui em Roma, na expectativa da próxima semana, onde faremos a partir de amanhã os Caminhos de Francisco pelo Vale de Rieti, Assis e La Verna.
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