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       São Paulo, 22/11/2008, 08:24          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Outro lado da cidade de Poggio Bustone
Durante a celebração em Fonte Colombo
Gruta onde Francisco escreveu a Regra
Frei César em Poggio Bustone
Frades em Poggio Bustone

Diário do Peregrino
Dia 09 de julho (quarta-feira)


Por Frei César Külkamp

Poggio Bustone (Itália) - Os frades peregrinos do Projeto Reviver o Dom da Vocação, depois do fecundo retiro à luz da Regra, em Fonte Colombo, experimentaram um clima de profundidade espiritual em Poggio Bustone, ainda no Vale de Rieti. Este santuário, com convento anexo, prima pela simplicidade e pela harmonia com a Natureza que, nesta montanha, é generosa.

O povoado, distante apenas 1 km, recebeu Francisco pela primeira vez em 1209 por ocasião da primeira viagem missionária. Seus habitantes foram saudados com o famoso “buon giorno, buona gente!”.

Em 1217, o santo recebeu o lugar da Abadia de Farfa e aí permaneceu em oração e contemplação, com seus companheiros, inclusive Frei Egídio. Foi especialmente caro a Francisco por ter feito aí a experiência da misericórdia divina, obtendo a certeza do perdão de todos os seus pecados passados.

Teve também confirmada sua missão apostólica no mundo e lhe foi revelado que seus frades constituiriam uma família numerosa vindos de muitas nações.

E eis que ainda está nos meus ouvidos o ruído daqueles que vão e vêm segundo o mandato da santa obediência... Vêm franceses, expressam-se espanhóis, correm alemães e ingleses, e avança a maior multidão de outras línguas diversas” (1Cel 27).

Certamente um pouco daquele barulho de línguas diversas que Francisco ouviu por antecipação foi também o nosso, dos 25 frades brasileiros. Com a disposição e a alegria costumeiras, chegamos a este monte, entrando pela cidade, saudando as pessoas que encontrávamos pelas estreitas e floridas ruelas, subindo os caminhos íngremes, entrando nas grutas, celebrando a Eucaristia, cantando com muita vontade.

A tão esperada Assis

Na parte da tarde, depois do tradicional pranzo al sacco deixamos para trás o Vale do Rieti para chegarmos ao Vale da Úmbria, e na tão esperada Assis.

Nenhum cansaço, nem mesmo dos que subiram às grutas mais elevadas de Poggio Bustone, foi suficente para parar os peregrinos. Logo depois de instalados subimos para a Basílica de Santa Clara. Diante dela, o nosso guia na espiritualidade e nos lugares franciscanos, Frei Beto Breis, nos levou para os tempos de Francisco.

Procuramos sentir a importância deste lugar que outrora abrigara a Igreja de São Jorge com a antiga escola dos Cônegos de Assis, onde Francisco aprendeu a ler e escrever. Mais tarde, nesta igreja, fez sua primeira pregação e, por fim, seu corpo permaneceu aí sepultado durante quatro anos.

No mesmo lugar foi depositado o corpo de Clara até que fosse levado para debaixo do altar-mor da nova basílica a ela consagrada por Clemente IV em 1265.

Desta vez, em silêncio reverente, entramos na Basílica, meditamos diante do Crucifixo de São Damião e do corpo de Santa Clara, agora exposto na cripta.

Em seguida, subimos mais um pouco, até a Catedral de São Rufino, que guarda a pia onde foram batizados Francisco e Clara. Ao lado desta, a casa natal de Santa Clara.

Ouvimos aí o texto das Fontes Relativas a Santa Clara que apresenta suas virtudes, sua atenção aos sinais de Deus, sua fuga da casa paterna até sua consagração na Porciúncula.

 

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