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       São Paulo, 22/11/2008, 09:15          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Basílica do Monte Alverne
Convento do Monte Alverne
La Verna
Hábito usado por São Francisco
Capela do beato Giovanni della Verna
Caverna usada como cela por Francisco
Lugar da impressão dos estigmas
Aniversário de ordenação de Frei Aloísio
Bosque em La Verna

Diário do Peregrino
Dia 13 de julho (domingo)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

Assis (Itália) - Antes de mais nada, queremos justificar aos nossos internautas o atraso da publicação destes dois últimos dias, pelo fato de não termos acesso à internet no local.

Iniciamos o nosso dia de retiro no Monte Alverne, com a oração da manhã e algumas alavancas espirituais, motivadas pelo Frei Beto, conforme o resumo a seguir:

- Somos convidados a fazer uma síntese, num processo de individuação entre o humano e o divino, ao contemplar a experiência de Francisco sobre este monte;

- O encontro de Francisco com o Crucificado iniciou-se em São Damião, no abraço ao leproso;

- A experiência de Deus pressupõe a Sua proposta, num diálogo franco e sincero, que exige de nós uma resposta;

- Fazer a experiência é deixar-se conhecer por dentro. Não é uma mera dedução intelectual, mas a identificação com o próprio Deus. Por conseguinte, tudo o que fazemos enquanto religiosos, é resultante de tal experiência. Isso é inspiração divina; é experiência fundante;

- Quando nos deixamos questionar por Deus, isso nos incomoda, porque sentimos que o edifício de nossa existência, na maioria das vezes, é construído sobre a areia movediça. Não podemos permanecer na epiderme. Devemos, sim, nos deixar transformar por dentro e por fora por esta experiência, que envolve o humano no seu todo, da “cabeça às vísceras”. É uma resposta ao que se Revela. Daí, brota a consciência de nossas capacidades, mas também de nossos limites e fragilidades;

- A experiência de Deus surge no mundo e nos devolve ao mundo;

- Santa Tereza D’Avila viveu por cerca de 20 anos no convento, levando uma vida bastante medíocre. Porém, quando chegou o momento de deixar-se tocar por Deus, foi inteiramente transformada;

- A profissão religiosa, na ausência de uma profunda experiência de Deus, é um mero ato jurídico;

- Lembremos da parábola do tesouro, no Evangelho. Lembremos também que Francisco encontrou o caminho do tesouro no abraço ao leproso;

- Francisco foi um apaixonado por Cristo. Por isso, chegou aos estigmas neste monte. Segundo São Boaventura, que aqui também viveu por alguns anos a experiência de Deus, um fogo de amor o incendiou e o arrebatou;

- Proposta para o dia: Contemplar e fazer uma síntese daquilo que o Senhor nos revelou pelo caminho. O que Ele nos falou pelo caminho?

- Viver a experiência da com-paixão (pelos confrades e pelo Povo de Deus), abraçando os leprosos da atualidade, que são os excluídos do sistema, sobretudo na imensidão do nosso querido Brasil.

- Ler: Legenda Maior, 13 (veja abaixo); Fil 2,5-11.

Às 12h30, o grupo fez uma pausa em sua meditação pessoal para o gostoso almoço. Para a surpresa de todos, começou uma chuvinha leve, que foi aos poucos engrossando, com fortes trovadas e vento frio. Por causa da irmã chuva, muito bem-vinda à natureza, sedenta de água, tivemos que modificar o programa na parte da tarde. Em vez de subirmos o Monte Alverne, para as orações e a celebração eucarística, tivemos que celebrar no albergue.

Frei Beto presidiu, ladeado pelo Frei Aloísio, que hoje completa 17 anos de sacerdócio. Após o jantar, ele nos ofereceu um gostoso gelato, criando-se assim um bom momento de vida fraterna, intermediado de alguns cantos folclóricos do Brasil. Imediatamente, nos sentimos rodeados de italianos, que queriam ouvir nossas canções verde-amarelas.

FONTES FRANCISCANAS
São Boaventura - Legenda Maior
Capítulo 13 – Sobre os sagrados estigmas.



1 Francisco, homem angélico, tinha por costume nunca perder tempo na busca do bem; antes, como os espíritos supernos na escada de Jacó, ou subia para Deus ou descia para o próximo.

2 Pois aprendera a dividir o tempo que lhe fora concedido para o merecimento de maneira tão prudente que dedicava uma parte para lucros laboriosos do próximo; outra, para os tranqüilos excessos da contemplação.

3 Por isso, depois de ter se empenhado, segundo as exigências dos lugares e dos tempos, na busca da salvação, abandonando as inquietações das turbas, procurava os segredos da solidão e um lugar de sossego, onde, entregando-se mais livremente ao Senhor, limpasse o pó que porventura pudesse ter recebido por viver no meio das pessoas.

4 Por isso, dois anos antes de entregar seu espírito ao céu, foi conduzido pela divina providência, depois de múltiplos trabalhos, para um lugar elevado e solitário chamado Monte Alverne.

5 Por isso, como, de acordo com o seu costume, começasse a jejuar para fazer a quaresma de São Miguel Arcanjo, ficou transbordante pela doçura da contemplação superna, mais do que habitualmente, e, aceso pela chama mais ardente dos desejos celestes, começou a sentir num acúmulo maior os dons dos derramamentos celestes que nele se faziam.

6 Era carregado para o alto, não como curioso esquadrinhador da majestade para ser oprimido pela glória, mas como um servo fiel e prudente, investigando o que era agradável a Deus, a quem desejava conformar-se de todas as maneiras com o maior ardor.

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1 Mas, depois que o verdadeiro amor de Cristo transformou aquele que o amava em sua imagem, quando acabaram os quarenta dias que tinha decidido ficar na solidão, e tendo chegado também a festa de São Miguel Arcanjo, Francisco, o homem angélico, desceu do monte.

2 Trazia consigo a imagem do Crucificado, não gravada à mão em tábuas de pedra ou de madeira, com artifícios, mas escrita nos membros da carne pelo dedo de Deus vivo.

3 E como é bom esconder o sacramento do Rei, (cfr. Tb 12,7) o homem que era cônscio do segredo real ocultava como podia aqueles sinais santos.

4 Entretanto, como cabe a Deus revelar para a sua glória as grandes coisas que faz, o próprio Senhor, que tinha marcado em segredo aqueles sinais, mostrou abertamente alguns milagres através deles, para que a força oculta e admirável daqueles estigmas se tornasse conhecida pela claridade dos sinais.

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1 Eia, pois, valentíssimo soldado de Cristo, empunha as armas do Comandante jamais vencido, pois munido com elas insignemente, vencerás todos os adversários!

2 Carrega o estandarte do Rei altíssimo, para animar com sua visão todos os batalhadores do exército divino!

3 Carrega também o selo de Cristo, sumo pontífice, pelo qual tuas palavras e atos vão ser aceitados por todos como irrepreensíveis e autênticos!
4 Pois agora, por causa dos estigmas do Senhor Jesus, que carregas em teu corpo, ninguém te deve ser molesto, antes todo servo de Cristo está obrigado a professar-te singular afeto e devoção.

5 Esses sinais evidentíssimos, que foram comprovados justamente não por duas ou três testemunhas mas superabundamente por muitíssimas, fazem com que as manifestações de Deus em ti e por ti sejam tão dignas de crédito, que tiram aos incrédulos a mais leve desculpa,
6 enquanto confirmam os crentes na fé, elevam a confiança na esperança e inflamam no fogo da caridade.

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