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       São Paulo, 22/11/2008, 07:03          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Afresco do Santuário do Campo dos Pastores
Basílica da Natividade em Belém
 
Fachada da Basílica de Sta. Catarina de Alexandria
Frei Fernando e o grupo na Basílica de Santa Catarina
Frei Pedro presta sua devoção no lugar
onde Cristo teria nascido
Grutas de São Jerônimo junto à Bas. da Natividade
Interior do Santuário da Gruta do Leite
Missa numa gruta do Campo dos Pastores
O Muro da Vergonha
Rigído controle entre os lados de Israel e Palestina

Diário do Peregrino

Dia 17 de julho (quinta-feira)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

Belém - Levantamos cedo, tomamos café e partimos para Belém, às 8h00. A oração da manhã foi feita no ônibus, motivada por Frei Donizetti. Durante o caminho, Frei Fernando Peixoto nos explicou alguns aspectos culturais da região, sobretudo das casas de judeus, palestinos e assentamentos que aos poucos foram aumentando a população da grande Jerusalém.

Logo chegamos diante do "muro da vergonha" (*), que separa os judeus dos palestinos, na fronteira de Belém. Para nossa felicidade, só perguntaram de onde era o grupo e pudemos entrar livremente na área da Palestina. Alguém comentou que eles devem ter gostado da bandeira brasileira, exposta na parte da frente do ônibus.

Chegamos logo Campo dos Pastores, onde pudemos meditar um pouco e a seguir, tivemos a celebração eucarística, presidida por Frei Jacir, ladeada pelo Frei José Patriarca e pelo Frei Donizetti.

O Campo dos Pastores está situado em Bet Sahur (Casa dos vigias) a 3 km do centro de Belém. É um bairro com cerca de 6.000 habitantes árabes, a maioria cristãos, que vivem do artesanato e do pastoreio de ovelhas.

As lindas grutas descobertas ultimamente, com mosaicos bizantinos, lembram o grande número de cristãos que freqüentava o local dos Pastores de Belém, na noite do nascimento do Messias.

Do lado das grutas (capelas), a capela franciscana, construída pelo arquiteto A. Barluzzi no ano de 1924, sobre restos de um mosteiro bizantino do século V. Os lindos afrescos da capela nos inspiram a uma profunda meditação sobre este local.

Frei Jacir iniciou a celebração, dando uma explicação sobre o sentido da palavra gruta, sobretudo a partir dos textos apócrifos. A palavra, dentre outros significados, pode ser representada como concha e como mão aberta que acolhe a vida. É lugar de acolhida, de aconchego, de pobre, estrebaria, manjedoura.

Após a celebração, nos dirigimos até o Santuário da Natividade. A Basílica da Natividade é uma síntese de vários períodos da história que aqui aconteceram. No ano 135, Adriano profanou o lugar do Nascimento de Jesus, plantando no local um bosque, com estátuas dedicadas a Adonis.

Em 326, Constantino edificou a grande Basílica da Natividade. Em 529, os Samaritanos destruíram a basílica. Porem, esta foi reconstruída pelo imperador Justiniano, mais tarde, em maiores proporções, conforme a estrutura atual. Escapou da invasão dos Persas (614) e dos Muçulmanos, graças ao respeito deles pelo nascimento de Jesus.

Os Cruzados, posteriormente, decoraram a basílica com lindos mosaicos, que recordam os ascendentes de Cristo. Na parte alta, inscrições que recordam o Concílio ecumênico de Constantinópolis. É o único, que se pode identificar, dos sete primeiros concílios ecumênicos da Igreja, bem como dos concílios provinciais e sínodos que eram representados nestes mosaicos. Outro mosaico, representa a incredulidade de S. Tomé e a ascensão de Cristo. Em 1347, esta basílica foi doada aos franciscanos.

Somente perderam a exclusividade deste lugar e da gruta, mais tarde (1669), quando o espaço foi dividido com os gregos e armênios. No presbitério, a iconostasis grega, construída em 1764. É bom lembrar que aqui dividem o espaço, juntamente com a Gruta da natividade, gregos e armênios ortodoxos, que usam este espaço junto aos franciscanos desde 1669, porém em horários diferentes.

Este espaço foi cenário de muitas disputas entre os mesmos. Somente em 1853 fizeram um acordo sobre os horários e coisas a serem conservadas nestes lugares, sobretudo na gruta. Este acordo é denominado status quo. Na parte subterrânea, encontramos a Gruta da Natividade. É o lugar mais visitado por todos os peregrinos, depois do Santo Sepulcro.

Todos se ajoelham, beijam a Estrela, fazem fotos… No lado direito, a Manjedoura. No fundo desta gruta, se pode passar, por uma porta estreita, que conduz à Grutas dos Inocentes. Segundo a tradição, este lugar lembra o massacre dos inocentes, de 0 a 2 anos, decretado por Herodes, com a finalidade de exterminar o Messias.

Mais adiante, outra gruta importante para a nossa história, porque nos traz a memória do refúgio de S. Jerônimo, que aqui traduziu a Bíblia para o latim (vulgata). Do lado, grutas de Santa Paula e Eustáquia, amigas de S. Jerônimo. Saindo deste conjunto de grutas, se entra na Basílica de Santa Catarina, construída pelos franciscanos em 1881. Nesta basílica os católicos do mundo inteiro, em peregrinação, se reúnem na noite de Natal, para celebrar o nascimento de Cristo.

A celebração é presidida pelo Patriarca latino de Jerusalém, televisionada para a maioria do mundo. Do lado, o convento dos franciscanos e a Casa Nova (hotel), que juntamente com a Basílica de Santa Catarina, pertencem aos franciscanos.

Depois de terminada a visita, nos dirigimos à Casa Nova, que é um hotel e restaurante franciscano, onde nos foi servido um suculento almoço, ao estilo italiano, para restaurar nossa caminhada de peregrinos.

Na parte da tarde, visitamos ainda a Gruta do Leite. Todo bom peregrino que passa por Belém, não deixa de visitar este santuário, porque segundo a tradição apócrifa, a Mãe de Jesus escondeu-se nesta gruta para amamentar o Menino, antes de partir para o Egito. Um dia, enquanto lhe amamentava, caiu-lhe uma gota de leite do peito, que transformou as rochas pretas em rochas brancas.

Por aqui, passam inclusive mães muçulmanas para tocar estas rochas na busca de um milagre. O lugar é um santuário, que também pertence aos franciscanos. De acordo com os testemunhos dos dois últimos anos, mais de 1.500 mães que tomaram o pozinho da gruta, conseguiram engravidar e criarem belos filhos. A parte superior do santuário foi toda restaurada e ampliada, onde construíram, dentre outras coisas, uma capela do Santíssimo, com adoração permanente.

No retorno para Jerusalém, ao atravessar a fronteira, nos deparamos com um pequeno problema. Tivemos que descer todos do ônibus, com todas as coisas e passarmos pelo detector de metal, bem como a apresentação do passaporte. Isso faz parte dos ossos do ofício. Segundo eles, por questão de segurança. Porém, em menos de meia hora, já estávamos dentro do ônibus novamente, em direção ao local da hospedagem.

À noite, nos foi ofertado um momento recreativo pelo guardião da Visitação. O convite manifestou-se como sinal da hospitalidade franciscana. Foi um momento muito gostoso e descontraído no terraço do convento, ao frescor da tarde de verão na Terra Santa, comemorando assim o encontro de Maria à sua prima Isabel!

Saiba mais
(*) O "muro de proteção" da Cisjordânia
Os israelenses começaram a construir, em junho de 2002, entre Israel e a Cisjordânia um "muro de proteção" destinado a impedir ataques palestinos. A construção do "muro de proteção" foi requisitada pela direita e esquerda israelenses, após a onda de atentados suicidas que atingiu Israel desde o início da segunda Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense) no final de setembro de 2000.

A idéia de construir um muro surgiu após o fracasso da Conferência de Camp David sobre o conflito israelo-palestino, em julho de 2000. A construção suscitou, desde o início, tensões políticas internas e muitas críticas palestinas e da comunidade internacional. O primeiro trecho da obra, com 147 km de extensão, já foi concluído.

Com extensão prevista de 350 km, o "muro de proteção" deve cobrir do norte ao sul a "linha verde" e englobar também o setor oriental de Jerusalém, anexado por Israel desde 1967, e onde os palestinos pretendem construir um dia a capital do seu Estado. O complexo defensivo deve ser alto em alguns pontos e ainda terá dispositivos eletrônicos capazes de detectar infiltrações, fossas antitanques e pontos de observação e patrulha. Em certos lugares, como na região da cidade palestina de Qalqiliya, o "muro de proteção" chegaria à altura de oito metros. Em alguns pontos, a construção tem 45 metros de largura, que em outros pontos pode chegar a 75 ou 100 metros.

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