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Mamshit, ruínas de uma igreja bizantina |
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Boiando nas águas do Mar Morto |
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Mamshit, piscina de ritual de batismo |
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Mamshit, ruínas de uma igreja bizantina |
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Peregrinos caminhando no deserto |
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Qumram, algumas grutas onde foram encontrados os escritos do Mar Morto |
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Ruínas da comunidade dos Essênios. Mar Morto ao fundo. |
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Ruínas da comunidade dos Essênios. |
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Visão panorâmica do Mar Morto |
Diário do Peregrino
Dia 18 de julho (sexta-feira)
Por Frei Ivo Müller (texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)
Judéia - A oração da manhã foi feita no ônibus, motivada pelo Frei Lindolfo e pelo Frei Fernando Araújo, ao sair de Ain Karem em direção à Bersheva (Bersabéia). Percorremos a região montanhosa da Judéia, com uma vasta vegetação que sobrevive no meio das pedras e rochas.
Passamos por Bet Shemesh (Cidade do Sol) e perto de Qyriat Gat. Ao longo do caminho, Frei Fernando Peixoto ia nos relatando os principais fatos da Sagrada Escritura, ligados aos locais. Passamos ao lado de Bersheva.
Bersheva é uma cidade moderna, chamada “cidade dos sete poços”, construída sobre ruínas do tempo dos patriarcas e dos reis. Era o limite, ao sul, das tribos de Israel.
No centro, um museu com restos arqueológicos de toda a região, com cerca de cinco mil anos de história. Hoje, grande centro comercial, com cerca de 115.000 habitantes que vivem da moderna tecnologia, e também centro universitário do sul do país (Universidade Ben Gurion).
Até 1996, muitos beduínos faziam o seu comércio na parte sul da cidade. Eles vendiam tudo o que produziam, bem como faziam câmbios e trocas por jóias e outras coisas mais. Este lugar nos lembra a vida deste povo nômade do deserto.
Aqui, era um grande centro comercial de todas as tribos do sul, onde todos os povos traziam as suas produções agropecuárias e artesanais, que eram colocadas à venda para os mercadores que por aqui passavam, oriundos de todo o Oriente e do Ocidente.
Ao atravessar o Deserto de Neguev, apreciamos estas belezas da natureza, um tanto morta. Aqui, uma experiência de “inserção” na vida dos beduínos. Eles vivem, como autóctones, uma vida simples, somente com as poucas águas acumuladas no tempo das chuvas (cisternas). As barracas de lona oferecem o contraste com as “selvas de pedra” das metrópoles.
Chegamos em Mamshit às 10h15, num sol de quase cinqüenta graus. Mamshit é uma cidade romana, que adquiriu sua fama no tempo dos nabateus (II século). Hoje, somente ruínas de duas importantes igrejas bizantinas.
Nesta cidade, certamente viviam muitos cristãos, sobretudo monges, que faziam memória do Êxodo do Egito, com Moisés, pois se encontra perto da divisa com o Egito.
Estes cristãos viviam a experiência do deserto, fazendo memória dos textos sagrados, da caminhada do povo de Deus em direção à Terra prometida. Os nabateus, por sua vez, aproveitaram desta cidade para instalar um dos seus mercados.
Eles eram famosos nesta atividade e aqui encontraram um interessante centro comercial. Aqui, entrelaçavam-se duas grandes vias que coligavam os quatro cantos do mundo. Vendiam os mesmos produtos que eram vendidos em Bersheva. Nas igrejas, os típicos pavimentos de mosaico bizantino. Podemos ver na igreja ocidental a inscrição “Nilo”, que lembra o nome do seu fundador.
Saímos de Mamshit às 12h15 e nos dirigimos ao Mar Morto. No caminho, paramos para fazer umas fotos no meio de um calor de mais de cinqüenta graus. Parecia uma sauna. Porém, não nos cansamos de apreciar a beleza singular da região, não obstante seja uma natureza inóspita, que não recebe nenhuma chuva de março a dezembro de cada ano.
O nosso itinerário não contemplava Massada, porém, ao passar perto, Frei Fernando nos relatou esta colina abrigava uma importante fortaleza do tempo dos Zelotes e dos Romanos.
Está situada na altitude de 450 m acima do nível do Mar Morto. Segundo o que testemunha o historiador Flávio José, Herodes o grande construiu aqui dois grandes palácios (hoje: ruínas). Era o refúgio de sua família no ano 40 a.C.
Também lá viviam judeus (Sinagoga), e mais tarde, um grupo de bizantinos construiu um mosteiro sobre a fortaleza. Os habitantes da fortaleza viviam do artesanato. A água era das cisternas (água das chuvas de inverno). Nas escavações, encontraram uma enorme cisterna, com capacidade para mil pessoas viverem durante um ano. No ano 66 d.C. uma comunidade de Zelotes, penitentes do deserto na espera do Messias, apossou-se da fortaleza romana.
Conta a história que eles resistiram aos romanos até 70. Um fato pitoresco diz que eles preferiram morrer a se renderem aos romanos. No ano da retomada dos romanos, somente uma mulher, com o seu filho ao peito, restava viva.
Tomamos o nosso lanche (pranzo al sacco) aí pelas 14h00, debaixo de uma árvore, avistando o Mar Morto.
O Mar Morto é emocionante, pelo fato de ser singular em todo o mundo, com 400 metros abaixo do nível do mar. É morto, porque as entradas são insuficientes para a sua manutenção e por causa causa do sal de suas águas. Tem uma extensão de 80 Km de comprimento por 18 Km de largura.
Com uma densidade de 30% da água, não sobrevive nenhum ser aquático. Pode-se boiar como quiser e na posição que se quiser. Inclusive é um ótimo lugar para quem não sabe nadar.
Milhares de peregrinos e turistas de todo o mundo aqui fazem o seu banho. Muitos se curam de doenças de pele, com aplicações de barro (das próprias margens) e com os sais extraídos deste mar. No sul, está quase seco. As indústrias de exploração destes sais extraem este material, que depois de purificado, é exportado em todo o mundo.
Após o almoço, nós também nos deleitamos por um momento, boiando nestas águas quentes e salgadas desta singular paisagem, tecida e conservada pelo Criador.
Depois do Mar Morto, nos dirigimos ao sítio de Qumram. Estas ruínas são famosas por recordarem o episódio do encontro de alguns rolos, com escritos do Antigo Testamento, pelos beduínos do deserto em 1947.
Também foi encontrada a Regra da comunidade. Esta regra pertencia a um grupo de Essênios, que aqui viviam. Os Essênios eram um grupo de judeus, que se separou do Templo (Jerusalém) cerca de um século antes de Cristo para fazer penitência e esperar o Messias no deserto.
Eles se julgavam os filhos da Luz, enquanto os outros eram considerados os filhos das trevas. Faziam muitos banhos rituais. Daí a justificativa do grande número de canais e de piscinas encontrados nas ruínas.
Eram “celibatários” e viviam do artesanato, agricultura e cópia de textos. Um detalhe: no cemitério escavado, encontraram cerca de mil cadáveres, dos quais somente duas mulheres. Quem eram estas mulheres?
Chegamos em casa quase noite, ao som do Shabat (início do Sábado para os Judeus). À noite, deixamos o tempo livre para um pequeno recreio e descanso, porque hoje o dia foi de intensa fadiga, debaixo do calor que assola a região visitada.
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