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       São Paulo, 22/11/2008, 06:17          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Basílica da Transfiguração
Celebração no interior da Basílica
Mosaico da Basílica
Porta dos Ventos, o Monte Tabor
Retiro no Monte Tabor
Menino beduíno

Diário do Peregrino

Dia 20 de julho (domingo)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

Amanhecemos o dia, tocados por uma brisa mansa na montanha da Transfiguração do Senhor. O Monte Tabor foi marcado desde o início de sua história, como ponto estratégico para avistar o inimigo. O local sempre foi sede de fortalezas edificadas sobre este monte, localizado a 588 m do nível do mar. As várias fases da história e da arqueologia nos demonstram que o lugar, do tempo dos judeus, sempre foi habitado. Afirma o Antigo Testamento que aqui Débora venceu os inimigos de Israel. Depois, vieram os bizantinos e construíram um mosteiro. Mais tarde, beneditinos, cruzados e franciscanos continuaram a história do monte, bem como a memória do episódio da transfiguração de Cristo. Este monte foi doado aos franciscanos em 1631. Foi cenário de várias disputas diplomáticas com o governo de Israel, mas mesmo sendo patrimônio ecológico, a história sempre deu razão aos frades, e a parte circundada por muros continua dos frades. A basílica atual foi construída pelo arquiteto Barluzzi, com arquitetura da Síria, no ano 1924. A Casa Nuova, onde estamos hospedados, é freqüentada pelos peregrinos de todo o mundo, que aqui pernoitam, ou simplesmente permanecem algumas horas para meditar a frase do Evangelho: “Como é bom estarmos aqui…”!

Após o café, tivemos a oração da manhã numa tenda, do lado da basílica. Ali, Frei Fernando Peixoto nos deu algumas coordenadas ao dia de retiro, tendo como pilastras principais duas figuras de grande envergadura do Antigo Testamento: Moisés e Elias. Como textos de referência para a leitura e meditação da manhã (Profeta Elias): 1Rs 17-19. Para a parte da tarde (Moisés): Ex 3; Dt 34. A estratégia aplicada seria: avaliar os ministérios de Elias e de Moisés, confrontando-os o dom de nossa vocação. Pergunta lançada: O que mais tocou você no percurso vocacional desses dois Profetas?
           
Passamos o dia todo na leitura pessoal e meditação. Às 18h00, quando os peregrinos já deixavam o local sagrado, nos encontramos na Basílica da Transfiguração para a celebração eucarística. A solenidade da Transfiguração (adequação) foi presidida pelo Frei José Antônio C. Duarte, ladeada pelo Frei Vilmar e pelo Frei Jaime. Após as leituras, houve a partilha da Palavra, com as experiências vivenciadas por cada um, onde destacamos as seguintes afirmações:

- “Moisés teve medo... Elias acabou fugindo... Também nós, às vezes, preferimos fugir, antes que assumir os desafios que se nos são propostos”(Frei Vicente);

- Dei uma volta ao redor do recinto sagrado, numa caminhada pelo bosque. Meditei sobre o modo de como Deus nos conduz, de como Ele sacia a nossa fome e a nossa sede... Em nossa trajetória formativa, diante do cansaço e do desânimo, nem sempre temos respostas. Porém, Deus está lá na frente”(Frei Antônio Marcos);

- Meditei sobre três pontos importantes, a partir do Profeta Elias: 1º) A confiança em Deus; 2º) O sentir-se chamado e enviado em missão; 3º) O reconstituir-se a partir da crise”(Frei Luiz Toigo);

- “O Profeta Elias, Moisés e os Discípulos de Cristo tiveram medo, diante do confronto com a realidade. Na vida religiosa consagrada, devemos assumir os conflitos com coragem, porque Deus nos enviou. Diante disso, devemos ser geradores de vida na realidade que nos circunda”(Frei Orestes);

- “O Profeta é chamado por Deus para mostrar Deus ao povo”(Frei Aloísio);

- “Deus torna-se sensível  às necessidades de seu povo. Assim, cheios de Deus, Eles tornaram-se sensíveis à planície”(Frei Pedro);

- “Jesus deve ter tido muitas outras transfigurações, que não foram narradas pelos evangelistas. Contudo, Jesus não queria a fixação nos espaços de devoção. Por conseguinte, devemos ser agentes de transformação, porém, não nos fixando nas realidades onde estamos inseridos”(Frei David);

- “Em nossa vida, temos momentos ímpares de transfiguração. A arte de viver o dom da vocação, é saber discernir com sabedoria o que Deus nos pede, reprogramando a nossa vida em cada momento como este”(Frei Jacir);

- “Quando recebi o convite para este itinerário, me senti como Moisés e Elias, muito receoso. Porém, assumi o desafio e cá estou para sentir a mesma experiência, de retomar a minha vida a partir dos valores que vêm de dentro, com compaixão”(Frei Patriarca).
           
Louvado sejas, meu Senhor, por mais um dia de experiência vivido na Terra do Quinto Evangelho!

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