Untitled Document
Provincia Fraternidades Carisma Sefras SAV Missões Multimidia
       São Paulo, 22/11/2008, 04:30          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Aparecida Basílica da Anunciação
Basílica da Anunciação
Fonte da Virgem
Frei Jorge preside a Eucaristia em frente à
Gruta da Anunciação
Frei Jorge preside a Eucaristia
nos seus 24 anos de sacerdócio
Gruta da Anunciação

Diário do Peregrino

Dia 21 de julho (segunda-feira)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

Descemos o Monte Tabor às 8h00, de táxi (Sherut), até o ponto onde o ônibus nos esperava. Dali, partimos para Nazaré.

Nazaré era uma cidadezinha, insignificante, no tempo de Jesus, conforme afirma o evangelista Lucas. No meio das montanhas da baixa Galiléia, a 157 Km de Jerusalém, esta cidade tornou-se famosa pela presença da família de Jesus. Hoje a sua população soma cerca de 60.000 habitantes, incluindo a cidade alta (Nazaré Illit). Aqui convivem pacificamente as três grandes religiões monoteistas desta terra.  Os judeus vivem na parte alta (Illit), os árabes (muçulmanos e cristãos) povoam o vale. Vivem do comércio e do serviço aos peregrinos e turistas.
           
Chegamos em Nazaré fomos diretamente à Fonte da Virgem. Este santuário foi construído pelos grego-ortodoxos sobre uma fonte natural de água, que se encontra a uns 300 metros do lugar da Anunciação. Segundo os apócrifos, a virgem recebeu ali o primeiro anúncio do anjo Gabriel, e, amedrontada, correu para sua casa, onde se completou o diálogo sobre o projeto de Deus. Conta a história que desta legenda surgiu a Igreja de São Gabriel, com referências nos diários de peregrinos já no século XII. Este lugar pertence aos gregos ortodoxos desde 1787.

Em seguida, caminhamos até a grande Basílica e visitamos a Gruta da Anunciação. Até o ano de 1950, era difícil acreditar nas estórias que se contavam deste lugar, porque a arqueologia não era evidente sobre os fatos que aqui aconteceram. Em 1950, o arqueólogo Frei Belarmino Bagatti, com uma expedição do Instituto Bíblico Franciscano de Jerusalém, nas escavações encontrou restos de cerâmica, que hoje encontram-se no museu, anexo à basílica. Também encontrou o quarto onde Maria recebeu a mensagem do Anjo Gabriel (hoje: gruta). Ainda foram encontradas várias inscrições em grafite nas pedras das paredes, dentre as quais a famosa escrita: Xaire Maria. Assim, se pôde reconstituir o mosaico das várias etapas da história, a partir da residência de Maria, que era uma sinagoga dos parentes de Jesus. Destes parentes, houve os cinco primeiros bispos da Palestina. Depois, construiu-se a basílica bizantina, a cruzada, a anterior, e a atual. A basílica atual foi construída nos anos 60 deste século. Na parte superior da basílica podemos apreciar lindas decorações, feitas em azulejos, das várias aparições de Maria Santíssima em todo o mundo.

Dando seqüência ao nosso itinerário, visitamos a Igreja de São José, construída sobre a marcenaria do pai adotivo de Jesus. Na cripta desta igreja podem ser observados restos de batistérios em sete degraus, que confirmam a tradição sobre a visita e veneração deste lugar pelos primeiros judeu-cristãos da época, que aqui eram batizados.

A celebração eucarística teve o seu espaço diante da Gruta da Anunciação, às 11h00, presidida por Frei Jorge Maoski, que hoje comemora 24 anos de ordenação presbiteral.

Após o gostoso almoço na Casa Nova, pudemos passar por dentro do comércio dos árabes, entrando na velha Sinagoga do tempo de Jesus, que hoje está aos cuidados da Igreja Melquita.  

Às 14h00, deixamos Nazaré e fomos até Caná da Galiléia. Caná (Kefr Kanna) é uma cidade que cresceu muito nos últimos anos, sobretudo pela paz que reina nesta cidade, entre cristãos e muçulmanos. A cidade contém cerca de 8.000 habitantes, dos quais 2.000 são cristãos. Na soma geral de cristãos em Israel e Palestina, é uma das maiores cidades “cristãs” na Terra Santa. Nesta cidade, segundo a tradição, se realizaram as bodas, com a presença de Cristo, seus discípulos e Maria (Jo 2). A cidade também é a pátria do profeta Jonas e de Natanael. De Natanael restou apenas uma igreja dedicada à sua memória, que é propriedade dos franciscanos, hoje restaurada. A atual Igreja franciscana das bodas foi construída em 1879 sobre a igreja dos bizantinos, mais tarde dos cruzados. Na cripta, se podem ver restos de vasos de cerâmica, mas não são autênticos. Naquela época eram usadas tinas de pedra. As tinas de pedra eram para que a água fosse purificada, em vez de vasos de argila.

Depois de visitar o Santuário das Bodas e a Igreja de São Natanael, tivemos um tempinho livre para tomar o vinho de Caná, que nos foi oferecido gratuitamente numa loja de objetos religiosos, diante do grande santuário das bodas. Alguns fizeram umas comprinhas e, a seguir, tomamos o ônibus em direção ao Monte Tabor. Como estava bastante cedo, sete frades do grupo resolveram subir a pé, para queimar algumas calorias e sentir na própria pele a experiência da escalada do monte, feita por Jesus e seus três discípulos. É uma caminhada muito gostosa, que se faz em cerca de uma hora, em três quilômetros de subida.

Após o jantar, nos reunimos como de costume para preparar o dia seguinte, com as explicações sobre os locais do itinerário de amanhã, incrementado pela projeção do DVD da Custódia da Terra Santa. Para nossa surpresa, no meio da apresentação, apareceu o garçom da casa com uma bandeja repleta de gelato, em vista da comemoração dos 24 anos de ordenação presbiteral de Frei Jorge.

            Parabenizamos a Frei Jorge, para que continue redescobrindo o dom de sua vocação religiosa e sacerdotal, a serviço da Ordem e a Igreja!
| VOLTAR |