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       São Paulo, 22/11/2008, 08:50          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Celebração em uma das nascentes do
Rio Jordão, em Bânias
Direção de Damasco, Síria
Início do Monte Hermon
Nascente do Rio Jordão
Renovação das promessas do Batismo

Diário do Peregrino

Dia 23 de julho (quarta-feira)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

O dia amanheceu coberto de neblina, com uma brisa leve. Pudemos assim experimentar um pouco daquele ambiente da Transfiguração, antes de descermos mais uma vez o monte.

Tomamos o ônibus às 08h30 em direção aos confins de Israel, as Colinas de Golan. No caminho, pudemos apreciar a abundância de frutas (manga, abacate, laranja, ameixa, pêra, maçã, cereja, azeitona, pêssego), bem como a exuberante agricultura, cultivada à base de irrigação (algodão, girassol, pimentão). Tudo isso é possível, graças à riqueza das águas, oriundas do Monte Hermón, que nascem ao pé do monte e formam as nascentes do Rio Jordão. O monte Hermón está situado a 2400 m de altitude (nível do mar). É o centro de três fronteiras (Israel, Líbano e Síria).

Subindo as colinas, passamos perto do Tel Dan, onde existem ruínas de mais de quatro mil anos de história. Ali, está a segunda nascente do Jordão, numa região muito verde, com um Quibutz-hotel. Também passamos pela linda cidade de Qiryat Shemona. Esta cidade fora bombardeada várias vezes pelo movimento do Hesbolá, que é um grupo de fundamentalistas islâmicos do Líbano, que tem suas fronteiras bem próximas desta cidade.

Chegamos em Cesaréia de Filipe (Bânias) às 10h00. É uma fonte famosa do Rio Jordão, onde era venerado o deus Pan, pelos gregos. A poucos metros destas ruínas gregas, estão as ruínas da cidade de Cesaréia de Filipe. São ruínas do tempo dos bizantinos e cruzados, que recordam o lugar onde Cristo estabeleceu a promessa do Primado de Pedro (cf. Mc 8,27-30). Ali, fizemos uma linda celebração, presidida pelo Frei Hilton e pelo Frei Vicente, da renovação das promessas de nosso batismo.

Após apreciar a abundância das águas de Bânias, nos dirigimos até o pé do Monte Hermón, onde pudemos apreciar a culinária árabe, preparada pelos Drusos, ao lado de um lago, formado por uma explosão vulcânica.

Esses habitantes eram da Síria, semelhantes aos nossos ciganos. Hoje, dedicam-se ao cultivo de frutas, convivendo pacificamente com os israelenses Comemos lá um faláfel, acompanhado de várias saladas árabes (pepino, repolho, pimentão, azeitona e jiló vermelho).

Depois do almoço, nos dirigimos até as fronteiras da Síria, perto de Quneitra. Esta cidade foi totalmente destruída na guerra de Yon Kippur, no ano 1966. Nesta guerra, Israel tomou toda a região de Golan da Síria. Dali, se pode ter uma visão da direção de Damasco, não muito longe desta fronteira, onde recordamos S. Paulo (At 9). Perto de Quneitra, está o acampamento da ONU, em constante vigilância pela paz no local.

Na seqüência de nosso itinerário, percorremos as Colinas de Golan até Qasrim. Estas colinas pertenciam à Síria, até a conquista da guerra dos seis dias, também chamada de guerra de Yon Kippur, por coincidência com esta festa dos hebreus, em 1966. Elas são muito importantes para o Estado de Israel, porque são a sede das nascentes do Rio Jordão. Nestes campos, pudemos ver alguns pequenos rebanhos de gado graúdo, ou seja, de vacas de Basan.            

Qasrim é uma cidade moderna, reconstruída em 1977 pelos judeus perto das ruínas da cidade antiga. Na parte antiga, se podem visitar as ruínas, com moinhos de oliveira (azeite), bem como uma sinagoga da época bizantina. Nesta cidade, existiu uma comunidade de estudo do Talmud. O estudo era feito em grupos, orientado por um mestre.

Na cidade moderna, visitamos o museu muito bem organizado, que recolhe coisas históricas de toda a região. O que mais impressionou foi uma projeção de slides, sobre as descobertas de Gamla (camelo). Gamla era uma cidade perto daqui, que foi destruída pelos romanos no ano 67 a.C.

A arqueologia deste lugar apresenta peças de quatro mil anos antes de Cristo. São estátuas dos deuses, adorados pelo povo, antes do judaísmo, bem como um dolmen. O museu apresenta uma grande quantidade de moedas dos vários povos da região, e fora, se pode visitar um grande número de ruínas do tempo dos bizantinos, encontradas em Kursi (episódio dos demônios que entraram nos porcos, cf. Mc 5). Também podem ser vistos restos de tumbas cristãs.
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