 |
Acre - Igreja que faz a memória da chegada
de São Francisco à Terra Santa |
 |
Monte Carmelo: Nossa Senhora do Carmo |
 |
Megido |
 |
Megido |
 |
Missa no Monte Carmelo |
 |
Missa no Monte Carmelo |
 |
Monte-Carmelo: Gruta do Profeta Elias |
Diário do Peregrino
Dia 24 de julho (quinta-feira)
Por Frei Ivo Müller (texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)
Saímos do estacionamento do ônibus às 8h30, em direção à Haifa. No caminho, entramos e visitamos o Tel Meguido. Ali, pudemos apreciar as escavações de vários períodos da história, desde o ano 4.000 a.C. Destacam-se um altar redondo, onde eram ofertados sacrifícios às divindades; a estrebaria do tempo do Rei Salomão; um sistema de silagem e um sistema de captação de água, em forma de cisterna.
Ao final de nossa caminhada, descemos 80 degraus, numa profundidade de mais ou menos um prédio de cinco andares, em forma de túnel, que conduzia até as águas. Foi emocionante.
Na seqüência da ordem do dia, prosseguimos a nossa peregrinação, passando pela cidade de Haifa. Haifa é uma das maiores cidades, a terceira do país, com cerca de 270.000 habitantes. É o maior porto do Estado. Esta cidade, antes da formação do Estado (1947) era popularizada pelos palestinos. Hoje, 90% são judeus. Ao pé do monte Carmelo se pode avistar um lindo Templo, com a sua cúpula dourada.
Este templo pertence ao movimento religioso, um dos mais sincretistas de todos os movimentos modernos, chamado Bahai. Os bahaitas procuram harmonizar os elementos comuns das principais religiões do mundo, inclusive com elementos cristãos. Desta harmonia, nasce a paz e a serenidade do coração e da mente.
Chegamos ao Monte Carmelo às 10h40. Dirigimos-nos ao Santuário do Profeta Elias, onde celebramos a Eucaristia na capela do coro. A celebração foi presidida pelo Frei David, ladeada pelo Frei Luiz Toigo e pelo Frei Antônio Marcos.
Este santuário surgiu da devoção dos carmelitas a Santo Elias. Eles recordam neste lugar a vitória de Elias sobre os ídolos de Baal, bem como o tempo de seca que havia na região, quando o profeta Elias intercedeu pela chuva, e esta veio em abundância. O santuário também é ligado à Nossa Senhora, também chamada Stela Maris, que era a protetora dos marinheiros.
Os carmelitas se julgam os continuadores da devoção a Elias. Têm uma gruta, debaixo do altar da Igreja, dedicada ao profeta. Eles continuaram o que os monges (eremitas) cruzados começaram sobre este monte. Neste monte estiveram em retiro São João da Cruz e Santa Teresa D'Avila.
Depois da missa, pedimos licença às Irmãs que cuidam de uma casa de peregrinos, ao lado do Santuário, para que pudéssemos tomar o nosso lanche (pranzo al sacco) debaixo das árvores do jardim. Ela nos acolheu de braços abertos. Assim, pudemos fazer mais uma vez a experiência de peregrinos e viandantes, almoçando em modo muito modesto, porém com uma vista maravilhosa para o mar mediterrâneo.
Já eram 13h15 quando deixamos o local e fomos até o ônibus, para prosseguir o nosso itinerário da tarde. Ao contar os participantes, faltava um. Esperamos uns dez minutos e nada. Então, Frei Ivo foi atrás, porque informaram que o dito frade estava na internet, da casa de peregrinos do Carmelo. Assim, atrasamos o programa por quase 40 minutos. Mas compreendemos que o irmão estava com tanta saudade dos contatos virtuais com o mundo, que não agüentou.
Na parte da tarde, visitamos a cidade de Acre. É uma cidade portuária de larga importância do ponto de vista da histórica. Ela está muito bem conservada, sobretudo as ruínas dos cruzados.
Pudemos visitar um grande castelo dos cruzados, com o seu enorme refeitório e as suas galerias, que serviam de escapatória em caso de fuga. Também percorremos uns 300 metros do Túnel dos Templários, que atravessava a cidade até os castelos dos cruzados. Contudo, para um franciscano que vem à Terra Santa, visitar a cidade do Acre significa fazer memória da chegada de São Francisco de Assis à Terra Santa.
Conta a história que Francisco aportou nesta cidade em 1219, para visitar os lugares santos, depois do Egito, onde saudara o sultão. Os frades menores tiveram aqui a primeira presença franciscana. Marco histórico é o Convento de São João do Acre, hoje em ruínas. Os frades da Custódia tem nesta cidade um grande colégio, que serve à educação de cristãos e de muçulmanos.
À noite, após a preparação do dia seguinte, apreciamos a arte cênica dos jovens do Mundo X, que cuidam da Casa Nova do Monte Tabor. Eles encenaram, com muita propriedade, os Discípulos de Emaús. Receberam muitos aplausos do grupo brasileiro, que não demorou para agradecê-los, com alguns cantos folclóricos do querido país verde-amarelo. |