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       São Paulo, 22/11/2008, 05:39          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Celebração Eucarística em Betânia
Afresco de Betfagé
Basílica do Getsêmani
Edícula da Ascensão
Grupo em Dominus Flevit
Imagem de Santa Ana e Maria

Diário do Peregrino

Dia 26 de julho (sábado)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

O dia de hoje foi bastante intenso em sua programação. Saímos às 8h00 de Ain Karem até Betânia. Lá chegamos às 09h15, depois de um longo contorno pelo Monte Scopus, evitando-se assim os rigorosos controles de Israel no muro da vergonha, porque Betânia fica do lado de lá dos muros, na área Palestina.

O bairro surgiu ao redor do Túmulo de Lázaro, inclusive muito conhecido pelos muçulmanos. Este lugar estava na mão dos cruzados, porém, passou para os turcos, e os muçulmanos têm uma mesquita sobre o túmulo, hoje. O santuário também passou por várias etapas da história. A primeira igreja bizantina foi edificada no século IV. Depois foi reedificada uma outra igreja bizantina, um pouco maior, no séc. V e VI. A grande basílica dos cruzados envolvia todo o terreno, incluindo o túmulo de Lázaro. A igreja moderna dos franciscanos, foi contruída pelo arquiteto Barluzzi em 1924. Impressionante são os afrescos, que representam as várias cenas da vida de Jesus na casa de Marta e de Maria.

Iniciamos a celebração eucarística logo que chegamos no santuário,  presidida pelo Frei Carlos, ladeada pelo Frei Jacir e pelo Frei Pedro. Na partilha da Palavra, Frei Fernando Peixoto nos deixou uma mensagem numa bonita reflexão. Destaco de sua fala, o encontro de Cristo com Marta e Maria, que nos recorda a importância da hospitalidade na vida religiosa consagrada. Na maioria de nossos conventos, nos preocupamos demasiadamente com chaves, portões eletrônicos, cães e outros sistemas de segurança. Temos medo de sermos incomodados. Fechamos-nos cada vez mais, quando na verdade, deveríamos ser hospitaleiros e livres em nosso ser e agir, sobretudo quando o povo nos procura, a exemplo de Maria e de Marta, que abriram a sua casa a Jesus.

Quando estava terminando a celebração, o Guardião do local apareceu de improviso e nos convidou para um café na fraternidade. Tal gesto tocou os participantes, como sinal de generosidade e acolhida à Conferência dos Frades Menores do Brasil. Ficamos-lhe muito agradecidos!

Na sequência de nosso itinerário, visitamos a Tumba de Lázaro e a seguir, embarcamos no ônibus para contornar de novo o muro, até chegarmos ao Santuário de Betfagé.

Em Betfagé está localizada a linda igreja franciscana, que mantém a tradição do domingo de ramos, desde o tempo de Jesus, passando todas as etapas da história. Possui lindos afrescos para recordar o fato bíblico, bem como uma pedra, adornada, do tempo dos cruzados, que dizem ser o lugar onde Cristo montou o asno, no começo do caminho da sua entrada em Jerusalém.

Depois deste santuário, embarcamos no ônibus outra vez, até a Ascensão. Depois disso, fizemos tudo a pé, até o Vale do Cedron.

Como sempre, para entrar na Ascensão, tivemos que pagar, porque o santuário está na mão dos muçulmanos. Aqui fora construída uma igreja no séc. IV com lindas colunas, com a cúpula aberta aos céus. Tal igreja fora destruída pelos persas em 614. Os cruzados construíram neste lugar uma grande basílica, onde ainda restam partes das ápices, atrás dos muros muçulmanos. Hoje, está na mão dos muçulmanos, com apenas uma edícula sobre a rocha da ascensão.

A dois passos dali, nos dirigimos imediatamente ao Santuário do Pai Nosso. Os restos dos mosaicos que hoje podem ser vistos são da antiga Eleona, que era uma das grandes basílicas construídas por Constantino no séc. IV. Hoje, só restam alguns mosaicos e o Pai-nosso, escrito em quase todas as línguas do mundo, a gruta e a igreja moderna, reconstruída mais acima, com a ajuda de uma benfeitora francesa, aos cuidados das irmãs carmelitas.

Descemos a pé, passando perto do enorme cemitério hebraico, que cobre toda a colina, na expectativa do retorno do Messias. Entramos no recinto do Dominus Flevit. O santuário franciscano é uma igreja moderna, construída em 1955, em forma de lágrima caída do céu, pelo arquiteto Barluzzi, com uma linda visão da Jerusalém oriental. O lugar recorda o lamento de Jesus, que chorou pela não-conversão da cidade de Jerusalém.

Quando chegamos ao Getsêmani (Basílica da Agonia), nos sentimos envolvidos pelo canto brasileiro. Tratava-se de um grande grupo de carismáticos, com cerca de cem pessoas do Brasil, que ali estava celebrando a Eucaristia.

A Basílica da Agonia é também chamada basílica das nações, porque foi construída com a ajuda de várias nações do mundo, inclusive com a ajuda do Brasil. No lado direito, no teto, pudemos ver o brasão do nosso país verde-amarelo. Esta basílica recorda o sofrimento de Cristo no horto das oliveiras, naquela derradeira noite da Paixão. Foi construída pelos bizantinos sobre a rocha onde Jesus suou sangue. Mais tarde os cruzados reconstruíram uma basílica maior, quase no mesmo local. Os franciscanos erigiram-na sobre os alicerces bizantinos, em 1924. Dentro, lindos mosaicos representam cenas do Evangelho referentes à noite da Paixão.

Do lado direito da basílica, está localizado o Eremitério do Getsêmani, mantido pelos frades da custódia, com a ajuda de voluntários, sobretudo da Itália. Este eremitério possui alguns quartos individuais, outros coletivos, equipados com cozinha e banheiro, capelas e outras dependências favoráveis a um bom tempo de retiro. Ao todo, pode abrigar até vinte retirantes. A reserva do local deve ser feita com grande antecedência, devido à procura de leigos e sacerdotes seculares, bem como de irmãs religiosas.

Saindo do Jardim das Oliveiras, ainda encontramos um tempinho antes do almoço, para visitar a Tumba de Maria. Esta tumba, muito bem decorada, está situada atualmente dentro da igreja dos armênios ortodoxos. Segundo testemunhos da tradição cristã, neste lugar Maria foi Assunta aos céus. O santuário, construído pelos cruzados em forma de cruz, pertencia aos franciscanos até 1757. Depois, foi soterrado por uma enchente no vale do Cedron. Permaneceu soterrado até as escavações feitas pelo Fr. Belarmino Bagatti, de 1970 a 1973. Em base ao apócrifo Transitus Mariae e tendo a arqueologia como prova histórica, se confirmou o lugar como autêntico.

Queríamos ainda visitar na parte da manhã a Gruta da prisão de Jesus, mas a mesma já estava fechada para o horário de descanso. Segundo a tradição, neste lugar Jesus foi preso na noite da sua Paixão. Era uma gruta, com moinhos de oliva. Os bizantinos transformaram o lugar em santuário, e os franciscanos continuaram a custódia desta gruta.

Almoçamos no Hotel Glória, que é propriedade do Patriarcado latino. Todos ficaram saciados com a saborosa comida, saladas orientais e, sobretudo, com a sobremesa (torta gelada de nozes e chocolate). Assim, fizemos uma pausa no pranzo al sacco.

Na parte da tarde, caminhamos pelas ruelas da Cidade Velha de Jerusalém, até a Piscina Probática e Igreja de Sant'Ana. Coincidiu de visitarmos o santuário, justamente no dia de São Joaquim e Sant’Ana.

As ruínas da grande piscina trazem à tona a memória da cura de paralítico por Jesus. A piscina media 100 metros de comprimento por 70 de largura. Dentro desta piscina, podemos ver restos de uma igreja bizantina edificada no século IV. Posteriormente os cruzados construíram uma enorme igreja sobre as ruínas da antiga. Do lado, a Igreja atual, sob os cuidados dos padres Brancos (França), fora construída em memória de Sant’Ana, segundo o evangelho apócrifo de São Tiago. Esta igreja fora lugar de uma faculdade de direito na época dos turcos, em 1292, por Saladino. Graças a esta utilidade, não foi destruída pelos turcos. Assim, foi preservado o estilo cruzado da época.

A seguir, ainda encontramos forças para caminharmos por algumas estações da Via Sacra, que a Via Dolorosa. No início da Via Dolorosa, visitamos o Santuário da Flagelação, sobretudo o museu do Studium Biblicum Franciscanum, que forma mestres e doutores em teologia bíblica.  O santuário foi construído sobre os restos de ruínas bizantinas e cruzadas. A atual igreja foi edificada em 1904, e reedificada em 1929. No fundo do pátio em frente à Igreja se encontra o Litóstroto, que é o lugar onde colocaram a cruz sobre os ombros de Jesus.

A Via sacra é muito simples, com pequenas capelas em algumas estações, ou simplesmente uma inscrição da estação para recordar o lugar do caminho de Jesus com a cruz sobre os ombros, em direção do calvário. Na nona estação, depois de passar diante do patriarcado dos coptos, se pode visitar a capela dos etíopes. Devido às decisões do Status quo, estes pobres etíopes não tinham dinheiro para comprar os direitos de uso do Santo Sepulcro, como os franciscanos, gregos ortodoxos e armênios ortodoxos. Por isso, instalaram-se nas proximidades do Santo Sepulcro, oferecendo assim um espaço de culto e meditação aos seus monges e peregrinos.

Na parte da noite, após a preparação para o dia seguinte, alguns toparam o convite da Ain Karem by night, para festejar o final do Shabat no frescor da noite de verão, regada por um chopinho. Ninguém é de ferro, não!?.

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