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       São Paulo, 22/11/2008, 06:12          
 
DIÁRIO DO PEREGRINO
 


Santo Sepulcro
Calvário
Basílica do Santo Sepulcro
Celebração Eucarística no Santo Sepulcro
Celebração Eucarística no Santo Sepulcro
Ícone da Unção do Corpo de Cristo
Explanada do Tempo, ao fundo Mesquita de Al Aqsa
Muro das Lamentações
Muro das lamentações

Diário do Peregrino

Dia 28 de julho (segunda-feira)


Por Frei Ivo Müller
(texto) e Por Frei César Külkamp (fotos)

Fomos correndo para o Sepulcro de madrugada, para a missa solene, que aconteceu às 07h30. A Eucaristia foi presidida por Frei Fernando, acompanhada de mais dez concelebrantes. Este foi o número que coube dentro da ante-sala do Santo Sepulcro.

            A grande Basílica do Santo Sepulcro engloba o Calvário, a Pedra da Unção, o Santo Sepulcro, o lugar da aparição às Marias e o encontro das Cruzes. O lugar era fora dos muros da cidade do tempo de Jesus. Era um lugar rochoso, onde fora construído o túmulo, doado por José de Arimatéia à família de Jesus.

Era um dos lugares mais freqüentados pelos primeiros cristãos, que não tinham aqui nenhuma igreja. Em 135, o imperador Adriano resolveu apagar a memória dos cristãos, construindo um templo a Júpiter e a Vênus. Em 326, com a vinda do imperador Constantino, o iluminado dos cristãos, construiu-se uma enorme basílica, englobando todos os lugares acima mencionados.

Este lugar passou pela destruição dos muçulmanos, turcos e otomanos, e também por terremotos. Por isso, a atual basílica consta apenas de restos dos tempos anteriores. A reconstrução feita pelos cruzados foi retomada por Constantino Monômaco em 1048. A grande cúpula foi refeita em 1869 e em 1949, por causa de incêndios.

A presença franciscana no Santo Sepulcro é desde 1309. Desde a entrada dos franciscanos até o início do século passado, todos deviam pagar o ingresso para entrar nesta basílica, porque os muçulmanos não abriram mão do cuidado da porta, que continua até hoje na mão de uma família muçulmana.

Somente com o acordo do Status Quo, feito no século passado, entre católicos, gregos ortodoxos, armênios ortodoxos e coptos ortodoxos (somente a parte de trás da edícula), os peregrinos passaram a ser isentos do pagamento de ingresso.

Cada comunidade, porém, além das regras do status quo sobre horários e espaços a serem usados em comum, deve pagar um contributo à soma exigida por essa família, encarregada de abrir e fechar a porta da basílica. À noite, ninguém pode entrar ou sair da basílica, a não ser nos horários de celebrações solenes das comunidades.

  Após um gostoso café que nos foi ofertado no São Salvador, nos dirigimos pelos labirintos da Cidade Velha até o Muro das Lamentações. Este muro é a única parte que sobrou da destruição do Segundo Templo pelos romanos no ano 70 d.C.

Os judeus lamentam a perda do templo e imploram a vinda do Messias, para a reconstrução do Terceiro Templo. Fazem as suas orações, com suas inclinações, com os Tefilin (cf. Dt 6,8), que contém trechos da Toráh. 

Também celebram a Bar Mitzvah, que é a introdução dos adolescentes na Toráh, com 12 anos de idade. Eqüivale à nossa crisma. É importante notar as suas vestes próprias, e a separação entre homens e mulheres, cada um no seu recinto.

            Dando seqüência à nossa peregrinação, entramos na Explanada do Templo. O nosso escopo era visitar as Mesquitas. Porém, as encontramos fechadas. Segundo testemunhos locais, não as abrem ao público desde muito tempo, a não ser para as orações dos muçulmanos.

Algumas datas são importantes para se localizar no tempo e no espaço da Explanada do Templo:

  1. 1070-970: Davi ergue um altar a Jahvé nesta colina;
  2. 970-931: Salomão constrói o Primeiro Templo;
  3. 587: Destruição do Primeiro Templo pelos babilônios;
  4. 520-515: Construção do Segundo Templo, com a volta do Exílio;
  5. 70 d.C: Destruição do Segundo Templo pelos romanos;
  6. 134: Adriano constrói estátuas a Júpiter, e estátuas aos imperadores Adriano e Antônio Pio;
  7. 691: Construção da Mesquita de Omar (cúpula dourada);
  8. 711: Construção da Mesquita de Al Aqsa;
  9. 1100: Os Cruzados transformam a mesquita de Omar em Igreja e a mesquita de Al Aqsa em palácio;
  10. 1188: Saladino restitui as mesquitas aos muçulmanos.

            A Mesquita de Al Aqsa é uma das maiores do Oriente Médio, onde os fiéis se reúnem para as devoções próprias, precedidas pelas purificações, do lado de fora. Conserva, à direita de quem entra, restos arqueológicos da época dos cruzados. Destaque são as colunas. A sala de oração mede 90 x 60m.

            A Mesuita de Omar é o monumento melhor decorado em Jerusalém. Ao centro, estava o altar onde eram oferecidos os sacrifícios no Templo pelos sacerdotes.

Neste lugar, sobre a rocha, se recorda o sacrifício de Isaac, o lugar onde Jesus expulsou os vendilhões, bem como o lugar onde Maomé subiu até os céus, montado numa mula. É o terceiro lugar mais importante do mundo para os muçulmanos, depois de Meca e Medina.

            Terminamos as visitas oficiais na Terra Santa às 11h15 e viemos de volta à Ain Karem, para o almoço com os frades da comunidade. Às 15h00, retornamos à Jerusalém para as compras do interesse de cada participante.

            À noite, terminamos a jornada com um momento de recreação, à base de amêndoas, pistache, amendoins e outras sementes orientais, regadas à suco de cevada e outras bebidas.

 

Mesquita de Omar
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