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       São Paulo, 10/02/2012, 17:58          
 

Por Moacir Beggo

Pela décima vez consecutiva, o Pró-Vocações Franciscanas (PVF) realizou o Retiro Franciscano no Seminário Santo Antônio de Agudos, no interior de São Paulo. Desde a sua criação, em 1999, o encontro tem se mantido fiel a sua missão de propiciar aos benfeitores e benfeitoras deste setor da Província Franciscana da Imaculada Conceição um momento especial de reflexão sobre a espiritualidade e o carisma franciscanos, tendo como palco uma casa de formação.

A beleza arquitetônica do Seminário e o verde de seus bosques garantiram uma estadia de três dias inesquecíveis aos participantes. Esta décima edição reuniu em Agudos 104 participantes de todo o país, sem contar os frades palestrantes e a equipe de suporte. Quando os dois ônibus fretados chegaram ao Seminário na quinta-feira, feriado do Dia do Trabalho, a chuva já dava sinal de que não era passageira. Choveu muito, a cântaros mesmo, e só no sábado à tarde os participantes puderam conhecer um pouco as instalações do Seminário.

As atividades, contudo, começaram logo na quinta-feira. Depois do jantar, às 20 horas, os participantes conheceram o guardião do Seminário, Frei Rafael Spricigo, que deu as boas vindas e explicou o funcionamento da casa. Em seguida, Frei Atílio Abati, um dos coordenadores do PVF, abriu o Retiro com a primeira palestra: “O convívio fraterno e relações humanas”.

Revisão de vida
Frei Atílio partiu sua reflexão da citação de Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos de 42 a 27, lembrando que os primeiros cristãos eram solidários entre si para buscarem o Cristo. Hoje, segundo o frade, nós não temos mais tempo para parar e nossos relacionamentos estão fraturados, principalmente nas famílias. Citou dois casos que acabaram de chocar o mundo: a morte da menina Isabela e a prisão do alemão que manteve por 25 anos sua filha em cárcere.

“Qualquer máquina, por melhor que seja, precisa de uma revisão. Nós temos de fazer uma revisão de vida”, observou Frei Atílio, convidando a todos a aproveitarem o momento do retiro.

Na sexta-feira, a chuva criou um clima de maior concentração aos participantes do Retiro. A manhã ficou a cargo de Frei Paulo Back, também coordenador do PVF, que fez uma viagem virtual pelas terras e planícies de Assis, por onde passaram Francisco e Clara. Através de slides e filmes, Frei Paulo deu uma visão geral da vida dos dois jovens que mudaram o mundo.

Maria na contemplação de Francisco e Clara
Um dos aspectos mais fortes da espiritualidade franciscana foi enfatizada no início da tarde com Frei Régis Daher: a “Virgem Maria na contemplação de Francisco e Clara”.     
Ele explicou que Maria foi a primeira criatura humana a acolher o Reino de Deus. “Essa é a base de toda a missão, pois Maria ensina tanto a acolher o Reino de Jesus como a fazê-lo nascer no coração de ada um”, explicou.

“Francisco e Clara plantaram entre seus filhos e filhas a convicção do Reino no coração dos desprotegidos, justamente por serem tão unidos à Mãe do Povo de Deus”, acrescentou o frade, sempre exibindo a didática que tinha como professor antes de ingressar na Ordem Franciscana. Frei Régis refletiu sobre os seguintes subtemas: Pequenos e fracos como Maria; Unidos ao Espírito como Maria; Mãe da Humanidade como Maria; e Na missão de Deus com Maria. Para Frei Régis, “Maria mostra como se humaniza Deus e se diviniza o homem. Nela, a humanidade acolheu Deus e nela Deus é humanidade. Aquele pequenino envolto em fraldas, aquela criança com as feições de Maria, que com ela aprendeu a falar e a andar é Deus feito homem, transformação da história dos homens”, frisou.

“Francisco e Clara contemplavam em Maria o mistério da encarnação, sem separar Jesus de sua Mãe. Porque, sem essa mulher, o Cristo seria um maravilhoso salvador sem bases históricas (humanidade), pois é nela que se encontram a divindade e a humanidade”, completou.

Como defender a vida?
No final da tarde, Frei Vitalino Turcato trouxe a equipe litúrgica da Paróquia de Santo Antônio de Agudos para falar da “Missão do cristão em defesa da vida”, aproveitando o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e tendo como base o Documento de Aparecida. A psicóloga e coordenadora de liturgia Viviane Trevisan comandou a palestra, perguntando: “Como defender a vida se ela é tão banalizada?”

“A gente não pode pensar só no humano quando falamos da vida. Estamos sendo responsáveis por aquilo que Deus nos deixou”, lembrou Viviane.

Ás 18 horas, o neo-sacerdote Frei José Francisco dos Santos, animador provincial do Serviço Franciscano de Solidariedade, celebrou a primeira missa no Seminário de Agudos depois de sua ordenação presbiteral no dia 25 de abril. Ele falou depois sobre este serviço para os participantes, exibindo um novo filme sobre as obras sociais que são atendidas pelo Sefras.

Francisco, o santo do futuro
A manhã do sábado, mais fria depois da sexta-feira chuvosa, ficou a cargo do vigário provincial Frei Vitório Mazzuco Filho. Como tem sido em todos os retiros, Frei Vitório conquista o público e ainda deixa um gostinho de “quero mais”.

Frei Vitório falou sobre “Francisco ontem e hoje”. Alternando explicações históricas e biográficas do Santo de Assis, Frei Vitório deu uma aula sobre de espiritualidade franciscana.

“São Francisco não é um santo do passado. Ele puxa a nossa história para frente. Francisco é um santo do futuro. Ele tem respostas para a humanidade hoje”, enfatizou.
Frei Vitório vai mais longe: “Francisco é um santo sadio. O que é saúde? Ausência de sintomas? Não. Saúde é fazer o que o seu coração pede. O que os seus sonhos estão pedindo. Hoje tem muita gente doente que não fez o que seu coração queria. E Francisco fez valer o seu coração. ´É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo de todo coração’.’’

Ana Cristina Rosa Del Santoro é iniciante da OFS e disse que “só sabe expressar com encanto, conteúdo e clareza a doçura da vida de São Francisco e Santa Clara quem tem paz e é instrumento de paz. Frei Vitório fez uma brilhante colocação em suas palavras para que sejamos transtocados pela sensibilidade exemplar dos santos”. Para ela, é necessário ter em mente, no coração e na vida a citação: "Se você quiser servir o Senhor, faça poucas coisas, mas faça-as bem..".

Formação franciscana
Quem também não poupou elogios a Frei Vitório foram Salviana Ito e Catarina Goto, da Ordem Terceira de Dracena (SP). “Faz dois anos que estou estudando o franciscanismo, mas ele (Frei Vitório) mostra, mesmo sendo muito estudioso, a espiritualidade com uma linguagem simples, gostosa, acessível. Você percebe também que sai de dentro dele. A gente nem quer que ele pare de falar”, disse Salviana. Para Catarina, o retiro foi “puxado”, mas “gostou de tudo”. Foi a primeira vez que elas vieram a Agudos e participaram do retiro. 

A amazonense Suzete Maria dos Santos veio de Manaus para participar do retiro. “Achei maravilhoso. Até me surpreendeu, porque não pensava que iria ter essas palestras de alta qualidade. Os palestrantes não deram só uma visão da espiritualidade, mas foram buscar todo aquele histórico do franciscanismo. Estou encantada com a vida de São Francisco. Eu não conhecia os significados, as orações e a vida dele”, confessou.

A tarde de sábado, dia 3, foi reservada para um momento de reflexão com o Ato Penitencial, seguida da celebração da Santa Missa. À noite, os participantes puderam conhecer um pouco da formação dos seminaristas com a apresentação da Orquestra e Coral dos Seminaristas de Agudos. No domingo, a Missa encerrou as atividades e, depois do almoço, os participantes retornaram para suas casas. 

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