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Por Frei Alex Sandro e Frei Paulo Pereira
Os 70 anos da inauguração da Igreja Matriz Nossa Senhora da Boa Viagem, no bairro da Rocinha, no Rio de Janeiro, foram comemorados com uma Semana Missionária, de 30 de abril a 3 de maio. O evento foi promovido pelos frades Paulo Roberto Pereira e Alex Sandro Ciarnoscki, animadores provinciais do Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Província da Imaculada, juntamente com a fraternidade local, o pároco Frei João Reinert, o vigário paroquial Robson de Castro Guimarães e Frei Plínio Gande da Silva. O lançamento da pedra fundamental da Capela e Escola Nossa Senhora da Boa Viagem foi um pouco antes: no dia 19 de dezembro de 1937.
A programação festiva teve início no dia 30 de abril com um Encontro de Casais, às 19h30, onde se abordou o tema “Família dentro do projeto da salvação de Deus para a humanidade”.
1º de Maio - São José Operário, rogai por nós - A fidelidade do esposo de Maria, bem como o cuidado com a vida, expresso em muitas imagens, que representam o “Justo José” com o Menino Deus nos braços, foi o tema da pregação de frei Alex nas celebrações que aconteceram no primeiro dia de missões na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, na Rocinha. Na parte da manhã, na comunidade, que tem o santo como padroeiro, muita gente se reuniu para rezar e agradecer o dom de trabalhar. Muitas crianças, alguns jovens, mulheres e homens, reservaram tempo no seu feriado para manifestar a confiança no Deus providente e bom. Ao final da celebração, o convite para que sejam cultivadas as virtudes franciscanas, especialmente o amor aos pobres, a promoção da paz e o cultivo da vida fraterna.
À noite, houve celebração eucarística na igreja matriz e, em seguida, reunião com as lideranças que formam o Conselho Paroquial. A partir de citações bíblicas, as lideranças foram levadas a vislumbrar um itinerário de crescimento e amadurecimento da fé: de batizados, a discípulos e missionários. A caminhada nessa direção, certamente, conduz ao comprometimento com a proposta de Jesus, e gera novas vocações para o serviço do Reino. Houve boa receptividade e já há o propósito de novas conversas para ser formado o SAV na Paróquia.
Confrades visitam a fraternidade - Além da presença dos animadores provinciais do SAV, Frei Alex e Frei Paulo, a fraternidade da Rocinha acolheu com alegria outros confrades do Regional do Rio de Janeiro. No dia 01, Frei Salésio Hillesheim e Frei Vanilton Leme atravessaram a Baía da Guanabara e trouxeram amizade e apreço, além de algumas doações para almoçar com os irmãos deste lado da cidade. Na sexta, apesar da chuva insistente que marcou os últimos dias no Rio de Janeiro, foi a vez dos confrades do Santo Antônio, Frei Alamiro Andrade e Frei James Girardi oferecerem a graça de suas presenças. Sinais evidentes de que a missão é tarefa de todos nós.
Parabéns, Frei Plínio - O aniversário natalício de frei Plínio foi comemorado nesta última sexta-feira (2/05), com alegria e gratidão. Um típico “churrasco na laje”, tão comum em comunidades como essa que acolhe a mais nova fraternidade da Província, foi partilhado pelos confrades familiares de frei Plínio e alguns amigos e lideranças da paróquia da Rocinha.
Sendo um dos pioneiros que, desde setembro do ano passado, procuram revelar o rosto franciscano no serviço evangelizador entre os quase 130 mil moradores da favela mais famosa do Brasil, frei Plínio cativa a todos com seu jeito simples e serviçal; tais características foram recordadas pelas palavras de uma paroquiana que, ao final da celebração eucarística das 19h30, prestou singela homenagem ao aniversariante. A comemoração aconteceu no terceiro dia do Tríduo.
Celebração com as crianças e adolescentes - A manhã de sábado (03/05), dia da celebração dos 70 anos da igreja matriz, trouxe ao salão paroquial da Rocinha um grande número de crianças que participam dos grupos de perseverança nas diferentes comunidades da Paróquia. Os irmãos animadores do SAV apresentaram a atualidade da proposta de vida de Francisco e Clara de Assis, destacando os aspectos da opção pelos pobres, da promoção da paz, do cuidado com a natureza e do cultivo da fraternidade. A atenção e acolhimento demonstrados pelos adolescentes revelam o terreno fecundo aqui encontrado e que poderá acolher e fazer frutificar as sementes do ideal do Pobrezinho de Assis. A Missa de ação de graças pelos 70 anos da inauguração da Igreja Matriz e pela vida de Frei Plínio (aniversário) foi celebrada às 18h30. Após a missa, uma confraternização marcou o encerramento das festividades.
Com os jovens na Rocinha: “O que devo fazer de bom?” - Há um ano, quando da sua visita ao Brasil, o papa Bento XVI reuniu-se com jovens vindos de todas as partes do Brasil e de alguns países latino-americanos no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A partir do evangelho de Mateus (cf. Mt 19), o papa constatou que a juventude, de todos os tempos e em todos os lugares, carrega em seu coração um profundo desejo de conferir à sua existência um sentido plenificador. Naquela ocasião, o papa exortou a todos a aproximarem-se de Jesus a fim de obterem uma resposta convincente, comprometedora e criativa.
Esse mesmo convite foi feito aos muitos jovens, catequizandos da Crisma, catequistas e catecúmenos da Paróquia da Rocinha reunidos na manhã do último sábado. A assembléia reunida não sentiu dificuldades em identificar-se com o jovem do evangelho.
Chuva, só de agradecimentos e bênçãos -
Durante toda a semana uma chuva insistente acompanhou a missão na Rocinha. O Sábado, dia da celebração jubilosa dos 70 anos de fundação da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, o sol apareceu logo cedo; ainda assim, havia certa cautela e preocupação para a organização da festa, afinal a previsão anunciava chuva a qualquer momento. A construção jubilada não comportaria, como já não comporta nalgumas celebrações dominicais, o povo que viria celebrar; além disso, estava planejada uma confraternização no pátio da igreja. De fato, ao final da tarde muitas nuvens cobriram os morros que cercam a comunidade e a chuva se anunciava; mesmo assim a opção foi o pela celebração no adro da igreja que, por sinal, esteve completamente tomado.
Grande número de povo, presença terna e fraterna de duas irmãs clarissas vindas do mosteiro da Gávea, celebração bem preparada, clima de festa e de alegria... não haveria chuva no mundo que pudesse atrapalhar a reunião das comunidades para agradecer e louvar a Deus que permitiu que há 70 anos sua casa fosse estabelecida sobre a sólida pedra da Rocinha.
Nas palavras do novo pároco, Frei João Reinert, a construção do Reinado de Jesus Cristo supõe a pedra da natureza e a pedra que deve ser cada um que crê, num consórcio entre a dádiva de Deus e o empenho humano.
Para sinalizar o comprometimento do povo da Rocinha com o anúncio do evangelho nesta região tão estigmatizada, ao final da pregação, foi acesa uma cruz instalada no alto da torre da igreja; sinal da cruz, identidade do povo cristão, compromisso com a vida nova desejada e buscada, razão da evangelização aqui e em toda parte.
Antes do término da missa, uma coreografia artisticamente composta, lembrou a devoção a Nossa Senhora; momento de forte emoção que encantou a todos.
Houve ainda oração de bênção para marcar a instalação da nova secretaria paroquial, a reforma da cozinha e do piso do pátio, pequenas conquistas que conferem grande significado à caminhada de lutas e sonhos que povoam a ruelas e becos da Rocinha.
A partilha fraternal dos comes e bebes, bem ao jeito do povo das comunidades, sinal visível do Reino que sonhamos, coroou a festiva celebração.
Ao final desse período de missão e festa cabe apenas uma palavra: obrigado;
obrigado a Deus e ao Povo de Deus.
Que a bênção de Deus continue a sustentar a vida e a missão dos irmãos nas terras da Rocinha, lugar que Ele escolheu para marcar sua presença entre nós.
Que a Mãe da Boa Viagem nos acompanhe hoje e sempre.
Paz e Bem. |