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Por Frei Róger Brunorio, OFM (*)
O termo arte sacra praticamente defini a arte que está relacionada com a Igreja Católica. Na verdade este termo deveria estar relacionado à arte de todas as religiões. Sobretudo se incluirmos música, dança, arquitetura, teatro, literatura, entre outras manifestações artísticas. Mas nem toda religião concebe a arte no sentido que a nossa. Por exemplo, o Judaísmo e o Islamismo utilizam da arte para decorar seus templos sagrados. São religiões da palavra. A religião Católica é uma religião da palavra e da imagem: “o verbo se fez carne”. Nossa Igreja utiliza da arte para fins decorativos, catequéticos e evangélicos. Nas palavras dos antigos religiosos, a arte sacra era a ‘Bíblia dos Pobres’, a escrita para os analfabetos. Ao longo dos tempos foi-se aprimorando esta arte a serviço da Igreja e mais propriamente da sua liturgia como sinal da beleza de Deus.
A arte sacra como a linguagem da beleza de Deus procura revelar através dos sinais artísticos e estéticos o mistério salvífico de Cristo. Portanto, este tipo de arte deve ser inspirado em fonte e na espiritualidade cristã. A arte sacra brota da fé e da religiosidade do ser humano. Também chamamos arte religiosa aquela que expressa a religiosidade particular, da piedade e intimidade com Deus. Arte cristã aquela que trata de temas relacionados ao cristianismo, geralmente inspirados na Sagrada Escritura e na vida dos santos. E Arte litúrgica aquela que está diretamente relacionada à liturgia.
A arte é um elemento fundamental de cultura e humanidade e sendo assim o ser humano sempre buscou a beleza como meio para equilibrar-se. Nenhum ser humano pode viver sem arte, pois as duas são indissociáveis. Numa obra de arte o ser humano pode encontrar unidade, bondade e beleza que o conduz para o bem maior. Neste sentido, a arte sacra de nossas igrejas deveria sempre nos direcionar ao paraíso e nos conduzir ao caminho da beleza que é Cristo - O Sumo Bem, a Plenitude do Bem nas palavras de São Francisco de Assis -.
Nos templos (igreja e capelas) tem que haver uma arte digna de estar no espaço sagrado. O templo é santo e é a morada de Deus. Ali tem que haver uma arte verdadeiramente sacra que traz harmonia e equilíbrio para o ser humano. Tudo tem que estar em sintonia. No espaço sacralizado não poder haver o caos, a desordem. Limpeza e decoro fazem parte da casa de Deus e por isso temos que zelar pela sacralidade do lugar onde celebramos o culto - o Mistério Salvífico. No templo tudo tem sentido e significado. Nada está ali por acaso.
Ao sacralizar um espaço, o ser humano procura dar a Deus o melhor de si e utiliza o que há de mais nobre na natureza. Para aprofundar neste assunto, sugiro que leiam dois livros: “via pulchritudinis - o caminho da beleza” e “o espaço litúrgico da celebração”, ambos da editora loyola.
(*) Frei Róger Brunorio é museólogo
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